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Prezado/a leitor/a Esta edição destaca o protagonismo de trabalhadores rurais na busca de efetivas soluções de transformação social. São pessoas como seu Antônio Borges, um agricultor do Semi-Árido que desenvolve e implanta técnicas de captação de água em seu sítio; e Denizon dos Santos, que mora em Pai Pedro/MG e apostou na tecnologia social ?Pais?, a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável. No mês de julho, integrantes da RTS tiveram a oportunidade de ver, de perto, essas iniciativas. Os detalhes das visitas de campo estão registrados em duas matérias deste boletim. Aproveitamos para informar, ainda, que o Fórum Nacional da RTS foi adiado para o mês de dezembro. Esse importante encontro da Rede ocorrerá durante a 5ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, em Salvador/BA. Dessa forma, poderemos potencializar a troca de informações e experiências entre lideranças regionais e instituições que trabalham com tecnologias sociais numa perspectiva de promoção do desenvolvimento. A Expo entra em sua quinta edição já consolidada, no contexto brasileiro e internacional, como o principal espaço hoje existente para a visibilidade das experiências de desenvolvimento local e para a articulação entre organizações e redes em torno do tema. Tal encontro possui grande afinidade com a missão da RTS.
Agricultores buscam inovações para captação de água e geração de renda Comitê
Coordenador da Rede de Tecnologia Social (RTS) faz visita de campo
A família de seu Antônio Borges é numerosa. Além de sua esposa, dona Maria Cristina, sete filhos/as moram no sítio Riacho de Santo Antônio, no município de Soledade (Estado da Paraíba). Buscar o sustento e a alimentação saudável de todos nunca foi fácil. Mas, a partir do ano 2000, uma dinâmica diferente começou a acontecer naquela região. Após um longo período de seca, em 1999, seu Antônio decidiu procurar alternativas. Foi quando abandonou práticas tradicionais de agricultura, passando a experimentar tecnologias sociais. Hoje, seu sítio possui cisterna de placa, mandala, quintal produtivo, barragem subterrânea e biodigestor. Somadas, essas práticas garantem renda e alimento à família. "As alternativas que temos aqui nos ajudam a conviver com o Semi-Árido", explica seu Antônio. Tal dinâmica vem chamando atenção de pessoas da região, de outros estados e até de outros países. No dia 11 de julho, foi a vez do Comitê Coordenador da RTS conhecer o sítio. Durante um dia, cerca de 30 pessoas trocaram informações, compartilharam experiências e percorreram parte dos 80 hectares da propriedade. O encontro foi viabilizado pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) e instituições que a integram, como o Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades (Patac) e a AS-PTA. O aproveitamento de frutas nativas para a alimentação é o principal trabalho realizado no sítio. Geralmente, essa vegetação do Semi-Árido é reconhecida apenas como parte da paisagem da região. Entretanto, elas apresentam valores nutricionais que podem ser experimentados a partir de receitas criativas. Atualmente, a família de Antônio Borges produz sucos, bolos, geléias e cocadas para consumo próprio. Também fornece lanches para encontros que ocorrem na região, e lucram com a iniciativa. As receitas possuem cactos, combeba, xique-xique, milho e mandioca, entre outros vegetais. Além de gerar renda com a comercialização dos produtos, a segurança alimentar é garantida por meio de medidas simples, com base na agricultura familiar. Outro aspecto dessa dinâmica é a intensa troca de informações entre os agricultores. "Sempre que vou a um encontro, uma visita de intercâmbio, consigo uma experiência e coloco em prática. Esse é um momento de grande felicidade. Também fazemos oficinas com pessoas da comunidade", diz Antônio Borges. O jovem Gilson Borges, 21 anos, percebe a importância dessa colaboração. Ao apresentar, ao grupo, a cisterna de placa instalada em sua casa, ele chamou atenção para o Fundo Rotativo Solidário. "Recebemos um recurso para montar essa cisterna. Agora, quando tivermos condições, devemos passar esse dinheiro para a comunidade. Outras famílias decidirão como investir. Pode ser uma cisterna. Mas pode ser também uma palma consorciada", explica Gilson. O Fundo Rotativo Solidário é uma das diferentes modalidades de financiamento geridas por organizações e grupos comunitários, como alternativa a créditos oficiais. É constituído a partir da contribuição de famílias ou estimulado por um capital externo, que pode proceder de diversas fontes. A iniciativa é um mecanismo de gestão de recursos coletivos para o investimento no desenvolvimento local. Além de facilitar o acesso a recursos financeiros pelas famílias rurais, inclusive as mais pobres, os Fundos têm fortalecido processos organizativos, capacidades de gestão autônoma de projetos e recursos comunitários, no Semi-Árido brasileiro. A avaliação de Conceição Marques, da ASA Maranhão, reflete as impressões do grupo sobre a visita realizada em Soledade, na Paraíba. "Para mim, foi muito rico estar aqui. Valeu ver o cheiro verde, a abóbora, a batata e o milho dentro de um programa criado pela sociedade civil, que é o Programa Um Milhão de Cisternas. Valeu ver o resultado desse sistema de produção agroecológica e o processo de educação popular. Vou fazer questão de mostrar essa experiência para meus colegas", diz.
Marilene Nascimento Melo, assessora técnica da AS-PTA, resumiu a dinâmica da família: "Eles desenvolvem experiências que permitem melhorar o manejo da água, manejo da vegetação nativa, manejo dos animais e manejo do solo. Este conjunto de inovações tem contribuído para a garantia da segurança alimentar e o aumento de renda, além do início do reequilíbrio ambiental". Marilene, que também é representante da ASA-Brasil no Comitê Coordenador da RTS, afirmou, ainda, que "é visível o aumento da auto-estima das pessoas. Os filhos jovens vêm participando ativamente desde processo de transição agroecológica".
CALENDÁRIO - A visita ao sítio Riacho de Santo Antônio ocorreu no dia seguinte à reunião do Comitê Coordenador da RTS, realizada em Campina Grande, na Paraíba. O grupo, que possui encontros mensais, pretende promover, cada vez mais, visitas de intercâmbio entre os/as integrantes da Rede.
Por
Michelle Lopes - Assessoria de Comunicação da RTS voltar
Tecnologia Social possibilita produção de alimentos orgânicos O
sistema "Pais" foi tema do Encontro realizado em Pai Pedro, Estado de
Uma horta, um quintal agroecológico, uma forma de irrigar simples e barata e uma criação de aves caipiras podem ocupar o mesmo espaço, simultaneamente, e permitir a reciclagem de nutrientes. É o que prova a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). Essa Tecnologia Social garante um modo de produção baseado na sustentabilidade econômica, social e ambiental. A Pais está sendo reaplicada em diversas regiões do país. A iniciativa é fruto de uma parceria firmada entre a Fundação Banco do Brasil (FBB), o Sebrae e o Ministério da Integração Nacional. A tecnologia é empregada no Projeto "Unidades Familiares de Produção Agrícola Sustentável - UFPAS", em fase de implantação em 12 Estados, sendo nove no Semi-Árido, além do Mato Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. A expectativa é que sejam implantadas 30 hortas orgânicas por município, totalizando 1080 unidades. Para isso, serão investidos R$ 6,4 milhões. A fim de divulgar a tecnologia Pais, o Sebrae realizou um Encontro, em Pai Pedro/MG, dia 14 de julho. Na ocasião, houve apresentações sobre a temática, o lançamento de uma Cartilha e visita ao sítio do trabalhador rural, Denizon dos Santos, que implementou a tecnologia em sua propriedade. Cento e quarenta pessoas participaram do evento que contou com a presença de integrantes de instituições parceiras, de autoridades governamentais e diversos trabalhadores rurais. Em sua saudação, o presidente da FBB, Jacques Pena, chamou atenção para os desafios que surgem num processo de reaplicação de tecnologia social: "Nos dá muita satisfação ver esse resultado porque foram muitas as dificuldades. Tivemos diversas reuniões e discussões para que o dinheiro fosse bem aplicado. É difícil pegar uma idéia e fazer com que ela brote em centenas de cidades diferentes". O ator e produtor de alimentos orgânicos, Marcos Palmeira, também esteve no encontro e destacou as alternativas que a Pais proporciona: "É um projeto aberto, é uma idéia que o produtor vai desenvolver de acordo com as suas possibilidades. Não é um modelo fechado, não tem uma patente. Então, a Pais de um produtor pode ser diferente daquela implantada pelo do vizinho". Além de viabilizar a produção de alimentos livres de agrotóxicos, o sistema Pais ainda estimula a organização e a cooperação entre agricultores familiares e o conseqüente processamento dos produtos, com vistas à agregação de valor e geração de maior renda para as famílias envolvidas. Na opinião do gerente de Agronegócios e Desenvolvimento Territorial do Sebrae, Juarez de Paula, "atualmente, as pessoas estão muito preocupadas em consumir alimentos saudáveis. E os produtos agroecológicos respondem essa tendência".
A tecnologia social Pais inspirou-se na atuação de pequenos produtores que optaram por fazer uma agricultura sustentável, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. Integrando técnicas simples e já conhecidas por muitas comunidades rurais, o modelo busca:
Tal sistema começou a ser pensado e desenvolvido em 1999, com uma família de pequenos produtores, sob a orientação do engenheiro agrônomo Aly Ndiaye. A Pais parte da idéia de se ter produção integrada, organizada em forma de anéis, cada um deles destinado a uma determinada cultura, que complementa a que vem a seguir. O centro desse sistema de agricultura familiar ecológica é utilizado para a criação de pequenos animais como galinhas e patos. O esterco produzido pelas aves aduba a horta, após passar por um processo de compostagem (transformação de matéria orgânica em adubo). São usadas também as leguminosas para fim de adubação verde, evitando trazer insumos de fora da propriedade, o que poderia comprometer a sustentabilidade do sistema. A irrigação é feita de maneira simples e barata, pelo método de gotejamento, que não desperdiça água. O uso de cobertura morta (aproveitando material disponível no local) sobre a terra retém a umidade no solo, diminuindo a necessidade de mais água. Assim, torna-se possível a reaplicação dessas unidades produtivas nas regiões semi-áridas brasileiras, onde os baixos índices pluviométricos têm comprometido o sucesso de projetos produtivos e, consequentemente, a sustentação das famílias. Com R$3.650,00 de investimento inicial em itens como mangueiras, caixa d?água, bomba para irrigação, mudas, sementes e arame para confecção de cerca, é possível montar uma unidade Pais. TEORIA E PRÁTICA - Essas informações estão presentes na Cartilha sobre a tecnologia Pais, lançada em Pai Pedro/MG. Com uma tiragem de 12 mil exemplares, a publicação será distribuída nos estados onde o projeto vai ser implantado.
As explicações existentes na Cartilha puderam ser conferidas de perto na visita à chácara do trabalhador rural, Denizon dos Santos. "A Pais mudou muita coisa em minha vida. Minha renda melhorou. Hoje, eu tiro cerca de 400 reais por mês, sem contar com o alimento da família", explica. O processo de implantação da Pais sempre ocorre com a colaboração de entidades locais. Em Pai Pedro/MG, a Cáritas Diocesana de Janaúba está acompanhando as atividades. Sua presidenta, irmã Mônica de Barros, fala sobre o que significa essa iniciativa: "Eu reduziria ou ampliaria numa expressão que é muito feliz. Vamos fazer o deserto florir. Com esse florir, teremos comida de qualidade na mesa do camponês, no mercado e nas feiras". Como desdobramento das atividades do sistema Pais, irmã Mônica pretende unir esforços para construir o Centro do Agricultor Familiar Pais. Já o trabalhador rural, Denizon, afirma que a formação de uma cooperativa poderia viabilizar um retorno maior ao seu trabalho. Projeto é o que não falta nesta região semi-árida de Minas Gerais. A terra é fértil em oportunidades.
Por Aly Ndiaye, engenheiro agrônomo criador da "Pais"; Larissa Barros e Michelle Lopes, da Secretaria Executiva da RTS A Secretaria Executiva da RTS está funcionando no
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em
Brasília/DF. O novo número telefônico é: (61) 3217-6102.
O instituto também passou a ser responsável pela administração do
Portal da RTS, por meio de um convênio firmado com a Secretaria de
Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis/MCT). voltar
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NOTÍCIAS DA REDE é o informativo eletrônico da Rede de Tecnologia Social (RTS) que reúne, organiza, articula e integra um conjunto de instituições, com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação em escala de tecnologias sociais. Para entrar em contato ou assinar este informativo, envie nome completo, e-mail e nome da instituição a qual pertence para o e-mail: noticiasdarede@rts.org.br. Caso queira deixar de recebê-lo, basta responder este mail, com o título CANCELAR. Outras informações: Secretaria Executiva da RTS Telefone: (61) 3217-6102 |
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