Brasília, 9 de maio de 2006 - Ano 02 - Nº 11 
CONTEÚDO
Articulação
RTS: integrantes da Amazônia Legal fortalecem dinâmica de rede
C&T
Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica
Entrevista
Paulo Itacarambi - Instituto Ethos
Agenda RTS
Calendário
Link recomendado
 

Editorial

Prezado/a leitor/a,

Esta edição do Notícias da Rede foi produzida com base nos debates realizados na Oficina Regional da RTS - Amazônia Legal. Conseguimos reunir cerca de 40 integrantes da Rede, em Belém/PA, dias 25 e 26 de abril. A "Cidade das Mangueiras" ficará na história da RTS como o local onde, pela primeira vez, houve um encontro com dezenas de instituições integrantes da RTS. Foram diversos os relatos, trocas de experiências, questionamentos, sugestões, compromissos. É possível ter idéia dessa dinâmica na matéria principal de nosso informativo eletrônico.

As informações que conseguimos reunir e repercutir serão bastante úteis para o aprimoramento dos trabalhos na Oficina do Semi-Árido, que acontecerá esta semana (dias 11 e 12 de maio), em Recife/PE.

Ainda no âmbito dos eventos e iniciativas importantes, gostaríamos de lembrar que o Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica está com inscrições abertas até 30 de junho. Com sete categorias (Produto, Processo, Pequena Empresa, Média/Grande Empresa, Instituição de Ciência e Tecnologia, Inventor Inovador e Inovação Social), o Prêmio ocorre em duas etapas - regional e nacional. O projeto classificado em primeiro lugar de cada categoria em cada região brasileira concorre ao Prêmio Nacional. Outras informações sobre o Prêmio podem ser encontradas nesta edição.

Boa leitura!

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Articulação

RTS: integrantes da Amazônia fortalecem dinâmica de rede

"E aprendi que se depende sempre
de tanta muita diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
das lições diárias de outras tantas pessoas
É tão bonito quando a gente entende
que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
É tão bonito quando a gente sente
que nunca está sozinho por mais que pense estar"


Foi ao som da música Caminhos do Coração, de Gonzaguinha, que os/as participantes da Oficina Regional da RTS - Amazônia Legal encerraram o encontro realizado em Belém/PA, dias 25 e 26 de abril. "Essa música explicita bem o sentido de Rede. Mostra que nenhum de nós é resultado apenas de nossa individualidade", disse Aldalice Otterloo, diretora geral da Unipop (Instituto Universidade Popular) e representante da Abong Nacional no Comitê Coordenador da RTS.

Durante dois dias, cerca de 40 pessoas estiveram reunidas a fim de promover uma integração entre instituições que fazem parte da Rede de Tecnologia Social e iniciar os preparativos para o Fórum Nacional da RTS, que ocorrerá em agosto deste ano.

A metodologia da Oficina priorizou as discussões em Grupo. Após a abertura do encontro, os/as participantes dividiram-se em três equipes para discutir as seguintes questões:
• Faça um breve histórico dos trabalhos realizados por sua instituição (setor/área e atividade econômica de atuação).
• Como sua instituição entende o papel da Rede de Tecnologia Social (RTS)?
• Como sua instituição pode contribuir para o fortalecimento da RTS?
• Como sua instituição entende as modalidades de adesão à RTS, a seguir: mantenedor, investidor, reaplicador, articulador, divulgador e detentor de Tecnologia Social?
• Hoje, a RTS atua nos territórios prioritários Semi-Árido e Sertão do São Francisco, Amazônia Legal e Periferia das Grandes Cidades, promovendo a reaplicação de Tecnologias Sociais voltadas à geração de trabalho e renda. Como a sua instituição avalia esse foco definido para 2005-2006 e qual a sugestão para atuação no próximo biênio?
• Dê sugestões sobre temas que devem ser discutidos no Fórum Nacional da RTS.
• Que instrumentos/meios de comunicação a sua instituição sugere que a RTS utilize para promover a articulação e troca de informações entre os que aderiram à Rede?
Os resultados dos grupos de trabalho foram apresentados no segundo dia da Oficina, em plenária. Em linhas gerais, as instituições entendem que a RTS deve ser um espaço de troca de experiências e informações, além de um canal para se propor políticas públicas.
Arquivo / RTS

Abertura da Oficina Regional da RTS - Amazônia Legal, realizada em Belém/PA
 

Em relação ao foco de atuação da Rede, os grupos consideraram que não tinham informação suficiente para aprofundar o debate. Nesse sentido, solicitaram o envio de subsídios às instituições da RTS. Os grupos sugeriram, ainda, que a Rede desenvolva ações voltadas para os biomas Cerrado e Pantanal.

Quanto aos temas que deverão ser discutidos no Fórum Nacional da RTS, foram apresentadas as seguintes sugestões:
• Comércio justo e economia solidária;
• Direitos humanos;
• Comunicação e gestão do conhecimento;
• Propriedade intelectual e repartição de benefícios;
• O portal da RTS e a comunicação da Rede;
• Relação das Tecnologias Sociais com programas de governo;
• Relação da RTS com os outros fóruns e redes - potencialização dos espaços de discussão e debate (agendas comuns);
• Avaliação da aplicação de Tecnologias Sociais; e
• Foco territorial e temático da RTS.
Duarte Miranda Júnior, da Universidade Popular Comunitária, em Cuiabá/MT, foi relator do Grupo 1 e considerou positivas as discussões: "É muito bom estar dentro desses debates porque as idéias fluem. Por exemplo, há um ano a RTS estava começando. A idéia surgiu a partir de discussões. Nesta Oficina, o trabalho em grupo foi excelente porque as pessoas vieram para cá com muitas idéias a fim de contribuir", avalia.

Na opinião de Nicolau Priante Filho, da Cooperativa Coorimbatá e gerente do Projeto de Promoção do Desenvolvimento Local e Economia Solidária do MTE, um dos aspectos positivos da Oficina foi o contato com o Comitê Coordenador da RTS: "Na elaboração de nossos projetos, será mais fácil ter uma conversa direta com os integrantes do Comitê. Isso nos dá mais segurança quanto aos rumos que devemos tomar", diz o relator do Grupo 2.

 
Arquivo / RTS

Grupo de Trabalho elabora apresentação
Já Terezinha de Jesus dos Santos, representante do Iepa/AP e relatora do Grupo 3, afirmou que houve importantes questionamentos em seu grupo. E citou um exemplo: "Quanto à propriedade intelectual e repartição de bens, como a comunidade que detém o conhecimento tradicional e gerou tecnologia poderá auxiliar uma outra comunidade?".

Terezinha também acredita que a comunicação entre as instituições da RTS precisa ser potencializada: "Em nosso grupo, surgiu a pergunta: daqui para frente, como ficará a interação entre as instituições, e das mesmas com as comunidades envolvidas? É preciso ocorrer uma troca de maneira horizontal", explica. A expectativa é que essa articulação ocorra, sobretudo, por meio do Portal da RTS, que disponibiliza uma Comunidade de Prática onde as pessoas podem conversar virtualmente, por meio de fóruns e salas de bate-papo.

Foi com esse objetivo que a organização da Oficina decidiu encerrar o encontro com uma apresentação do Portal, feita pela analista de sistemas da ABIPTI, Maria Izabel Motta. "A idéia é que os temas do Fórum Nacional sejam discutidos previamente em nosso Portal, bem como todas as decisões ligadas aos preparativos do evento", explica.

AVALIAÇÃO - Após a Oficina, os/as participantes avaliaram o encontro. Os depoimentos foram positivos. O contato presencial e as trocas entre pessoas criaram novas sinergias. Essa dinâmica deverá influenciar a atuação da RTS e seus projetos para o futuro. Entretanto, o grupo considera que aspectos ligados à metodologia da Oficina, organização e infra-estrutura do evento, além de ações de comunicação devem ser aprimorados.

A secretária executiva da RTS, Larissa Barros, destaca o caráter aberto da Oficina: "Nossa idéia não era sair de Belém com um documento fechado, mas principalmente saber o que pensam nossas instituições quanto aos diversos aspectos da Rede: difusão, reaplicação etc. Estamos em uma fase de estruturação e essas opiniões são fundamentais. Neste momento estamos apenas iniciando os debates preparatórios para o Fórum Nacional da Rede", conclui.

PRÓXIMOS PASSOS - A próxima Oficina Regional da RTS será realizada com instituições com atuação no Semi-Árido. O encontro ocorrerá em Recife/PE, dias 11 e 12 de maio. Para participar da Oficina, é necessário que a instituição tenha sede no território do Encontro e faça parte da RTS. Para aderir à Rede, deve-se preencher o Manifesto de Interesse e enviá-lo por e.mail ou Correio. Também é preciso mandar o Termo de Adesão com carimbo da instituição, CNPJ e assinatura do/a responsável legal. Esses dois documentos estão disponíveis no portal www.rts.org.br. A versão impressa pode ser solicitada por telefone. A instituição pode participar da RTS por meio de seis modalidades: mantenedor, investidor, articulador de redes sociais, detentor de tecnologias sociais, reaplicador e divulgador.

Por Michelle Lopes - Assessora de Comunicação da RTS

Depoimentos
 
Luís Alberto Pereira
Associação Indígena Halitinã
Tangará da Serra - Mato Grosso

• Eu acho que este é um marco de discussão sobre Tecnologia Social. O evento mudou totalmente a minha visão da RTS. Fazemos parte da Rede apenas há um mês e agora sabemos o que ela é, o que é Tecnologia Social. O evento nos deu uma nova dimensão, mostrou atividades interessantes que estão sendo feitas no Brasil, na região amazônica e que podem ser reaplicadas onde eu trabalho, no meu município, enfim.
O encontro presencial é importante para se conhecer o que é a Rede, quem são as pessoas e entidades que a congregam.

 
Luciene Pohl
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Amazônico (IPDA)
Manaus - Amazonas

• A Oficina foi muito importante para se começar a internalizar o conceito de Tecnologia Social. Mas é preciso fazer, também, com que as organizações mais de base, que não têm acesso à Internet, por exemplo, que não têm as mesmas oportunidades de quem vive na capital do Estado, recebam e troquem essas informações. Penso que essa discussão deve ser deslocada. É muito legal ter, discutindo na mesma mesa, representantes da sociedade civil, entidades financiadoras e governos. É um momento muito importante para propor coisas, ser ouvido, ser mais participativo.

 
Silvânio de Matias Gomes
Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR)
Rondônia

• A Oficina é fundamental para as pessoas enxergarem suas experiências, vê-las, senti-las. Esse foi um momento importante no sentido de discutir a questão dos conceitos. Agora, eu vejo a necessidade de aprofundar a questão das experiências que a Rede já contribuiu com a sistematização. Há a necessidade de demonstrar quais são as experiências sistematizadas para que as pessoas se enxerguem no processo e possam vir a aderir à Rede.

 
Maria Jocicleide Lima de Aguiar - Joci Aguiar
Rede Acreana de Mulheres e Homens (RAMH)
Rio Branco - Acre

• O evento é importante por possibilitar um processo de internalização e aprendizagem do conceito da Rede de Tecnologia Social. É uma forma de entendermos o que é a RTS, para que serve, qual o nosso papel dentro dela. Inscrevemo-nos em março na RTS, motivados pela Rede GTA. Uma vez que aderimos à Rede, percebemos que também poderíamos ser reaplicadores e detentores de TS, especialmente no que se refere ao trabalho com mulheres.

 
Terezinha de Jesus Soares dos Santos
Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá
Macapá - Amapá

• A Oficina é muito importante pelos contatos que possibilita e por permitir uma inclusão maior na RTS. Esperamos, depois dela, atuar ainda mais na Rede. Conheci experiências super importantes, principalmente algumas do Pará que não conhecia. Eu também conhecia pouco o trabalho da ASA. O ponto positivo é a reunião presencial das pessoas, mas acho que poderia ser um evento ainda mais aberto para aprimorar os debates. Os participantes da Rede da região amazônica poderiam estar mais presentes.

 
Aldalice Otterloo
Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong)
Belém - Pará

• A idéia das oficinas foi genial e, a cada ano, os encontros regionais deveriam ser realizados. Eles permitem que a Rede tenha capilaridade nas regiões que ela elegeu como prioritárias e para que as pessoas dessas regiões conheçam as entidades que a compõem. Esse é um momento de divulgação, de dar visibilidade pública e ampliar o leque de entidades não apenas no sentido quantitativo, mas na qualidade da Rede, na inserção, na disseminação do conceito de TS. A Oficina tem a capacidade de trazer à tona, divulgar, sistematizar e socializar experiências, e tem importância vital para a RTS.

 
Luís Carlos Gomes de Lima
Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA)
Roraima

• A Oficina está servindo para que a gente realmente conheça quem são os parceiros, qual a dimensão da Rede e para que a gente se enxergue dentro dela. Ela dá a dimensão de que estamos fazendo parte da construção da RTS. Isto é uma coisa que está nos deixando muito à vontade aqui, ou seja, a proposta é que nos vejamos exatamente dentro da Rede. Antes da Oficina, não nos sentíamos parte dela e sim que a conhecíamos apenas.

 
Edileide dos Santos de Jesus Silva
Centro de Direitos Humanos Padre Josimo
Araguatins - Tocantins

• A Oficina contribuiu muito para esclarecer o que é realmente a Rede de Tecnologia Social. Quando se fala em tecnologia, a gente imagina uma coisa muito distante e esse encontro nos aproximou dela. A gente pensa que nem existe TS na nossa região e as experiências mostradas servem para que identifiquemos o que está sendo realizado. Esse contato nos aproxima, portanto, tanto do pessoal das entidades quanto dos trabalhos que realizam na região amazônica.

 
Maria da Conceição Marques
Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) e Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Idesa)
São Luís - Maranhão

• A Oficina foi muito boa e atendeu as expectativas que nós tínhamos. Ela propiciou que uma região pensasse a Tecnologia Social como um conceito e as Tecnologias Sociais que já existem lá, realizadas por suas diversas instituições e comunidades. Foi também uma possibilidade de se conviver com o ambiente de uma rede diferenciada como a RTS, que agrega diferentes tipos de instituições nos âmbitos público e privado. A Oficina gerou um trabalho muito participativo, onde as pessoas falaram mesmo, principalmente nas atividades em grupo.

Por Waleska Barbosa - Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (ABIPTI)

Leia também:
Instituições da Amazônia discutem Tecnologia Social
Entrevista - Aldalice Otterloo

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C&T

Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica recebe inscrições

O Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica está com inscrições abertas até 30 de junho, pelo site www.finep.gov.br/premio. Com sete categorias (Produto, Processo, Pequena Empresa, Média/Grande Empresa, Instituição de Ciência e Tecnologia, Inventor Inovador e Inovação Social), o Prêmio ocorre em duas etapas - regional e nacional. O projeto classificado em primeiro lugar de cada categoria em cada região brasileira concorre ao Prêmio Nacional.

O destaque da última edição ficou com a categoria Inovação Social, lançada ano passado. Já em sua estréia, recebeu 166 projetos, ficando em segundo lugar em número de inscritos, atrás apenas da categoria Produto, com 318 inscritos e, tradicionalmente, a mais procurada. O Sudeste e o Sul foram as regiões que participaram com mais projetos de Inovação Social.

Nessa categoria, poderão concorrer instituições que desenvolvam inovações sociais ou ainda os grupos beneficiados por elas. Entende-se como inovação social a utilização de tecnologias que permitam promover a inclusão social, geração de trabalho, renda e melhoras nas condições de vida.

O Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica visa estimular os esforços inovadores das empresas no campo tecnológico, notadamente dos projetos que gerem resultados de impacto para a sociedade brasileira. Foi lançado em 1998, apenas na Região Sul, com 25 inscrições. No ano seguinte, na mesma região, foram inscritos 48 projetos. Em 2000, o Prêmio se tornou nacional e recebeu 279 inscrições. Em sua última edição, em 2005, atingiu a marca de 679 inscritos.

Conheça os vencedores de 2005 na categoria Inovação Social do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica:
• Universidade Federal de Santa Catarina - vencedor Nacional e da Região Sul

 
O trabalho de pesquisa e de transferência de tecnologia de cultivo de ostras desenvolvido pelo Laboratório de Moluscos Marinhos - LMM, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC dá suporte à atividade de cultivo desse molusco no Estado. As ações desenvolvidas pela Universidade e o repasse desse conhecimento para pescadores artesanais possibilitaram o restabelecimento das atividades marítimas tradicionais, que passavam por um período de estagnação econômica devido ao declínio da pesca artesanal.

O professor Jaime Fernando Ferreira, supervisor do LMM, lembra que muitos pescadores deixavam de trabalhar no mar, por causa da baixa lucratividade, para se dedicar a outras atividades. Depois da valorização da produção de moluscos, essa situação foi revertida. Hoje já são mais de mil maricultores, reunidos em 20 associações em todo o Estado.

Há 15 anos, o LMM produz comercialmente sementes da ostra japonesa (Crassostrea gigas), que são subsidiadas pela UFSC e vendidas aos maricultores pelo preço menor que o de custo. Mil sementes pequenas - de cerca de 3 mm - custam R$ 10 e mil sementes grandes - maiores que 3 mm - custam R$ 20. Em 2005, o laboratório vendeu 35 milhões de sementes e obteve uma receita que foi revertida para a manutenção do LMM e melhoria da própria produção. Ao todo, há dez pesquisadores envolvidos na iniciativa.

• Centro de Tecnologia Mineral - vencedor Região Sudeste

 
O projeto Produção Limpa e Geração de Empregos no Setor de Rochas Ornamentais, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), é responsável pela retomada de crescimento de 82 pequenas serrarias de rocha ornamental do noroeste do Rio de Janeiro. Ameaçadas de falência, hoje as empresas, juntas, apresentam faturamento médio de R$ 3,5 milhões por mês. Além disso, a iniciativa gerou cerca de 600 empregos diretos.

Idealizado para alavancar a indústria do setor, o projeto capacita o corpo funcional das serrarias e, assim, torna os empreendimentos auto-sustentáveis. "Nosso objetivo é colaborar com as micro e pequenas empresas do setor mineral. Para isso, oferecemos apoio tecnológico para o desenvolvimento de melhorias nos processos e orientações de como lidar com o mercado e aliviar impactos ambientais", afirma Carlos Peiter, coordenador do projeto. Ao todo, há dez pesquisadores envolvidos na iniciativa.

• Alunorte - vencedor Região Norte

 
Os tubos de aço utilizados pela Alunorte na fabricação de alumínio ganharam uma nova função que já beneficia mais de dez famílias paraenses. O material sucateado cai como uma luva na construção de estufas pois, além de cumprir o papel de sustentar a estrutura, ainda reduz o custo total do metro quadrado de R$ 80 para R$ 4.

Para possuir uma estufa, o agricultor local interessado em plantar hortaliças, por exemplo, deve estar inscrito na Cooperativa de Extrativismo e Desenvolvimento Agrícola de Barcarena (Cedab) e desembolsar cerca de R$ 1,2 mil, valor 20 vezes inferior ao de mercado. Há ainda a opção de fazer o pagamento por meio da produção obtida, que, nesse caso, é revendida pela Cedab.

Hoje, existem 15 estufas prontas, 12 em construção e 15 já projetadas. Cada uma possui 315m e cerca de 60 tubos, de 7,5m. Como as estruturas resistem à chuva, os agricultores e agricultoras podem plantar o ano inteiro. O faturamento atual bruto alcançado pelas famílias, juntas, é de R$ 16 mil por mês em média.

• Universidade Católica Dom Bosco - vencedor Região Centro-Oeste

 
Em parceria com o Sebrae e a Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande, a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) está ajudando no desenvolvimento e implantação de pequenas comunidades industriais para processar e comercializar frutas e verduras descartadas pelos supermercados de Campo Grande/MS.

Hoje, já existe uma comunidade sendo operada por moradores de um bairro pobre da cidade. Diariamente, a Prefeitura recolhe cerca de duas toneladas desses alimentos. Na comunidade, é feita a seleção e a limpeza das frutas e verduras que estão em condições de serem distribuídas para a população, cerca de 450 pessoas carentes da região.

Já as frutas que não são usadas para consumo estão sendo reaproveitadas na fabricação de doces em compota ou, ainda, como produto desidratado. A idéia agora é aproveitar as verduras para fazer conservas e molhos, caso do tomate.

• Organização Potiguar (Projeto Carnaúba Viva) - vencedor Região Nordeste

 
Graças ao projeto Carnaúba Viva, realizado pela Organização Potiguar de Arte, Cultura, Desporto e Meio Ambiente, 130 trabalhadores do Rio Grande do Norte e Ceará, que não tinham fonte de renda, passaram a receber em média R$ 200 por mês.

A novidade é a utilização de esteiras de palha de carnaúba em substituição ao alumínio para a proteção dos dutos de vapor fabricados pela Petrobras, cujas temperaturas chegam a 260ºC. Palmeira nativa da região, a carnaúba agrega valor ao produto que, devido à procura, teve o preço reajustado em 300%.

A iniciativa formou oito grupos produtivos de artesanato em quatro municípios do Rio Grande do Norte - Upanema, São Rafael, Carnaubais e Caraúbas - e um do Ceará - Aracati. Outros estão sendo capacitados e a expectativa é de que mais 70 pessoas sejam beneficiadas.

Saiba mais:
Por que vale a pena participar do Prêmio FINEP?
Conheça os 679 participantes de 2005

Por Paula Ferreira - Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)

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Entrevista

Paulo Itacarambi

O que as empresas brasileiras têm a ver com as mudanças climáticas do planeta? Quais são suas responsabilidades diante do desmatamento na Amazônia? Essas são perguntas que estarão presentes nos debates da Conferência Internacional 2006 - Empresas e Responsabilidade Social, que será realizada entre os dias 19 e 22 de junho, em São Paulo/SP. Trata-se de uma realização do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e seus parceiros.

 
Em sua terceira edição, o tema da Conferência será o papel da empresa socialmente responsável em uma sociedade sustentável. Em entrevista à Assessoria de Comunicação da RTS, o diretor executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, falou sobre os principais aspectos da programação.

RTS - Qual é o diferencial entre a Conferência Internacional de 2006 e as edições anteriores?
Itacarambi
- O primeiro diferencial é que todas as atividades estão estruturadas em dois eixos básicos: promover a eqüidade social e promover o equilíbrio ecológico. Outro diferencial é que vamos abordar o papel social das empresas. Nesse sentido, existem visões distintas. Uma visão é que esse papel é o de gerar lucro para os acionistas. Outra visão é que esse papel é mais amplo. Além de gerar lucro para os acionistas, as iniciativas da empresa também devem contribuir para o bem-estar da sociedade.

Para discutir o papel social da empresa, é importante que isso esteja dentro de um marco maior que inclua o papel do Estado e da sociedade civil, pois essas três esferas são complementares e precisam estar articuladas.

Um fator importante quanto à Conferência é que, cada vez mais, estamos trazendo visões de outros países para o debate. Para esta edição, está prevista a participação de pessoas da Inglaterra, Holanda, África do Sul, países da América do Norte e países da América Latina. São contatos bem diversos porque a responsabilidade social é um assunto mundial.

Também vamos trabalhar com duas oficinas. A primeira terá, como tema, a Gestão de Projetos para a Sustentabilidade, dando continuidade ao painel sobre a ISO 26000 de Responsabilidade Social. A segunda oficina esclarecerá as principais modificações da 3ª Geração do modelo de relatório de Sustentabilidade GRI.

RTS - Que temas serão abordados com destaque?
Itacarambi
- Vamos trabalhar com temas amplos e profundos. Por exemplo, o combate ao desmatamento amazônico e mudanças climáticas. São temas centrais e que já vêm sendo trabalhados pela sociedade brasileira. Nosso diferencial é levantar o seguinte questionamento: como as empresas com prática de responsabilidade social podem contribuir para a solução de problemas ambientais? Qual é o papel do empresariado? Trata-se de uma discussão bem diferente das reflexões que ocorrem em âmbito governamental. Vamos lidar com questões conflitantes, como os interesses do agrobusiness e o uso econômico da biodiversidade para a produção de fármacos e perfumes, por exemplo.

RTS - A temática Tecnologia Social está prevista nos debates?
Itacarambi
- Discutiremos a questão no Painel sobre Cooperação Intersetorial para o Desenvolvimento Local. Este painel apresentará como as empresas podem cooperar com outros atores para a promoção do desenvolvimento local. Discutirá ainda quais os mecanismos necessários para o fortalecimento desta cooperação com base nas experiências bem-sucedidas.

Pretendemos mostrar os resultados do Encontro Internacional do Nordeste do Brasil, realizado pelo GT Responsabilidade Social e Combate à Pobreza, em Recife, no mês de março. Esse grupo é formado pela Agência de Desenvolvimento Solidário da CUT, Fundação Avina, Fundação Banco do Brasil, ICCO, Instituto Ethos e Unitrabalho.

As Tecnologias Sociais serão tratadas no âmbito do fortalecimento de cadeias produtivas que geram trabalho e renda, tais como o mel, a mandioca e os resíduos sólidos.

RTS - No Brasil, as empresas estão se tornando, de fato, socialmente responsáveis?
Itacarambi
- O movimento é crescente. Há vários indicadores que mostram isso. O assunto está presente em qualquer encontro de executivos e na mídia, inclusive em pautas de economia. Também tivemos um grande aumento no número de associados do Instituto Ethos. Hoje, são 1200 inscritos.

RTS - Nesse cenário, quais são os principais desafios?
Itacarambi
- É preciso que a responsabilidade social deixe de ser um assunto ligado apenas à direção das empresas e passe a ser de fato incorporado à visão e prática dos funcionários e no sistema gerencial das empresas, como prática de negócio. Outro desafio é internalizar a responsabilidade social nas cadeias produtivas das empresas, ou seja, se uma empresa muda seu comportamento e também influencia os clientes, muda-se um setor inteiro. O processo de compra e venda precisa incorporar critérios responsáveis.

SERVIÇO
A Conferência Internacional 2006 - Empresas e Responsabilidade Social é uma realização do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, com coordenação operacional do UniEthos - Educação para a Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com o Instituto Akatu Pelo Consumo Consciente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Para outras informações, acesse: www.ethos.org.br.

Por Michelle Lopes - Assessora de Comunicação da RTS

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Agenda RTS

 
A próxima reunião do Comitê Coordenador da RTS será realizada dia 16 de maio, no Rio de Janeiro/RJ. O principal objetivo é fazer um balanço dos investimentos já realizados para viabilizar o funcionamento e fortalecimento da Rede, além de iniciar o planejamento para o próximo biênio - 2007/2008.

Em seguida, dias 17 e 18 de maio, ocorrerá o Seminário sobre Acompanhamento e Avaliação da RTS. Após um ano de existência, um dos grandes desafios da Rede é ter uma ampla visão sobre os resultados de suas ações de difusão e reaplicação, bem como as necessidades de mudança. O Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, membro do Comitê Coordenador da RTS, construirá um sistema, em parceria com outras instituições integrantes da Rede, que atenda a essa demanda.

O objetivo do Seminário é que, antes dos trabalhos práticos, ocorra uma intensa discussão sobre a metodologia a ser adotada e caminhos a serem percorridos. Participarão do encontro integrantes da Secretaria Executiva da RTS, do Comitê Coordenador da Rede, do Grupo de Trabalho "Acompanhamento e Avaliação", além de professores que fazem parte da Comissão de Avaliação do Forproex, vindos de Universidades do Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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Calendário

Oficina Regional da RTS - Semi-Árido
Realização: Rede de Tecnologia Social
Data: 11 e 12 de maio de 2006
Local: Recife/PE
Telefone: (61) 3340-1367
E.mail: secex@rts.org.br
Outras informações: www.rts.org.br
II - ENA - Encontro Nacional de Agroecologia
Realização: Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)
Data: 2 a 6 de junho de 2006
Local: Recife/PE
Telefone: (21) 2253-8317
E.mail: secretaria.ana@agroecologia.org.br
Outras informações: saiph.cnptia.embrapa.br/ana
IV Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado
 
Realização: GIFE
Data: 24 a 27 de maio de 2006
Local: Curitiba/PR
Telefone: (11) 3849-2022, ramal 24
E.mail: congresso2006@gife.org.br
Outras informações: www.gife-cav2006.org.br

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Link recomendado

Castanha dos Quilombos - Construindo um empreendimento sustentável
www.quilombo.org.br

Em Oriximiná, no Estado do Pará, os quilombolas ocupam vastos territórios de floresta tropical onde se encontram inúmeros castanhais nativos. Na década de 1990, os quilombolas decidiram transformar a tradicional coleta de castanha-do-Pará em uma atividade econômica mais organizada e lucrativa. Essa iniciativa é conhecida como Projeto Manejo dos Territórios Quilombolas.

 
O projeto é uma iniciativa da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO) e da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) que, recentemente, aderiu à RTS.

Já organizados para a exploração comunitária da castanha, agora os quilombolas buscam dar mais um passo: o estabelecimento de parcerias comerciais com empresas norteadas pelos princípios da responsabilidade socioambiental.

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NOTÍCIAS DA REDE é o informativo eletrônico da Rede de Tecnologia Social (RTS) que reúne, organiza, articula e integra um conjunto de instituições, com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação em escala de tecnologias sociais.

Este produto está previsto no Projeto Sistema de Informação e Comunicação para a Rede de Tecnologia Social (SIC/RTS), desenvolvido pela Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (ABIPTI) com recursos da Secretaria de C&T; para Inclusão Social, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Para entrar em contato ou assinar este informativo, envie nome completo, e-mail e nome da instituição a qual pertence para o e-mail: noticiasdarede@rts.org.br.

Caso queira deixar de recebê-lo, basta responder este mail, com o título CANCELAR.

Outras informações:
Secretaria Executiva da RTS
Telefone: (61) 3340-1367

Expediente
Rede de Tecnologia Social (RTS)

Secretária Executiva: Larissa Barros
Analista Técnica: Geralda Alves Pereira
Jornalista Responsável pela RTS: Michelle Lopes - RP 4825-DF
Assistente Administrativo: Francisco de Assis Vieira


Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (ABIPTI)

Gerente da Unidade de Informação e Gestão Tecnológica: Alceu Castello Branco
Jornalista Responsável pela ABIPTI: Waleska Barbosa - DRT. 5193/00-PB
Projeto Gráfico: Mário Fiorese
Analista de Sistemas: Maria Izabel do Prado Motta


Comitê Coordenador da RTS

· Caixa Econômica Federal (Caixa)
· Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
· Fundação Banco do Brasil (FBB)
· Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT)
· Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
· Petrobras
· Sebrae
· Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)
· Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong)
· Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras
· Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
· Instituto Ethos
· Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República