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Investindo para um novo desenvolvimentoAs instituições mantenedoras da RTS já investiram, desde a fundação da Rede, mais de R$ 220 milhões em TSs geradoras de trabalho e renda em áreas como agroecologia, reciclagem, bioenergia e captação de água de chuva. Confira aqui depoimentos dos/as representantes do Comitê Coordenador da RTS sobre a importância destes recursos para a construção de uma nova alternativa de desenvolvimento para o Brasil.
Nesta edição especial, o Notícias da Rede traz depoimentos de representantes de todas as instituições do CC/RTS sobre a importância da articulação em rede para a mobilização destes investimentos. Entre as atribuições do Comitê Coordenador estão aprovar o orçamento necessário para a viabilização da estrutura e custeio da RTS, elaborar o Plano de Ação Anual, coordenar as atividades da Secretaria Executiva e articular para que as propostas da RTS sejam contempladas no planejamento e orçamento das diversas instâncias governamentais e de seus parceiros. Depoimentos Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) Felipe Pinheiro, membro da coordenação executiva da ASA pelo estado do Ceará “A RTS é uma iniciativa muito interessante porque articula parceiros diversos do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil para fortalecer as Tecnologias Sociais. Nesses três anos e meio que a RTS existe, já foram investidos e articulados em torno de R$ 224 milhões. O próprio P1+2 [Programa Uma Terra e Duas Águas], que é uma iniciativa da ASA, contou com o apoio da RTS na sua primeira fase, que foi o projeto demonstrativo. E foi em função dessa articulação que o P1+2 chegou ao que é hoje. Além do P1+2, há um conjunto de outras iniciativas que estão sendo apoiadas pela RTS no Semi-Árido. As Tecnologias Sociais por si só não resolvem os problemas do Semi-Árido. Mas, certamente, podem contribuir para o desenvolvimento da região, principalmente porque o conceito de Tecnologia Social envolve um processo de organização e mobilização das comunidades. Ou seja, não é só uma obra, nem algo físico apenas”. Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) Aldalice Otterloo, diretora da Abong “A totalidade de recursos mobilizada pela RTS, num montante acima de R$ 200 milhões, é um indicador claro do compromisso ético-político das organizações participantes do seu Comitê Coordenador, a partir das experiências acumuladas por elas na área da Tecnologia Social, o que vem se consolidando e se ampliando como uma alternativa viável para um desenvolvimento sustentável, com garantia de direitos e com o estímulo a uma nova cultura política de participação das comunidades envolvidas, nos diferentes projetos aprovados e em execução, possibilitando na sua difusão dar visibilidade a tecnologias que vem sendo construídas por diferentes grupos e processos e na reaplicação, o resgate da dignidade das pessoas e sua autonomia pela geração de trabalho e renda. A RTS precisa cada vez mais consolidar essa proposta e se ampliar para um número maior de comunidades, pois os procedimentos metodológicos que integram o processo de reaplicação de TSs tem todos os requisitos para se transformar numa política pública emancipadora”. Caixa Econômica Federal Roberto Barros Barreto, superintendente nacional de Programas Sociais da Caixa Econômica Federal “A Caixa participa da Rede de Tecnologia Social (RTS) e tem apoiado empreendimentos solidários mediante a aplicação de tecnologias nos programas sociais financiados e operados pela instituição, incentivando sua utilização nas ações de integração de políticas públicas. Os investimentos em Tecnologia Social realizados pela Caixa alcançaram vários grupos, dentre os quais a população indígena da etnia Kayapó, moradores das aldeias Pukanu, Kubenkokre, Baú e Piaraçu. Os equipamentos fornecidos pela Caixa às comunidades indígenas foram produzidos pela Fundação Mussambê, que também participa da RTS, destinam-se ao aprimoramento das técnicas de extração de óleo vegetal de castanha do Pará. A área, situada no sudoeste do Pará, é a maior área de floresta tropical certificada para manejo em todo o mundo e os índios conquistaram o selo FSC (Forest Stewardship Council), concedido pela entidade Imaflora e a certificação orgânica do Instituto Biodinâmico (IBD) para sua produção de óleo de castanha. As técnicas tradicionais anteriormente utilizadas pela comunidade requeriam esforços incompatíveis com a produção em escala comercial e a solução proposta pela Tecnologia Social resguarda os aspectos de sustentabilidade socioeconômica e ambiental, diversidade cultural e saber local, além de fácil aplicabilidade. Estima-se que as comunidades beneficiadas têm capacidade de produzir cerca de dez toneladas de óleo bruto por ano. Essa iniciativa busca assegurar um modelo de geração de renda para as comunidades, valorizando a permanência dos grupos nas aldeias e propiciando a transmissão de conhecimento tradicional para as futuras gerações. Outras ações destinadas à difusão de Tecnologias Sociais estão em curso, com o propósito de reconhecê-las e reaplicá-las, como estratégia de estimular as práticas bem-sucedidas para o desenvolvimento humano à disposição dos atores sociais”. Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (Forproex) Ney Cristina, pró-reitora de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA) e presidenta do Forproex “O Forproex compreende a importância dos trabalhos da RTS por vários motivos. Primeiramente, os projetos que já estão sendo desenvolvidos e apoiados guardam uma relevância social inquestionável no impacto positivo na melhoria da qualidade de vida de cidadãos e cidadãs desse país. Em segundo lugar, os projetos desenvolvidos em rede potencializam suas ações, criam uma racionalidade e regularidade na execução financeira dos mesmos, aproximam e articulam objetivos e provocam resultados de maior envergadura, raio de ação e quantidade de sujeitos atendidos. Em terceiro lugar, as comunidades atendidas criam referências entre si, partilham procedimentos e resultados e passam a encarar o órgão financiador como um parceiro efetivo que, juntamente com outros, estarão sempre atuando para o sucesso da TS. A RTS tem cumprido seu papel nesse sentido, provocando todas as entidades que dela fazem parte a pensar em objetivos comuns, aproximações metodológicas entre as TSs, fazendo com que todos os setores envolvidos sintam-se parte do projeto e lutem coletivamente pelo seu sucesso e expansão. É uma rede de energia positiva, da qual as Universidades Públicas Brasileiras jamais poderiam ficar ausentes. Esse é o compromisso social que nos une a RTS: colocar a ciência e a tecnologia a serviço das populações empobrecidas desse país e fazer na academia uma ciência socialmente interessada”. Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) Marco Augusto Salles Telles, superintendente da Área de Tecnologia para o Desenvolvimento Social da Finep "A RTS teve um papel fundamental, desde sua criação em 2005, para a relevância que o tema Tecnologias Sociais assumiu desde então. Seu trabalho de difusão do tema e conceitos, articulação de atores e recursos, diálogo com as instituições governamentais e parlamentares, contribuiu sobremaneira para a validação das Tecnologias Sociais enquanto soluções tecnológicas efetivas. Em função deste trabalho foi possível alavancar recursos da ordem de R$ 220 milhões para investimentos, o que de outra maneira não seria possível. Assim, tivemos, neste período, o desenvolvimento e reaplicação de Tecnologias Sociais em escala considerável, fazendo-as chegar ao povo mais carente deste país." Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) Jorge Streit, diretor executivo da Fundação Banco do Brasil “Para a Fundação Banco do Brasil, que acreditou, apoiou e é uma das instituições mantenedoras da Rede de Tecnologia Social (RTS), é um momento especial reconhecer que, três anos após lançada, a RTS conseguiu sistematizar balanço tão favorável em relação aos investimentos realizados na reaplicação de Tecnologias Sociais. Inserida nas principais instâncias de discussão sobre o tema, tanto no Brasil quanto fora dele, fomentando discussões e aglutinando mais de 640 instituições em torno do trabalho em rede, a RTS mostra estar articulada para o importante trabalho de transformar a realidade social. A Fundação Banco do Brasil, que tem a geração de trabalho e renda e a educação como seus pilares de atuação, orgulha-se por ter a RTS como grande parceira na reaplicação de Tecnologias Sociais. Os resultados estão refletidos na apropriação, pelas comunidades, destas técnicas, conhecimentos, produtos e processos, e também em processos de autonomia, empoderamento e protagonismo, necessários para que o Brasil se torne um país mais justo e igualitário.” Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) Alberto Catanhede (Beto), representante do Grupo de Trabalho Amazônico “Estes investimentos mostram que é possível se articular para financiar outro tipo de desenvolvimento. O Selo de Certificação Socioparticipativa é um bom exemplo de como a RTS tem trabalhado para encontrar soluções em conjunto. Proposto pelo GTA dentro da Rede, o projeto vai atestar a origem ambientalmente sustentável, socialmente justa e culturalmente relevante de produtos resultantes da produção familiar agroextrativista na Amazônia Legal. Se não avançarmos na valorização destas práticas econômicas que sabem conviver com a floresta, não haverá saída sustentável para a Amazônia. A RTS já descobriu isso e tem trabalhado nessa direção.” Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Paulo Itacarambi, diretor do Instituto Ethos "Os investimentos de mais de 220 milhões de reais na reaplicação de Tecnologias Sociais específicas em escala, nos últimos três anos, articulados e definidos na Rede de Tecnologia Social demonstram o grande potencial mobilizador que um trabalho realizado em rede pode alcançar, com benefícios amplos para a sociedade. Significa êxito. E é fundamental que signifique também forte estímulo para se ampliarem as parcerias com o setor privado, oferecendo às empresas a possibilidade de se engajarem em projetos concretos para o desenvolvimento local sustentável, bem como espaços de aprendizado mútuo e consequente fortalecimento das relações sociais de forma geral." Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) Joe Valle, secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do MCT: “Disponibilizamos o recurso público para transformar realidades e a conexão entre os mantenedores da Rede e as Tecnologias Sociais já está ocorrendo para isso. Estamos avançando. Boa parte das unidades do Sistema Pais, das barraginhas e das fossas ecológicas, por exemplo, está acontecendo agora no campo graças a essas articulações que fizemos dentro da Rede. Estamos falando de tecnologias que valorizam o conhecimento de quem vive na base da sociedade e não desta tecnologia das grandes máquinas adequada à grande indústria. Estas tecnologias, simples e baratas, estão disponíveis e é por meio delas que chegaremos à competitividade econômica com inclusão social.” Ministério da Integração Nacional (MI) Márcia Damo, secretária de Programas Regionais do Ministério da Integração Nacional "A Rede de Tecnologia Social (RTS), da qual participamos basicamente por meio do apoio à disseminação da tecnologia do Pais, em parceria com o Sebrae e Fundação Banco do Brasil, tem um papel importante na direção da integração entre vários agentes do desenvolvimento, sejam as três esferas de Governo, o setor privado ou as representações da sociedade civil organizada, o que está em sintonia com os pressupostos da Política Nacional de Desenvolvimento Regional, concebida e institucionalizada pelo MI, que depende dessa integração e articulação para a viabilização das oportunidades, por meio de uma cada vez maior racionalização e organização das ações, evitando a superposição e o desperdício dos sempre escassos recursos disponíveis”. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) Marcus Vinicius Villarim, secretário de Articulação Institucional e Parcerias do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) "Acho que agora a Rede de Tecnologia Social começa a engrenar para valer, pois está saindo da fase das articulações e busca de conhecimento para a da reaplicação, contribuindo para a multiplicação de experiências frutíferas, por todo o país, em prol do desenvolvimento social". Petrobras Luis Fernando Nery, gerente de Responsabilidade Social da Petrobras “A RTS, de certa forma, é uma micro-reprodução do que se espera que aconteça no mundo: instituições de perfis diferentes que se reúnem com o objetivo de gerar escala e alcançar resultados maiores do que, individualmente, cada um poderia alcançar na busca da inclusão social. Assim, o processo de discussão, planejamento e execução da RTS tem sido bastante rico em aprendizado para todas as instituições. Os objetivos maiores vêm sendo alcançados, mas com uma dificuldade no tempo muito grande. Isso gerou por parte de algumas instituições, no começo, certa inquietação. Eu diria que essa dificuldade é a grande riqueza da RTS, porque é a confirmação do fato de que a Rede tem trabalhado na construção coletiva, que é a mais difícil de organizar o trabalho, mas, ao mesmo tempo, é aquela que garante sucesso a longo prazo. A mobilização de instituições em torno da RTS, a criação de políticas públicas com base em Tecnologias Sociais e os benefícios sociais alcançados estão aí para comprovar”. Sebrae Luiz Carlos Barboza, diretor técnico do Sebrae “O Sebrae participa da RTS desde o seu nascimento, integrando seu Comitê Coordenador na condição de instituição mantenedora. Desde 2005, o Sebrae investiu mais de 22 milhões de reais na difusão e reaplicação de Tecnologias Sociais, somente no âmbito da RTS. São merecedoras de destaque iniciativas como a capacitação de Agentes de Desenvolvimento Rural – ADRs, as Mini-Fábricas de Beneficiamento de Castanha-de-caju e as unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – Pais. A RTS nos ajudou a consolidar parcerias com a Fundação Banco do Brasil, com a Petrobras, com a Codevasf, com o Ministério da Integração Nacional e o Ministério do Desenvolvimento Social, dentre outros. A RTS também nos ajudou a incluir o tema das Tecnologias Sociais nas ações do Sebrae. Realizamos, recentemente, um Edital de Apoio a Projetos de Difusão de Tecnologias Sociais, que contou com 307 participantes entre organizações não-governamentais – ONGs e instituições de ciência e tecnologia – ICTs, dos quais 140 foram selecionados e receberão um aporte de recursos do Sebrae superior a 9 milhões de reais. A RTS vem cumprindo seu papel e o Sebrae se sente orgulhoso de participar deste empreendimento de sucesso”. Rede Cerrado Mônica Nogueira, diretora-presidente da ONG A Casa Verde e Representante da Rede Cerrado no CC/RTS “A Rede Cerrado tem, entre seus principais objetivos, alcançar um pouco mais de projeção para o bioma Cerrado, freqüentemente esquecido no âmbito da política ambiental. De um modo geral, a sociedade brasileira pensa no Cerrado como um bioma pobre, em vias de extinção, sem que haja uma reflexão profunda sobre a diversidade biológica e cultural que ele abriga. Nisso a RTS é um espaço estratégico, tanto para estabelecer novas alianças nesta direção, como pela possibilidade de avançar o conceito de Tecnologia Social no bioma.”
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