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Notícias do Fórum 11º Fórum da Rede de Tecnologia Social
A mesa de abertura foi composta por Aldalice Otterloo (Abong), Leonardo Hamú (Ministério da Ciência e Tecnologia), Paulo Magalhães (Caixa Econômica Federal), Juarez de Paula (Sebrae), Rodrigo Fonseca (Finep), Ana Letícia (Instituto Ethos), Targino Araújo (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão), Marcus Villarim (Ministério do Desenvolvimento Social), Leide Aquino (Grupo de Trabalho Amazônico-GTA), Maria Bethânia (Articulação no Semi-Árido Brasileiro) e Rosenberg Evangelista (Petrobras). A realização do 1o Fórum Nacional da RTS representa uma vitória da sociedade civil organizada brasileira e de seus parceiros. "Nós, do governo federal, vivemos desafios constantes. O Ministério do Desenvolvimento Social tem tarefas muito grandes para enfrentar, problemas acumulados durante anos e anos", disse Marcos Vilarim, representante do MDS no evento. "O desafio maior é a geração de renda por meio do trabalho, e a RTS é um vetor muito importante nesta caminhada", acrescentou. Targino Araújo, do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão, falou da necessidade de se levar a discussão e a produção de conhecimento sobre inclusão social para o meio acadêmico. "As universidades têm de se envolver com os problemas da nossa sociedade". A representante da ASA apresentou seu programa em parceria com o Governo e o setor privado para a construção de 1 milhão de cisternas. Segundo Maria Bethânia, "160 mil cisternas já foram construídas e 160 mil famílias do semi-árido agora têm água na sua porta". Desenvolvimento não precisa rimar apenas com crescimento econômico
O gerente do Sebrae sustenta que não é preciso somente riqueza para se construir um país que coloque as pessoas no centro das prioridades. "Temos de pensar um modelo de desenvolvimento que não esgote os recursos naturais. É preciso lembrar das gerações futuras", salientou. Para Juarez, desenvolvimento está associado à auto-estima. Auto-estima O relato do agricultor familiar Manoel Severino dos Santos, conhecido como Manoel Gavião em Picuí (PB), mobilizou o público de aproximadamente 300 pessoas que participou ontem do primeiro dia de debate do Fórum. "É uma terra muito feia, mas de tudo tem e pode ser muito bonita também", comentou o homem que está transformando o Sítio Tanquinho, de 72 hectares, num oásis em plena caatinga. Orgulhoso, mostrou como está aprendendo novos manejos e resgatando antigas práticas para avançar na convivência com o Semi-Árido. "Posso dizer que minha vida melhorou mais de 100%", resume. Para Marilene Nascimento Melo, assessora técnica da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), Manoel Gavião e outras 800 famílias da região do Seridó paraibano estão negando a idéia de que o desenvolvimento do Semi-Árido acontece por meio de políticas públicas de combate à seca. Ela confirma o que pode ser visto na prática: as famílias vão à luta, buscam alternativas dentro da própria comunidade. Nos 70 hectares do Sítio Tanquinho, por exemplo, o agricultor planta milho e feijão de corda; tem uma pastagem que alimenta 20 cabeças de gado; protege 15 hectares; recupera uma área degradada pelo plantio de algodão; cria peixe no açude, onde às margens sua mulher e filhas cuidam de hortaliças e árvores frutíferas e ainda tem galinha, patos e porcos no quintal. Resistência Professora da Universidade de São Paulo (USP), Sônia Kruppa, que ajudou a articular a Secretaria Nacional de Economia Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), se emocionou com o relato do agricultor paraibano. "É fantástico o que se pode fazer com o conhecimento compartilhado". A experiência do Sítio Tanquinho, que segundo Marilene Melo está mobilizando 3 mil famílias do Semi-Árido, garante melhoria na renda e segurança alimentar para pessoas e animais. "Esse também é um conhecimento de resistência", reconheceu Sônia. Avaliando os quase três anos de construção da RTS, a professora da USP diz que a Rede precisa ir além da inclusão social e buscar também a emancipação das pessoas. Sônia Kruppa defendeu que o Fórum produza um documento a ser encaminhado ao presidente Luís Inácio Lula da Silva e a todos os ministérios do governo. Diretora-geral do Instituto Universidade Popular (Unipop) e diretora da Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (Abong) na região amazônica, Aldalice Otterloo concordou com Sônia, afirmando que as tecnologias sociais são uma alternativa ao modelo atual, que, na sua opinião, produz desemprego e violência. Falta enfoque tecnológico às políticas públicas
O governo brasileiro destina 90% dos recursos da área de Ciência e Tecnologia às chamadas tecnologias convencionais, que poupam trabalho humano mais do que seria conveniente, em nome do lucro. No entanto, nada menos que 50% da população ativa do País está inserida na economia informal. Para o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Renato Dagnino, já passa da hora das políticas públicas assumirem as tecnologias sociais como a saída viável para garantir emprego e renda à população excluída, numa perspectiva de crescimento sustentável.
Dagnino, que pertence ao Grupo de Análise Política de Inovação (Gapi) da Unicamp, participou ontem do 1º Fórum Nacional da Rede de Tecnologia Social (RTS). Na palestra "Conceito de Tecnologia Social e Histórico da RTS", ele salientou que as pessoas que querem uma sociedade melhor já perceberam que isto não poderá ocorrer sem políticas de inclusão social. “O desafio é torná-las viáveis”, disse. Para especialistas como Dagnino e Juarez de Paula, gerente da Unidade de Agronegócio do Sebrae, a cadeia produtiva tradicional (renda que gera consumo, que aumenta a produção, que leva a mais empregos, que estimula o consumo e assim por diante) não funciona. “Vivemos a fase do capitalismo em que o crescimento não aumenta os postos de trabalho”, observaram. Tecnologia Social Por tecnologia social compreendem-se os produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representam efetivas soluções de transformação social. Essa é a saída que cada vez mais instituições – governo, iniciativa privada, terceiro setor e universidades – estão apostando para aliar garantia de trabalho e renda e desenvolvimento sustentável. “As políticas de inclusão devem ser inseridas nas políticas de Ciência e Tecnologia, defende o pesquisador da Unicamp. Renato Dagnino também apontou os encaminhamentos que, a seu ver, devem nortear as ações da RTS, que hoje é composta por aproximadamente 400 instituições: introduzir novos valores e interesses no ambiente em que se produz C&T; promover a participação de diferentes atores sociais na construção e não apenas na utilização do conhecimento científico-tecnológico; e colocar as tecnologias sociais na agenda das políticas públicas. “Cada cidadão deve ser um produtor de conhecimento e não apenas usuário”, sintetizou. Expo Brasil
Encontro internacional reúne iniciativas de desenvolvimento local do Brasil e do exterior
Começou nesta quarta-feira (06/08), no Centro de Convenções de Salvador (BA), a V Expo Brasil Desenvolvimento Local. No encontro, que reúne agentes locais de várias partes do país e especialistas de oito países, serão debatidos os avanços, retrocessos e novos desafios na área no Brasil e no exterior. Além de palestras, painéis temáticos, oficinas e uma ampla feira de projetos, produtos e serviços associados ao desenvolvimento local, ao menos 40 iniciativas do Brasil e do exterior serão apresentadas até esta sexta-feira (08/12). "Só é possível o desenvolvimento a partir de experiências locais, não a partir do dirigismo do Estado e do mercado", afirmou durante a cerimônia de abertura o coordenador da Expo, o sociólogo Caio Silveira. "É preciso mudar o conceito de pobreza. As pessoas não podem ser chamadas de pobres, mas sim de pequenos, e quando os pequenos se unem são muito grandes", reforçou o secretário de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais da Bahia, Padre Clodovéo Piazza. Para Caio Silveira, a Expo é a oportunidade de interligar em rede as diversas iniciativas de desenvolvimento local empreendidas nas diversas partes do Brasil e do mundo. "A articulação deve ser realizada na base da sociedade, por meio da qual será definido para onde a sociedade quer ir. Este é um momento plural", lembrou o coordenador. A mudança de postura em relação ao patrocínio e financiamento de iniciativas sustentáveis foi destacada pelo representante da Petrobrás, Rosembergue Pinto, e do Banco do Nordeste, José Sidrão de Alencar. Rosembergue lembrou que, desde 2003, a política de patrocínio da empresa foi focada em projetos que tivessem em seu bojo a inclusão social. José Sidrão afirmou que o BNB tem dado prioridade a projetos de desenvolvimento local, como a agricultura familiar. "Nós vimos para a Expo para conhecer novas experiências e aprimorar a ação do Banco", disse. Entre os objetivos da Expo estão estimular novas articulações e parcerias para o desenvolvimento local sustentável no país e contribuir para a cooperação internacional relacionada ao assunto, com foco em países de língua portuguesa. Os debates desta edição estão estruturados em torno de dois eixos estratégicos. Além do desafio da consolidação de novas institucionalidades para o desenvolvimento local, também será debatida a articulação produtiva com bases territoriais, incluindo como enfoques: territórios produtivos, economia solidária, arranjos produtivos locais e comércio justo e solidário. As iniciativas locais serão apresentadas por gestores de projetos e lideranças locais, abrangendo diferentes referências quanto ao desenvolvimento local em pequenos e médios municípios; em mesorregiões; em grandes cidades e regiões metropolitanas, em consórcios intermunicipais; em agências de desenvolvimento; em arranjos produtivos locais e na gestão integrada de bacias hidrográficas, entre outros. Além do acréscimo no número de entidades envolvidas, um diferencial desta quinta edição será a ênfase em comunicação, com a realização de oficinas, e o foco na cultura como fator central para o desenvolvimento local, com destaque para a participação de Pontos de Cultura da Bahia e de outros estados. As quatro primeiras edições da Expo Brasil Desenvolvimento Local, realizadas em 2002 (Brasília/DF), 2003 (Belo Horizonte/MG), 2004 (Olinda/PE) e 2005 (Fortaleza/CE), reuniram 280 diferentes instituições e redes envolvidas com o tema desenvolvimento local e mais de duas mil pessoas em cada edição. O evento, coordenado pela Rits, conta com o apoio do Sebrae, Governo Federal, ONGs, prefeituras, Governo da Bahia, além de organismos internacionais, entidades da sociedade civil, fundações, universidades e redes e fóruns de todo o país. Mais informações no site http://expo.rededlis.org.br.
A Expo Brasil Desenvolvimento Local incorpora também diversos encontros e fóruns no âmbito do evento. Entre eles destaque para o primeiro Fórum Nacional da Rede de Tecnologia Social (RTS), o primeiro Encontro Nacional de Fóruns de Mesorregiões (organizado pelo Ministério da Integração Nacional) e o Fórum de Países de Língua Portuguesa sobre Desenvolvimento Local.O Fórum da RTS, que reúne mais de 300 integrantes da Rede, debaterá formas de promover o desenvolvimento sustentável mediante a difusão de tecnologias sociais e sua reaplicação em escala. As tecnologias sociais compreendem produtos, técnicas ou metodologias, reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que devem representar efetivas soluções de transformação social. Boletim produzido por: Patchamama Comunicação |
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