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Paulo Secches, consultor
1º Natura 2º Vale 3º Apple 4º Petrobras 5º Nestlé 6º Banco Itaú 7º Google 8º AmBev 9º Gerdau 10º Embraer O estudo contou com a participação de Paulo Secches, consultor contratado pela revista para aperfeiçoar a metodologia do projeto “As Mais Admiradas”. Segundo o Paulo, inovação tem aparecido como um elemento de diferenciação no mercado. A maior presença de empresas estrangeiras – quatro neste ano, contra duas no anterior – é justificada pelo melhor aproveitamento dessa característica. “Inovação não é um traço forte nas empresas brasileiras, que ainda estão no estágio de construir porte e solidez financeira para ganhar competitividade no cenário internacional.” Confira abaixo a análise de Paulo Secches sobre a pesquisa: Nós da Comunicação – Vocês tiveram alguma surpresa nos resultados obtidos? Paulo Secches – O que se caracteriza cada vez mais como uma surpresa é a ascensão da Apple na pesquisa. Hoje, a empresa ocupa a terceira posição no ranking, apesar de uma presença tímida no mercado brasileiro. Mas isto não a impede de ser a terceira Mais Admirada. O que esta por trás disso? Inovação, que ganha importância e é determinante para a admiração. E a Apple é um sinônimo de inovação. Não existem empresas brasileiras com este traço (inovadoras), por isso a Apple pode ser a empresa que irá ameaçar a liderança da Natura na pesquisa. Nós da Comunicação – Quais as novidades da pesquisa deste ano? Esse valor ao conceito de inovação sempre existiu? Paulo Secches – Desde que este projeto começou, há 13 anos, inovação tem aparecido como um fator de diferenciação. No entanto ele nunca teve muito peso, pois não existiam empresas fortemente associadas a este driver. Esse quadro começou a mudar em 2007, quando, pela primeira vez, a Apple apareceu na nona colocação. Naquele momento, nem um escritório de representação a empresa tinha no Brasil. Mas em 2008, não só a Apple se tornou a oitava mais admirada, como o Google apareceu na sexta colocação. Em 2009, a Apple chegou à quinta posição e, neste ano, já aparece em terceiro. O que a Apple tem que as outras não? Inovação. Este traço não é um forte nas empresas brasileiras, que ainda estão no estágio de construir porte e solidez financeira para ganhar competitividade no cenário internacional. Ainda não são inovadoras. Quem agregar este traço ganha o jogo ou o páreo. Mas inovação não se constrói com imagem, apenas com fatos. E imagem é decorrência do fato. Não é uma questão de comunicação, mas de diferenciação real em produtos ou serviços. Nós da Comunicação – Em sua opinião, quais os efeitos do prêmio na imagem da empresa? Paulo Secches – As empresas já sabem que precisam mais do que vender e atingir as metas do ano. Precisam construir perenidade para os seus negócios. Perenidade, além de processos de gestão, é fortemente dependente da respeitabilidade, da admiração da empresa no mercado. O prêmio reforça a imagem das que constroem essa respeitabilidade no mercado. Nós da Comunicação – Quatro das dez empresas mais admiradas são internacionais. Um aumento dessa fatia no futuro pode ser considerado uma tendência? Paulo Secches – Nos últimos anos tínhamos, entre as dez mais admiradas, oito empresas de capital nacional e duas de capital internacional. Assim estava sendo de forma constante. E as empresas nacionais que faziam parte da lista eram justamente aquelas que haviam iniciado uma trajetória de globalização dos seus negócios. O que mudou? Entraram Google e Apple, empresas com imagem de inovadoras. Inovação ganha importância como fator-chave da admiração, e isso está crescendo. O que significa que empresas com imagem de inovadoras tendem a ganhar espaço nos próximos anos. Nós da Comunicação – A que você credita o sucesso da Natura, que, novamente pelo quinto ano, ficou em primeiro lugar? Paulo Secches – A Natura tem sido, por excelência, uma empresa humana. De forma avassaladora, é percebida pelos executivos entrevistados como a empresa mais ética, mais comprometida com seus setores de recursos humanos, mais responsável socialmente e mais comprometida com o desenvolvimento sustentável. E praticamente divide com a Nestlé a posição da empresa que mais respeita o consumidor. O curioso neste projeto é que ele não é realizado com públicos de baixa renda, pessoas carentes ou idosas. Ele é realizado junto aos principais executivos das grandes empresas da economia brasileira. Isso mostra que esses executivos valorizam a humanidade nas organizações. Nós da Comunicação – E o que dá sustentação a algumas outras das Empresas Mais Admiradas? Paulo Secches – A Vale se sustenta pela sua capacidade de competir globalmente, pelo seu compromisso com o país e pela sua solidez financeira. A Petrobras tem como principal fator de sustentação de sua admiração o compromisso com o país, embora partilhe dos mesmos traços da Vale, mas com intensidades distintas.
Fonte: www.nosdacomunicacao.com |
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