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Paul Simpson, chefe do secretariado do Carbon Disclosure Project (CDP) em Londres

 
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Em entrevista para o Mercado Ético, Paul Simpson, chefe do secretariado do Carbon Disclosure Project (CDP) em Londres, falou sobre a relação entre a crise financeira e o mercado de carbono, além das expectativas trazidas pela eleição de Obama, nos Estados Unidos. O Carbon Disclosure Project é a principal iniciativa internacional do setor financeiro, na interface entre os temas das mudanças climáticas e sustentabilidade empresarial. Em 2008, participam mais de 385 investidores globais, administrando US$ 57 trilhões (incluindo 41 brasileiros) e mais de 3.000 empresas de capital aberto (incluindo as 75 maiores brasileiras).

Mercado Ético - Como a crise financeira está afetando o CDP Project? Ou, como a crise financeira afetará o andamento da iniciativa?

Simpson - No momento, a crise financeira não está afetando os planos do CDP. Muitas pessoas podem achar que as empresas estão agora tomando menos medidas contra o aquecimento global, ou estão investindo menos em tecnologias limpas. Claro que a crise afeta e afetará todos os investimentos, mas em relação específica com as mudanças climáticas os aprendizados sobre os erros cometidos no setor financeiro devem ser mensurados e aplicados a favor de medidas corretivas.

ME - E quais seriam os aprendizados em relação à crise financeira que podem ser usados na reflexão sobre a questão das mudanças climáticas?

Simpson - A crise financeira foi causada basicamente por empréstimos de ativos que não podiam ser pagos, sem prestar atenção nesse risco. Se você considerar a questão das mudanças climáticas, verá que se trata da mesma equação, ou seja, basicamente, nós estamos superfaturando os ativos do Planeta Terra, para termos mais agora, mas não estamos nos preocupando com os riscos futuros desses empréstimos. Então, o aprendizado da crise de créditos é clara, nós deveríamos ter nos antecipado à questão para evitar o risco. Alem disso, e não sou eu apenas que defendo essa postura, é mais barato agir agora que esperar pelo pior. O problema da nossa sociedade é que tendemos a ser imediatistas e pouco cautelosos com nossos ciclos financeiros, com a maneira como as empresas conduzem suas ações, os governos estipulam suas metas etc.

ME - Então estamos fazendo com as mudanças climáticas o mesmo que fizemos com nosso sistema financeiro, ou seja, adiando a ação.

Simpson - Basicamente, sim. Estamos adiando a tomada de medidas de um risco crescente. Esperamos que a crise financeira faça os governantes agirem de forma mais contundente com a regulamentação do sistema financeiro e com a questão das mudanças climáticas.

ME - O CDP considera encorajar os investidores a reportarem as perdas financeiras que estiveram ligadas com investimentos em tecnologia limpa?

Simpson - Por lei, as empresas têm que reportar suas perdas em seus relatórios anuais. Mas o que estamos fazendo é pedindo às companhias que fizeram investimentos relacionados às mudanças climáticas para reportarem o quanto eles investiram, e quanto tempo levará para eles pagarem os ativos. O que vemos é que as empresas estão investindo na redução de emissão de gases de efeito estufa e capitalizando seus ativos. Por exemplo, Britsh Petrone investiu na redução de 10%, equivalente a US$ 4 milhões, e economizou aproximadamente US$ 6 milhões sobre aquela meta de 10%.

ME - Estamos falando de empresas, sistemas financeiros etc, mas considerando que todo o sistema depende de pessoas e é feito delas, como o CDP trabalha com a questão da divulgação do projeto e a importância do conhecimento da questão climática nos organogramas das empresas participantes?

Simpson - De fato, você está certa quando considera pessoas. Infelizmente temos sistemas que não prestam atenção às pessoas. No CDP, nós perguntamos às empresas como elas estão comunicando seus empregados, colaboradores, fornecedores, consumidores sobre a questão das mudanças climáticas. As empresas têm grande influencia na divulgação de informações para o mundo, particularmente para seus empregados. Então, nós incentivamos esse diálogo e propomos uma visão de maior transparência entre a atividade da empresa e o impacto da mesma para o mundo.

ME - Falando em mundo, como a vitória de Obama é vista por vocês?

Simpson - Essa é uma ótima notícia. Obama tem uma política mais progressiva na questão das mudanças climáticas. Além disso, ele verbalmente disse que iria promover uma redução de 80% nas emissões de gases dos Estados Unidos até 2050. Isso liga as políticas da Comunidade Européia com a América, potencializando a questão pelo mundo todo. Estamos esperançosos com as boas novas, mas temos que esperar para comprovar o que de fato será feito.

Fonte: Mercado Ético / Envolverde

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