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Marco Telles, superintendente de Tecnologia para o Desenvolvimento Social da FINEP

Foto:João Luiz Ribeiro/FINEP
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22/07/2010 – Considerado o Oscar da inovação brasileira, o Prêmio FINEP de Inovação encerra suas inscrições no próximo dia 30 de julho. Uma novidade desta edição é que serão aceitas inscrições de Organizações Não Governamentais (ONGs) na categoria Tecnologia Social, que distribuirá um total de R$ 3 milhões em recursos não reembolsáveis para o aperfeiçoamento das TSs vencedoras. Em entrevista ao Portal da RTS, o superintendente de Tecnologia para o Desenvolvimento Social da FINEP, Marco Telles, explica o certame e destaca as peculiaridades das Tecnologias Sociais no quesito inovação.

Qual o objetivo do Prêmio FINEP?

O Prêmio FINEP de Inovação foi criado para reconhecer e divulgar esforços inovadores realizados por empresas, Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e inventores brasileiros, desenvolvidos no Brasil e já aplicados no País ou no exterior.

As empresas e instituições inovadoras são aquelas que desenvolvem soluções em forma de produtos, processos, metodologias e/ou serviços novos ou significativamente modificados, tendo lançado para o mercado ou para a sociedade ao menos uma dessas soluções nos últimos três anos.

Por que criar uma categoria dedicada às TSs?

Em 2003  foi criada uma nova Superintendência na FINEP, a Área de Tecnologias para o Desenvolvimento Social (ATDS), acompanhando assim a iniciativa do MCT que já havia criado uma nova Secretaria, a Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (SECIS). Desde então, o MCT e a FINEP passaram a atuar fortemente no apoio à ações inovadoras na área social. Logo depois, foi criada a RTS, o que deu mais impulso ao desenvolvimento e à implementação das chamadas Tecnologias Sociais. Face à dimensão que as Tecnologias Sociais ganharam desde então, por sugestão do presidente Lula, a FINEP resolveu incluir a categoria Tecnologias Sociais.

Como você diferencia a categoria TS das demais no que se refere à inovação?

Existem peculiaridades inerentes ao próprio conceito de TS, ou seja, Tecnologia Social compreende produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social. Neste sentido, existem critérios de avaliação que não são observados nas outras categorias, tais como: interação com a comunidade no processo de desenvolvimento da Tecnologia Social, apresentação de resultados e dos impactos econômicos, ambientais e sociais da reaplicação da tecnologia, reaplicabilidade e sustentabilidade da tecnologia.

Este ano, o certame voltou a aceitar inscrições de ONGs na categoria TS. É um reconhecimento de que a sociedade organizada também é produtora de inovação?

Sem dúvida. Aliás, é principalmente no campo da sociedade organizada que se dá o desenvolvimento e reaplicação da inovação social e as ONGs são os principais agentes deste movimento.

Que sugestão você daria para quem quer habilitar suas experiências de TS no Prêmio?

A principal sugestão é sua experiência com o conceito de TS e os critérios de avaliação constantes do regulamento descritos acima. Isto porque muitos dos projetos que se candidatam ao prêmio, apesar de serem até louváveis e importantes, não preenchem os critérios.

Qual é o resultado para quem vence um prêmio como esse?

Disponibilização de recursos financeiros não reembolsáveis para aperfeiçoamento da TS, ou desenvolvimento de novas experiências, mediante projeto a ser apresentado a FINEP. No caso do vencedor de etapa regional, o prêmio é de R$ 500 mil e da etapa nacional mais R$ 500 mil, perfazendo R$ 1 milhão. Além disto, os vencedores recebem um troféu e  selo alusivo à conquista.

Como você avalia a importância das Tecnologias Sociais para o desenvolvimento do país?

A TS tem um impacto positivo de inclusão social porque, tanto na concepção quanto na reaplicação, parte das condições presentes em um determinado contexto de exclusão ou vulnerabilidade social. Isto é, não procura adaptar as pessoas e o contexto a outras condições. Parte da potencialidade das pessoas e do local para gerar uma transformação. O principal agente neste sentido tem sido a Rede de Tecnologia Social. A Rede tem articulado instituições do governo, empresas estatais, ONGs e universidades para difundir e reaplicar Tecnologia Social em uma escala que, se não é do tamanho dos problemas, é suficiente para gerar um efeito demonstração da sua efetividade. Esta demonstração é o que tem feito com que diversas TSs tenham sido absorvidas como políticas públicas federais, estaduais ou municipais.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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