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Jonas Paulo Neres, diretor da área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf

Foto: Divulgação/Codevasf
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Jonas Paulo de Oliveira Neres

08/03/2008 - Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba fecha convênio para implantação de 300 novas unidades do PAIS. Nesta entrevista, o diretor de Revitalização das Bacias Hidrográficas, Jonas Paulo de Oliveira Neres, explica o que motivou o órgão a disseminar essa tecnologia social em sua região de atuação.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - O que levou a Codevasf a se engajar no esforço de disseminação do Projeto PAIS?

 

Jonas Paulo Neres - Nós já vínhamos realizando parceria envolvendo o PAIS na Bahia, na área do médio São Francisco. Temos um incentivo, um acompanhamento técnico, nos municípios de Carinhanha, Sebastião Laranjeiras e Bom Jesus da Lapa. Agora estamos procurando inserir essa tecnologia social no programa de Revitalização do Rio São Francisco, dando um corte mais específico, não apenas à atividade produtiva, mas também à atividade socioambiental. Isso envolve a produção de mudas, o trabalho com espécies nativas, culturas nativas dos biomas, principalmente do bioma caatinga, da área do semi-árido, e também dando ênfase ao aspecto do uso racional da água.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Como o PAIS se integra ao contexto da revitalização do Rio São Francisco?

 

Neres - Justamente a partir do momento em que ele ganha uma roupagem específica para fazer essa abordagem, que é a entrada no aspecto da produção; porém centrada na criação de condições de ambiência. Ou seja, entra com um corte ambiental bem marcado, além das atividades econômicas. Ele passa a ter uma formatação de ênfase na questão do manejo do solo e da água e da tecnologia apropriada, que é o que melhor está adequado à questão da revitalização.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Quais os resultados práticos esperados pela Codevasf com essa iniciativa?

 

Neres - O que é fundamental para nós é tocar o programa de revitalização. É preciso trabalhar o semi-árido como um todo; então todas as intervenções de natureza de gestão de águas no semi-árido precisam ter um link entre essas questões. O importante é que, na intervenção específica na bacia, nós fazemos no sentido da sua reconstituição hidroambiental. Todo o esforço que estamos fazendo, de saneamento, em todas as cidades da calha e dos rios afluentes, envolve recuperação de nascentes, intervenção de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Nós estamos fazendo um programa de microbacias, que é um programa no qual as tecnologias sociais se assentam muito, as barraginhas, os sistemas agrosilvopastoris, agroflorestais, além de uma ação importante que são as barragens subterrâneas. Enfim, essas intervenções visam garantir a inserção efetiva das populações, numa região marcada pelo baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e pela presença significativa de comunidades que não estavam integradas ao processo econômico, social e político, a não ser como eleitores – que são as comunidades quilombolas, os vazanteiros, os beiradeiros, os assentados, os acampados, os pequenos produtores da agricultura familiar que viviam de subsistência, as populações indígenas, etc. Portanto, são segmentos historicamente fragilizados pela dinâmica do poder econômico, e que nós buscamos inserir porque são parte cultural, histórica e econômica importante da Bacia do São Francisco.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - De certa forma essas ações contribuem para reduzir as resistências que ainda existem contra o projeto de integração das bacias?

 

Neres - As disputas políticas fazem parte do processo democrático. Não nos compete discutir isso. Agora, do ponto de vista objetivo, as ações que os movimentos sociais requerem são justamente o uso de tecnologias sociais no manejo de solo e água, o respeito e a operação integrada com o bioma caatinga, as ações de desenvolvimento sustentável vinculadas às condições desses biomas, tanto a caatinga quanto o cerrado, a visão de convivência com o semi-árido. E tudo isso está presente no programa. Ou seja, do ponto de vista objetivo e material, o programa de revitalização vem absorvendo todas as reivindicações dos movimentos sociais; tanto é que a ASA (Articulação no Semi-árido Brasileiro) é nossa parceira. Isso mostra que estamos com o foco bem direcionado no sentido das obras estruturantes, mas também do aspecto social necessário a um programa de revitalização que tem um corte ambiental como o nosso, mas que é uma revitalização ambiental includente, socialmente marcada. E esse é o objetivo fundamental do programa, que busca recuperar a bacia, com respeito ao meio ambiente e com eqüidade social.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Qual o papel da Codevasf a partir da formalização dessa parceria?

 

Neres - Em todos os programas nos quais participamos, envolvendo as tecnologias sociais, nós entramos com recursos de investimentos. Operamos apenas nessa área, competindo aos nossos parceiros entrar com a parte de capacitação, de aprimoramento de gestão, de educação ambiental, de alfabetização, de todas as ações relativas à formação. Ou seja, as despesas de custeio ficam com os parceiros – e nós entramos com os investimentos para viabilizar toda a parte de infraestrutura. No projeto com o Sebrae devemos entrar com cerca de R$ 1,3 milhão. Vamos começar a trabalhar a partir deste ano, e, até 2009, pretendemos instalar 300 unidades.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - A tecnologia social tem como característica a possibilidade de ser reaplicada em comunidades diferentes, com problemas semelhantes entre si. O Sr. considera que o PAIS poderá ser aplicado em toda a extensão da Bacia do São Francisco?

 

Neres - Eu acho que o PAIS é uma tecnologia que tem uma tradição em alguns lugares, onde inclusive tem sido muito bem-sucedida. E acredito que é algo que está muito vinculado à cultura e à economia da agricultura familiar da região do São Francisco, que tem essa matriz. Na medida em que ela gera diversos empreendimentos, ela cria alguma escala, mas essa escala surge a partir da consolidação da unidade econômica e agrícola familiar. Isso é que é fundamental. Ressalto a importância de buscarmos agregar parceiros importantes como o Sebrae, fortalecendo essa atividade tão essencial que ele desenvolve hoje, direcionando esforços também para a Bacia do Rio São Francisco, onde a população muito necessita desse tipo de apoio.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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