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Joe Valle, secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia

 

Foto: Daniel Lavenere
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Joe Valle

28/02/2008 - Nessa entrevista, o secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe Valle, explica como o PAIS pode contribuir para os objetivos estratégicos do órgão, no sentido de possibilitar o desenvolvimento de comunidades rurais brasileiras. Para o secretário, é preciso um trabalho conjunto entre Governo e sociedade civil para que o Brasil acelere ainda mais o processo de inclusão social.

 

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - O que levou o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) a adotar o PAIS como um de seus projetos estratégicos de inclusão social?

Joe Valle - O PAIS é uma tecnologia superinteressante de inclusão. Uma tecnologia branda, de baixo impacto, barata, e que realmente faz inclusão social. E isso é o escopo da nossa Secretaria. Por isso resolvemos fazer parte dessa parceria com o Sebrae e com a Fundação Banco do Brasil, porque acreditamos na convergência das políticas públicas. É muito importante o processo de melhorar a qualidade de vida das pessoas no espaço rural, com segurança alimentar e com possibilidade de comercialização. E também é muito importante o processo de ter uma convergência de políticas públicas para levar recursos e qualidade de vida para esse espaço. Então, existe a própria questão do arranjo institucional, que é produtivo; porque a partir daí outras parcerias ocorrerão, como também a questão do projeto em si, que é um projeto de sustentabilidade, de educação, de tecnologia, que envolve todos os processos das instituições que dele estão participando.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - A idéia, então, é que essa tecnologia seja efetivamente transformada numa política pública?

Valle - Sim. Hoje já estamos em parceria com a Fundação Banco do Brasil, o Sebrae, o Ministério da Integração Nacional e a Petrobras. É importante trabalhar em parceria, porque dessa forma conseguimos potencializar recursos. Evita-se realizar ações sombreadas, possibilitando fazer ações que se potencializam. Como no nosso país o que temos de escasso é recurso, então temos de fazer isso. Chega a ser uma obrigação do gestor público buscar esse tipo de parceria, para podermos otimizar recursos.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - De que maneira o MCT pretende atuar para que a utilização do PAIS seja ampliada entre os agricultores familiares brasileiros?

Valle - Nós vamos trabalhar exatamente nessa disseminação. Nos pontos de atuação, iremos chamar todas as partes envolvidas, todas as instituições participantes, divulgar esse processo para que consigamos fazer isso acontecer no campo. Para que isso aconteça, as pessoas têm de saber como funciona. Com a capilaridade que o Sebrae tem hoje, certamente nós estaremos divulgando todo esse processo do PAIS para que as pessoas possam procurar, para que tenhamos os espaços de implantação. Outra forma de divulgação do PAIS será através da Rede de Tecnologias Sociais, a RTS. O que queremos é chegar aos municípios com uma convergência grande, que envolva vários outros ministérios e instituições.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Como fazer essa convergência funcionar na prática?

Valle - O PAIS é uma tecnologia social que deve ser reaplicada na ponta, na inclusão das pessoas, produtores de assentamentos, agricultores familiares. Trata-se de uma das ações que o Ministério da Ciência e Tecnologia realiza juntamente com essas instituições. Por isso, é uma política de Governo. Mas temos também os centros vocacionais tecnológicos, os centros de inclusão digital, as tecnologias assistidas, os arranjos produtivos locais. Agora, o que estamos trabalhando é para que consigamos unir esforços. O projeto que vamos lançar será denominado Mais – Mutirão de Ações para Inclusão Social. Esse mutirão é exatamente você estar com vários ministérios, várias secretarias reunidas, cada uma com seus programas, só que atuando conjuntamente. Isso significa potencializar recursos.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - O PAIS tem na agricultura ecológica um de seus pressupostos fundamentais. Qual a importância desse fator para o sucesso da iniciativa?

Valle - Isso é importante por vários motivos. Primeiramente, para quem está trabalhando lá, que é o agricultor, pois ele passa a ter a noção da questão ambiental e da questão social. Ele aprende a trabalhar em harmonia com a natureza. E também para quem vai consumir esse produto, já que, além da questão da segurança alimentar, a idéia é gerar renda para a família. Então o fato de se tratar de um produto orgânico tem um grande apelo para a sociedade, para quem vai adquirir a produção. Hoje os produtos orgânicos se constituem num grande mercado, que cresce 30% a cada ano.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - O sr. considera que o pequeno produtor brasileiro já está consciente dessa importância da agricultura ecológica?

Valle - Eu não diria que ele está plenamente consciente, mas o fato é que a agroecologia e a agricultura familiar fazem um casamento perfeito. Inclusive com resgate da auto-estima do agricultor, porque tem a valorização do produtor de alimentos. Quer dizer, as pessoas que estão comprando passam a enxergar com outros olhos quem está produzindo, e isso ajuda a resgatar a auto-estima do produtor. Há também a questão da atuação em valores; existe um preço justo pelo produto, toda a cadeia produtiva é remunerada – o que beneficia a todos. Se um produtor está bem, com a auto-estima elevada, trabalhando num processo que leva em consideração a sustentabilidade, o meio ambiente e as pessoas nele envolvidas, a conseqüência é que ele irá produzir um alimento seguro para ele mesmo e para os consumidores. Há também todo um trabalho da melhoria de qualidade de vida das pessoas, onde elas moram, e, conseqüentemente, elas vão ficar naquele espaço, continuar ali, criar seus filhos ali; não vão migrar para a cidade. Deixam de buscar os grandes centros urbanos, ir morar na cidade, nas favelas, nas periferias. Então, nós estaremos atuando na causa dos problemas.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Quais são as expectativas do MCT em relação ao PAIS, no que diz respeito a metas de implantação de unidades?

Valle - Nós queremos instalar 500 unidades no ano que vem. E, para 2009 e 2010, dependendo de como for a avaliação, pretendemos repetir a dose, com mais 500 unidades a cada ano. Essas unidades serão instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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