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Jefferson D’Avila de Oliveira, gerente de Parcerias, Articulações e Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil
20/04/2011 - Se o assunto é Tecnologia Social, há uma grande probabilidade de que a Fundação Banco do Brasil esteja no meio. E não há exagero nisso, afinal, ela atrelou uma variedade de verbos ao conceito que hoje já é bastante conhecido no país. É um tal de incentivar, divulgar, catalogar, investir, debater e certificar que não tem fim. E, a julgar pelas experiências que vão se multiplicando por todas as regiões brasileiras, este é um movimento que, ano a ano, vai ganhar mais amplitude. Só no ano passado, foram quase duas mil aparições em matérias sobre o assunto. Além do Prêmio de Tecnologia Social, que foi lançado em 2001 e está agora em sua sexta edição, a Fundação Banco do Brasil possui um banco de dados onde reúne 571 iniciativas certificadas pela instituição, ou seja, são projetos que possuem resultados comprovados de transformação social, podem ser reaplicados e foram desenvolvidos com a participação da comunidade. Para falar sobre o assunto, conversarmos, por email, com o gerente de Parcerias, Articulações e Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, Jefferson D’Avila de Oliveira. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista. Rede de Tecnologia Social - Até poucos anos atrás, falar em Tecnologia Social no Brasil era raro. Como a Fundação Banco do Brasil decidiu apostar em algo ainda tão incipiente e por qual razão isso se deu? Jefferson D´Avila de Oliveira - A Fundação BB foi criada em 1985 e até o ano de 2000 apoiou projetos diversificados. Alguns desses tinham a possibilidade de serem transferidos para outras comunidades, beneficiando-as também. A partir desta constatação e desejando dar escala às soluções sociais desenvolvidas no país, a FBB passou a adotar o conceito “Tecnologia Social”. Criou, então, o programa Banco de Tecnologias Sociais e o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, que é o principal meio de captação de tecnologias sociais. O conceito de TS visa justamente isso, reconhecer as soluções desenvolvidas pelas comunidades e que possam ser transferidas para outras regiões, dando escala em algo reaplicável. A Fundação BB passou a disseminar o conceito e orientar suas ações sob essa ótica. RTS - Hoje, iniciativas as mais variadas, como formação de grupos de dança e música, métodos de armazenamento de água e o soro caseiro, há bastante tempo conhecidos no Brasil, são denominados Tecnologia Social. Qual a razão disso? O termo está sendo adotado corretamente? O que, afinal, pode ser chamado de Tecnologia Social? Jefferson - Basicamente, as Tecnologias Sociais atendem aos critérios de efetividade, reaplicabilidade e envolvimento com a comunidade. Se as iniciativas citadas contemplam estas características, têm potencial para serem certificadas como TS. RTS - O Prêmio Fundação Banco do Brasil tem nove categorias, sendo que uma delas foi lançada este ano: TS na Construção de Políticas Públicas para a Erradicação da Pobreza. O que motivou esta escolha? Jefferson - Entendemos que as tecnologias devam se constituir em políticas públicas. Há várias ações sendo desenvolvidas, localmente, que se constituem Tecnologias Sociais, podendo ser reaplicadas em outros municípios, gerando a escala desejada às soluções sociais. Acreditamos que a erradicação da pobreza deve ser uma ação conjunta entre governos, instituições, empresas e comunidades. Por isso estamos levantando este debate por meio do Prêmio de Tecnologia Social. Queremos dar visibilidade àquilo que já é feito e incentivar novas iniciativas. O Prêmio é aberto somente para instituições sem fins lucrativos. RTS - Como se deu a criação das outras categorias especiais? Jefferson - A Fundação Banco do Brasil atua há mais de 25 anos com uma série de Tecnologias Sociais, embora não fossem assim chamadas, anteriormente. É a partir dessa experiência e contato com as comunidades, seus problemas e desafios, que pensamos as categorias especiais. Elas visam debater temas que ultrapassam as dificuldades locais, que são vivenciados em todo o Brasil. RTS - Há uma predominância de participações por região ou as TSs são igualmente disseminadas no país? Jefferson - As inscrições e, consequentemente, as Tecnologias Sociais certificadas estão concentradas na Região Sudeste. Historicamente, no Prêmio, o Sudeste é responsável por metade das inscrições a cada edição. Porém, nas últimas duas edições, tivemos um aumento muito grande de inscrições das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, comprovando que a Tecnologia Social faz parte da vida das comunidades de todo o país. A cada edição do Prêmio, a Fundação realiza uma ação de divulgação procurando incentivar que instituições das diversas regiões brasileiras compartilhem suas tecnologias. Hoje, o Banco de Tecnologias Sociais conta com 571 tecnologias certificadas, sendo 232 do Sudeste, 141 do Nordeste, 104 do Sul, 58 do Centro-Oeste e 45 do Norte. RTS - Para participar do Prêmio, é preciso que as tecnologias concorrentes tenham resultados aprovados. Como isso é feito? Como esses resultados são conferidos? Jefferson - Na etapa de Certificação, a análise das Tecnologias Sociais será feita por uma equipe técnica indicada pela Fundação Banco do Brasil. Na etapa de seleção das finalistas, as Tecnologias Sociais certificadas serão submetidas à Comissão de Seleção, composta por profissionais da Fundação Banco do Brasil, das instituições parceiras na realização do Prêmio e convidados. Representantes da FBB, funcionários das agências visitam cada Tecnologia Social para se certificar de que as informações dadas pelas instituições são verídicas. Somente depois desta visita é que uma Tecnologia Social é certificada. RTS – Quais são os critérios para certificação? Jefferson - Todas as inscrições recebidas passam pela análise de uma comissão, que verifica se elas se enquadram nos critérios de Tecnologia Social. As que são selecionadas recebem a visita de funcionários das agências do Banco do Brasil, para verificarem in loco as informações prestadas pela instituição quando da inscrição efetuada pelo site. Os critérios para certificação são: - Ter sido implementada, estar ativa e possuir resultados comprovados de transformação social; - Estar sistematizada de forma a permitir a reaplicação da tecnologia por outras comunidades; - Ter contado com a participação da comunidade no desenvolvimento, implementação ou reaplicação da Tecnologia Social. RTS - Vocês têm retorno das instituições premiadas? É possível que uma mesma instituição ganhadora volte a ganhar? Jefferson – Atualmente, todas as TSs do Banco de Tecnologias Sociais (BTS) estão sendo revisitadas pelo Instituto Pólis, para atualização do Banco de Dados. Estamos contatando uma a uma para saber se houve alguma alteração. Algumas se desenvolveram mais, outras foram extintas. Estas TS serão revisadas e estão sendo postadas no sítio do BTS, aonde será possível a atualização constante das tecnologias pelas instituições, e terá espaço para filmes, fotos, agenda, notícias referentes às TSs e ao Prêmio. As instituições vencedoras apresentam projetos para utilizarem o valor do Prêmio. Este projeto é acompanhado pela Fundação BB. Instituições vencedoras não podem inscrever uma mesma TS, mas podem concorrer com outra. As TSs certificadas e finalistas podem concorrer novamente com a mesma TS. RTS – A partir da implantação do Banco de Tecnologias Sociais, o que mudou no país em relação às TSs? Quais os tipos de retorno vocês têm obtido a partir dele? Jefferson - O Banco de Tecnologias Sociais (BTS) é um banco de dados que contempla informações sobre as tecnologias certificadas no âmbito do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, desde a primeira edição, realizada em 2001, e que continuam sendo aplicadas. O BTS integra soluções que podem ser conhecidas e consultadas por tema, área de atuação, entidade executora, público-alvo, região, Estado. Ele contempla informações sobre problemas solucionados, municípios atendidos, recursos necessários para implementação, entre outros detalhamentos das Tecnologias Sociais certificadas. Desde que criamos o Banco, o conceito e as práticas de TS têm aumentado muito em consistência. O conceito tem sido debatido e incorporado pelas instituições que apresentam, a cada edição do Prêmio, tecnologias mais sistematizadas e com grande aderência ao tema. RTS - O que pode mudar em uma instituição que passa a ter sua tecnologia incluída no Banco da Fundação BB? Jefferson - Além da premiação em dinheiro, o Prêmio tem a finalidade de impulsionar os projetos e consolidar as instituições que os realizam. Para tanto, também está incluso na premiação a produção de um vídeo institucional e a impressão de folders sobre as TSs finalistas, para que as instituições possam divulgar suas iniciativas. Gostaríamos de salientar que, além dos vencedores, todas as tecnologias certificadas são difundidas pela Fundação e que algumas destas são, posteriormente, reaplicadas junto com parceiros. RTS - Podemos dizer que a adoção de TSs é uma das saídas ideais para promover o desenvolvimento, a inclusão social e reduzir a desigualdade no Brasil? Jefferson - A Fundação BB acredita que a Tecnologia Social tem papel fundamental no desenvolvimento do país. E é exatamente por esse motivo que entendemos que elas devam virar políticas públicas. RTS - As universidades despertaram para o tema? Elas podem também ajudar a aprimorar ferramentas tradicionais, aliando o conhecimento formal ao saber popular? Jefferson - As universidades, como espaços para produção do conhecimento, sempre tiveram interessadas em temas que debatem o desenvolvimento sustentável. A Tecnologia Social pode ser produzida a partir do conhecimento popular ou do conhecimento acadêmico. As universidades têm o segundo maior número de inscrições no Prêmio, demonstrando que elas são geradoras de TS. Hoje em dia já existem cursos sobre o tema ministrados na universidade.
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