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Jacques Pena, presidente da Fundação Banco do Brasil
22/02/2008 - Para o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, o PAIS está se transformando numa efetiva política pública brasileira, a partir do envolvimento de ministérios, prefeituras, governos estaduais e entidades da sociedade civil. O resultado, segundo ele, é a segurança alimentar e a geração de trabalho e renda para as famílias do campo.
SEBRAE AGRONEGÓCIOS - Por que a Fundação Banco do Brasil decidiu investir na disseminação do PAIS? Jacques Pena - O PAIS tem se mostrado uma Tecnologia Social simples, de custo razoável, com resultados num tempo muito curto em termos de segurança alimentar nutricional e de geração de renda. Normalmente as experiências e os projetos de geração de trabalho e renda são de maior complexidade. Por isso acho que a grande vantagem, o grande diferencial positivo do PAIS, é que, a partir de uma coisa bastante simples, que é a horticultura, é possível definir uma atividade produtiva para o agricultor familiar. Com um investimento de, no máximo, seis mil reais, incluindo a capacitação e o kit, é gerada uma ocupação para uma ou duas pessoas numa família. Isso tem trazido uma oportunidade em termos de alimentação, e nessa questão existem muitas variáveis, como hábitos alimentares novos e mais saudáveis; e também quanto a uma atividade econômica, o que às vezes o cidadão tem dificuldade de definir dentro de uma pequena propriedade rural. E como a parceria foi desenvolvida com um número grande de estados, é possível observar isso, mesmo com realidades diferentes. Ou seja, o PAIS tem apresentado resultados bastante positivos em todos os locais onde é aplicado. SA - Como tem sido, na prática, a participação da Fundação Banco do Brasil nessa parceria? Pena - A Fundação tem, na associação com o Sebrae e o Ministério da Integração Nacional, trabalhado principalmente na questão do financiamento dos kits. E tem participado, junto com o Sebrae, das atividades relativas à capacitação, apesar de esse papel estar mais sob a responsabilidade do próprio Sebrae. Mas para o ano de 2008, estamos realizando discussões no sentido de começar a apoiar ações que se concentram mais na questão da comercialização, visto que, em alguns estados, o número de PAIS, que inicialmente foi de 90, deverá chegar a 400, 500 e até 600 unidades, em suas diversas microrregiões. Por isso já estamos discutindo apoio a iniciativas que contribuam com a comercialização daquilo que se produz no PAIS, e esse também deverá ser um dos focos do nosso trabalho. SA - O fato de o PAIS ser trabalhado numa parceria sólida entre a Fundação Banco do Brasil, o Sebrae e o Ministério da Integração Nacional tem sido um dos aspectos decisivos desse sucesso? Pena - Com certeza essa parceria foi fundamental. E a partir do momento em que instituições da natureza do Sebrae, da Fundação e do Ministério se articulam em torno de um objetivo comum, isso leva a uma tendência de, nos próximos anos, no que diz respeito ao PAIS, seja ainda mais ampliado o volume de investimentos, o volume de projetos e o número de instituições atuando nessa área. SA - Pode-se deduzir, nesse contexto, que o PAIS está caminhando para se transformar numa efetiva política pública brasileira? Pena - Como a experiência tem uma boa amplitude, já que são 1.080 unidades, só nessa parceria, e a Fundação tem mais algumas que ela fez individualmente, está sendo gerada uma visibilidade razoável para essa tecnologia social. Vários ministérios estão interessados nela e diversas outras instituições, que têm recursos para projetos sociais, também têm demonstrado interesse. Então, com certeza, do ponto de vista de ser ação de governo, essa é uma tendência, seja na esfera federal, estadual ou municipal. Vários estados estão interessados em aumentar a aplicação do PAIS, como o governo na Bahia, de Alagoas, de Pernambuco, entre outros. E também ministérios como o da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento Social e Combate à fome, além do Ministério da Integração Nacional. Certamente, nesses próximos dois ou três anos o PAIS sairá de uma experiência com a natureza e o tamanho que atualmente tem, para uma efetiva característica de política pública. SA - A Fundação Banco do Brasil foi uma das pioneiras na aplicação do conceito de tecnologia social no Brasil. O que isso representa para a instituição? Pena - A Fundação surgiu na década de 1980, atuando na área de apoio à pesquisa, ciência e tecnologia e inovação. Nós encontramos, ainda nos anos 1990, a continuidade dessa questão na tecnologia social, ou seja, ciência, tecnologia e inovação dentro do investimento social e em projetos sociais. Portanto, achamos que foi uma política acertada, e que está dando resultados. Para nós, é motivo de satisfação perceber que uma das nossas grandes linhas de atuação tem sido compartilhada, despertando o interesse de várias instituições brasileiras. E, principalmente, saber que isso está levando a resultados concretos para a sociedade. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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