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Isabel Miranda, animadora de redes da RTS

 
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12/08/2010 - Imagine você, ao tempo de um clique, ter acesso a soluções tecnológicas simples e de baixo custos capazes de gerar transformação social com sustentabilidade. Pense em todo este conhecimento partilhado de forma gratuita e colaborativa, com você podendo criar fóruns e comunidades virtuais para debater com gestores e lideranças comunitárias a tecnologia que mais lhe interessou. Estas são apenas algumas das possibilidades criadas pelo Espaço Aberto do Conhecimento, nova plataforma virtual da RTS cuja finalidade é disponibilizar um banco permanente de Tecnologias Sociais (TSs) e ferramentas de colaboração e construção coletiva do conhecimento.

Em entrevista ao Portal da RTS, a animadora de redes da Rede, Isabel Miranda, comenta as possibilidades abertas pelo sistema e seu papel para a difusão e  reaplicação de TSs no Brasil. Lançado em maio no Portal da RTS, o Espaço já traz o registro de 50 Tecnologias Sociais. Entre elas estão o fogão ecoeficiente, o Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), o sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) e diversas tecnologias de captação de água de chuva para a produção de alimentos. Cada uma traz informações básicas como o principal problema enfrentado pela Tecnologia Social, o passo-a-passo para colocá-la em prática e a descrição dos ambientes mais favoráveis para sua multiplicação.

Confira.

Rede de Tecnologia Social - O que é o Espaço Aberto de Conhecimento?

Isabel Miranda - O Espaço Aberto de Conhecimento é uma plataforma virtual pensada coletivamente com as organizações que compõem a RTS. É um espaço de troca e compartilhamento de conhecimento, sobretudo dos processos a partir dos quais são concebidas as Tecnologias Sociais. Para isso temos duas áreas no sistema: 1) a de registro, onde as pessoas podem partilhar suas Tecnologias Sociais e como funciona sua reaplicação, e 2) a de comunidades virtuais, onde o céu é literalmente o limite, já que estamos falando de construção coletiva do conhecimento. Será, certamente, um espaço de referência em TS no Brasil.

RTS - O que as pessoas têm a ganhar participando do Espaço?

Isabel - Primeiro, é preciso ressaltar que o Espaço Aberto não é apenas para as instituições que fazem parte da Rede. É um espaço livre, onde qualquer pessoa é convidada a participar. O que percebemos nas dinamicas da Rede é que as TSs, de um modo geral, realmente são boas soluções para vários problemas brasileiros. O que ocorre hoje é que, muitas vezes, esse conhecimento fica guardado nas organizações ou nas pessoas que desenvolveram ou reaplicaram estas Tecnologias Sociais. Quando a gente horizontaliza e compartilha esse conhecimento, mais pessoas passam a ter acesso a essa riqueza e a novas possibilidades de transformação social que nascem, inclusive, a partir desse diálogo.

RTS - No que o Espaço Aberto de Conhecimento difere de um banco de TSs?

Isabel - Num banco de tecnologia tradicional, o sistema costuma ser estático. Você inclui lá a informação e acabou. No Espaço Aberto, o pulo do gato é a interatividade. Você pode acessar determinada TS, conhecer quem a desenvolve a reaplica e, de uma forma direta, entrar em contato com essas pessoas e criar espaços de discussão sobre aquela TS, gerando toda uma dinâmica de interação capaz de influenciar o próprio debate sobre aquele conhecimento.

RTS - Os registros de TSs no sistema serão validados por editores. Qual sua função?

Isabel - A função dos editores não é só avaliar se determinada experiência é ou não é uma Tecnologia Social. O papel do editor é fazer com que os formulários constem do maior número de informações possível. Até porque não adianta a gente ter uma experiência de TS no sistema de forma incompleta, e a experiência destes editores no tema só vai ajudar a qualificar essas informações.

RTS - Quais os desafios daqui pra frente?

Isabel - O principal desafio é fazer as pessoas se apropriarem da ferramenta. A partir da experiência que tivemos com outros sistemas, posso dizer que o Espaço Aberto de Conhecimento é realmente inovador. Até porque o sistema, por si só, não significa absolutamente nada. Hoje já temos 50 TSs registradas e 300 usuários, incluindo representantes de ONGs, universidades e governos. Claro que um número não quer dizer nada numa rede. O que a gente quer é fazer com que essas conexões se estabeleçam, contribuindo de forma qualificada para a difusão e a reaplicação de TSs.

RTS - Afinal, o que constitui uma rede?

Isabel - Para ser rede, numa visão bem lato sensu, ela precisa ser democrática e horizontal. As conexões acontecem sem filtro e as pessoas debatem e conversam de forma livre. Rede virou uma hoje uma palavra da moda, mas uma verdadeira rede é aquela em que esses princípios são considerados desde o começo.


Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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