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Fábio Cunha, diretor do Departamento de Programas para o Norte e Nordeste da Secretaria de Programas Regionais do MI

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
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Fábio Cunha

16/02/2008 - Diretor de Programas para o Norte e Nordeste do Ministério da Integração Nacional, Fábio Cunha considera que o PAIS está fortemente alinhado à Política Nacional de Desenvolvimento Regional, trazendo oportunidades de transformação social para as comunidades em que é aplicado. Na sua avaliação, trata-se de um instrumento de resgate da auto-estima do agricultor familiar, que passa a contribuir de modo efetivo para dinamizar, social e economicamente, o ambiente em que está inserido.

SEBRAE AGRONEGÓCIOS - De que maneira o PAIS se integra ao conjunto de políticas executadas pelo Ministério da Integração Nacional?

Fábio Cunha - O PAIS está estruturado de forma a dar atenção aos mesmos aspectos que são os pilares dos programas de desenvolvimento regional do Ministério da Integração Nacional (MI), quais sejam, o fortalecimento da organização social, a capacitação para o desenvolvimento, seja nas vertentes da gestão ou da produção propriamente dita, o aprimoramento das práticas produtivas e a superação de gargalos operacionais ou de infra-estrutura que impedem o acesso competitivo aos mercados da produção, em espaços territoriais selecionados. O seu alinhamento, portanto, à Política Nacional de Desenvolvimento Regional é o mais amplo possível.

SA - Quais resultados o Sr. destacaria como os mais importantes a partir da disseminação dessa tecnologia?

Cunha - Eu diria, mantendo o mesmo raciocínio anterior sobre a sintonia entre os objetivos do PAIS e a concepção de desenvolvimento regional praticada pelo Ministério, que são dignos de destaque os resultados que o PAIS vem alcançando em termos de valorização e aprimoramento das habilidades produtivas das famílias atendidas, que aprendem a fazer mais e melhor aquilo a que sempre se dedicaram, percebendo, com inquestionável resgate de sua auto-estima, o aumento de sua renda própria, das oportunidades coletivas e a repercussão disso na dinâmica social e econômica do ambiente em que vivem.

SA - Na sua avaliação, em que medida o PAIS contribui para a estruturação econômica e a inclusão social das comunidades rurais brasileiras?

Cunha - A estruturação econômica local promovida pelo PAIS tem início nas capacitações que são oferecidas de forma associada à instalação da estrutura física, ocasião em que as famílias atendidas são expostas a conceitos e métodos produtivos até então desconhecidos ou de difícil assimilação e prática. A partir daí, devidamente assistidos e estimulados, os produtores familiares começam a estabelecer redes informais de integração, seja nas áreas de produção, manejo, assistência técnica ou na comercialização, que dão novo formato e consistência à economia local, extrapolando os limites de suas propriedades individuais. A inclusão social vem a reboque desse processo. 

SA - Esses resultados podem contribuir para reduzir a desigualdade social entre as diversas regiões do Brasil?

Cunha - É o que acreditamos, e o que justifica a participação do MI no projeto. A redução das desigualdades regionais brasileiras, sociais e econômicas, tem origem no respeito às diversidades, no fortalecimento e aprimoramento das vocações e potenciais endógenos, na garantia dos meios para que processos locais de desenvolvimento se instalem e ganhem sustentabilidade e competitividade. O PAIS aposta e apóia, de perto, a vocação, a dedicação, a energia e a capacidade de o agricultor familiar se fazer protagonista de seu próprio crescimento e, por conseqüência, de sua comunidade, seu município e assim por diante.

SA - O PAIS é um projeto realizado numa parceria que envolve Ministério da Integração Nacional, Sebrae, Fundação Banco do Brasil e outras instituições. Essa articulação entre Governo e entidades civis se configura no melhor caminho em direção ao desenvolvimento sustentável brasileiro?

Cunha - Como já mencionei, este é um dos pilares sobre o qual se sustenta a Política Nacional de Desenvolvimento Regional, cuja concepção e institucionalização foram coordenadas pelo MI, mas que deve ser uma política que oriente a convergência de ações por meio da integração entre os vários agentes do desenvolvimento, incluídas aí, e consideradas como tal, as três esferas de Governo, o setor privado e as representações da sociedade civil organizada. Esta integração permite o fortalecimento do capital social local, a capacidade de identificação e priorização de demandas e, acima de tudo, a viabilização de oportunidades para seu atendimento, de forma racional e organizada, sem a superposição de ações ou desperdício dos sempre escassos recursos, materiais e humanos, disponíveis. Pode não ser o único, mas é, sem dúvida alguma, um dos caminhos.

SA - Como estimular os pequenos produtores rurais a utilizarem cada vez mais a agricultura ecológica em seu dia-a-dia?

Cunha - Em qualquer atividade, meio ou para qualquer público, o melhor estímulo é a percepção dos resultados que se alcança. O importante é que, além daqueles resultados que são facilmente percebidos, porque dizem respeito às pretensões individuais, como o aumento de renda pelo acesso a mercados que exigem esta consciência ecológica, os pequenos produtores rurais sejam conscientizados sobre todo o alcance dos benefícios da agroecologia.

SA - Existe uma perspectiva do Ministério de ampliar ainda mais sua participação no uso dessa metodologia de produção?

Cunha - A parceria com o Sebrae e a Fundação Banco do Brasil, assim como o projeto em si, têm grande potencial de ampliação, seja pela capacidade operacional que a integração das entidades enseja, seja pelo interesse do Ministério em que iniciativas com tal impacto e resultados sejam levadas a outras áreas objeto de sua atuação prioritária. Esbarramos, apenas, em restrições orçamentárias e financeiras, que nem sempre permitem que as intenções se materializem como uma perspectiva concreta.

SA - Há mais algum comentário que o Sr. gostaria de fazer em relação a esse projeto?

Cunha - Gostaria apenas de mencionar que a participação do Ministério da Integração Nacional nesse projeto foi direcionada especificamente para o semi-árido nordestino, tendo sido financiada com recursos do Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Semi-árido – Conviver. Este programa foi concebido e tem sido implantado de forma a garantir, para aquele território e suas comunidades, uma atuação governamental que fosse além das tradicionais intervenções emergenciais em épocas de estiagem prolongada. O PAIS, assim, concorre para o objetivo de disseminar, no semi-árido, tecnologias e processos produtivos afinados com a concepção da “convivência com a seca”, em plena sintonia com as reivindicações da sociedade, representada pelas suas instituições legitimamente constituídas.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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