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Rosa Castilhos, coordenadora de Desenvolvimento Social da Fijo

 
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22/10/2009 - A Fundação Irmão José Otão (Fijo), ligada à PUC-RS, está vinculada à Rede de Tecnologia Social (RTS) na função de articuladora de redes, propondo-se a promover um conjunto de ações que possibilitem a discussão, socialização e disseminação de Tecnologias Sociais desenvolvidas no Rio Grande do Sul (RS). Em entrevista ao Portal da RTS, a coordenadora de Desenvolvimento Social da Fijo, Rosa Fernandes, comenta o papel da I Mostra de Tecnologia Social do RS para sistematizar estas experiências e ampliar a articulação entre as 34 organizações gaúchas vinculadas à RTS.

Apoiada pela RTS, a Mostra é organizada pela Fijo, Centro Social Marista (Cesmar), PUC-RS, Núcleo de Economia Alternativa (NEA) e ONG Guayí. Além de painel e exposição de banners com experiências de TSs vinculadas à RTS e/ou certificadas pela Fundação Banco do Brasil, as pessoas também podem participar de oficinas onde conhecem, com mais profundidade, quatro experiências de TSs em desenvolvimento no Rio Grande do Sul. O encontro ocorre nesta quinta-feira (22/11), no campus da PUC-RS.

RTS - Qual o objetivo da I Mostra de Tecnologia Social do Rio Grande do Sul?

Rosa - A idéia surgiu a partir de nossa participação na Conferência Internacional de Tecnologia Social, realizada em Brasília no mês de abril. A partir da fala de próprios integrantes da RTS, vimos a necessidade de organizar os Estados em torno da Rede. Nosso objetivo aqui é ampliar a discussão quanto à utilização das Tecnologias Sociais no enfrentamento das desigualdades sociais no RS, socializando e disseminando experiências, bem como discutir o conceito e a concepção de Tecnologia Social. Ampliar a discussão acerca do conhecimento sobre Tecnologia Social, nesse sentido, é fundamental para iniciar um projeto de disseminação consistente, até porque o diálogo entre entre os saberes populares e acadêmicos é cada vez mais fundamental nos dias de hoje.

RTS - Como avalia o alcance das TSs para o desenvolvimento do RS?

Rosa - O Estado tem um histórico em projetos de inclusão social e enfrentamento das desigualdades, com alto viés de participação popular na forma de gestão das políticas públicas locais. Ainda não temos, contudo, clareza sobre o alcance das TSs nem estratégias de disseminação destas experiências. É um debate novo, em que precisamos avançar.

RTS - Qual o papel da Mostra para isso?

Rosa - Em primeiro lugar, a Mostra vai aproximar as pessoas e instituições que trabalham o tema no RS. Temos muitos avanços no mundo digital, mas precisamos garantir também espaços presenciais onde a articulação possa ser efetivamente construída, de forma aberta e transparente. Muita gente, por exemplo, não sabe ainda o que são Tecnologias Sociais. Quais as origens desta discussão e a serviço do quê ela está? A Mostra vai permitir esse diálogo, abrindo espaço para a organização de um Fórum Estadual capaz de se articular em sintonia com as diretrizes nacionais da RTS. A forma como esse Fórum vai ser constituído dependerá, obviamente, do processo participativo estabelecido durante o encontro.

RTS - Como foi a seleção das experiências?

Rosa - Partimos das referências apontadas pela própria RTS e pela Fundação Banco do Brasil. O primeiro passo foi contatar a secretaria executiva da RTS e pedir a relação das 34 instituições do RS associadas à Rede. Para as oficinas, escolhemos quatro tecnologias que já estão sendo trabalhadas pelas instituições da comissão organizadora da Mostra. As demais instituições também participam com banners, cada uma trazendo sua experiência. São mais de 20 Tecnologias Sociais e a primeira oportunidade para que elas possam interagir e se conhecer.

RTS - Das 34 organizações da RTS no RS, 26 são do terceiro setor. Como avalia este protagonismo?

Rosa - Muitas dessas TSs estão sendo desenvolvidas pelo terceiro setor. O que acontece é que elas não estão sistematizadas e as instituições tampouco sabem da importância de repassar esse conhecimento para que outras comunidades possam se apropriar disso. Isso acontece muito em função da competitividade que já existe no terceiro setor, como se a disputa por recursos justificasse a concentração do conhecimento. Pelo contrário, um dos trabalhos que a RTS faz hoje é justamente tentar superar essa competição, partilhando e disseminando experiências em função de outro modelo de desenvolvimento, que valoriza os processos populares e a interconexão entre os saberes científicos e populares a partir de uma discussão limpa, transparente e democrática.

RTS - E o papel das universidades, qual é?

Rosa - Muitos dos avanços que temos em termos de políticas públicas e de garantia de direitos sociais partem dos movimentos sociais, não da Universidade. A academia precisa estar em sintonia com esses desafios. Isso envolve, por exemplo, a formação de profissionais não apenas para o mercado, mas também para a leitura crítica da realidade social. Qual é o uso que fazemos do saber? Quanto mais esses profissionais tiverem oportunidade de identificar fragilidades e potencialidades sociais em seu processo de formação acadêmica, melhor para todos nós.


Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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