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Maria Clara Mauricio Pierri, engenheira florestal e consultora do Nead/MDA

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Maria Clara Mauricio Pierri, engenheira florestal e consultora do Nead/MDA

18/03/2009 - Existem, no Brasil, diversas experiências em inovação técnica e social. Entretanto, nem sempre são devidamente conhecidas. A fim de registrar e difundir possíveis soluções para o incremento da produção na agricultura familiar, o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) criou o Fórum de Difusão Científica sobre Tecnologia Social.

O Fórum é virtual, permitindo a constituição de ampla rede de participantes. A idéia é disponibilizar  estudos, relatos e experiências. Ao longo do tempo, será organizado um sistema de gestão e difusão de conhecimento, em assentamentos e nos Territórios da Cidadania, sobre inovação e Tecnologia Social na agricultura familiar.

Por meio de uma chamada pública de trabalhos, o Nead/MDA reuniu contribuições de pesquisadores/as, gestores/as, técnicos/as em redes de assistência e extensão e assessorias populares. Tais informações têm a função de gerar as bases conceituais e empíricas do Fórum. Em fevereiro, foram divulgados os 50 trabalhos habilitados.

Em entrevista à RTS, a engenheira florestal e consultora do Nead/MDA, Maria Clara Mauricio Pierri, fala sobre o processo de criação do Fórum, bem como as ações previstas.

Rede de Tecnologia Social - Como foi o processo da chamada pública?
Maria Clara - A chamada pública teve o propósito de identificar, sistematizar e disseminar experiências em inovação sociotécnica e Tecnologia Social, espalhadas por todo o Brasil. Resultou em 88 experiências, contemplando eixos temáticos da moradia rural, biossistemas, agroecologia, educação, capacitação e empreendimentos econômicos solidários. Cinquenta  experiências, avaliadas por uma comissão científica, foram habilitadas.

Os trabalhos não foram hierarquizados. A comissão buscou identificar aqueles cujo enraizamento da Tecnologia Social é relevante, ou seja, aqueles que enfatizam a busca pela inovação social, a reaplicabilidade e a organização de uma inteligência coletiva.

O processo, iniciado em 2008, ainda está em curso. A articulação com os/as autores/as, a mobilização em torno da construção de uma rede virtual, a elaboração de conteúdos teóricos para apoiar a construção de projetos colaborativos, a realização de uma oficina de integração e a publicação de um catálogo com as experiências serão os principais resultados.

RTS- Quais serão os próximos passos dessa iniciativa?
Clara - Iremos realizar em abril, no 2o Fórum Nacional da RTS, a oficina de integração com os autores e autoras, propiciando espaço para aprofundar a troca de experiências e conhecimento.

Conseguimos apoio para financiar a vinda de 40 pessoas para Brasília, que também terão a oportunidade de participar dos eventos da RTS. Com certeza será muito enriquecedor. Estamos muito animados por poder possibilitar esse encontro, fortalecendo o movimento pela Tecnologia Social no Brasil.

Em torno de um marco lógico para cada eixo temático, a expectativa é que possa ser estruturado pelo menos um projeto colaborativo para cada eixo. Os próprios autores irão identificar quais características de Tecnologia Social são mais relevantes em seu eixo, incorporando-as assim, ao projeto colaborativo.

O Nead continuará acompanhando a temática, neste ano. Como resultado desta chamada, pudemos abrir espaços de diálogo e acumular bastante, iniciando a articulação e convergência com outras instancias do MDA, principalmente a Dater, bem como com outros parceiros.

Ao nosso lado, contamos com o apoio do professor Ignacy Sachs, hoje consultor do Nead para o Programa Territórios da Cidadania e um importante defensor desse relevante debate.

Reafirmando esta importância, o MDA aderirá oficialmente a RTS, com a assinatura, pelo ministro Guilherme Cassel, do Termo de Adesão. Isso indica que pretendemos consolidar esse movimento e fomentar o debate, identificar itens para demandar pesquisas e, principalmente, subsidiar a construção de políticas públicas para a ciência, tecnologia e inovação com vistas adequá-las às demandas populares, aumentando a visibilidade das abordagens destinadas a reconhecer o papel dos sujeitos sociais no campo.

RTS - Como as informações desses projetos chegarão aos assentamentos e Territórios da Cidadania?
Clara - Este é o principal desafio. Acreditamos que somente será alcançado com a soma de esforços das parcerias, com a abertura de espaços e com muito trabalho! Não há uma receita pronta.

Um primeiro passo pragmático será a divulgação das experiência, em diferentes meios. Para isso, estamos contando com o apoio da equipe dos “Territórios Digitais”, uma iniciativa do Nead para a inclusão digital. Também iniciamos um diálogo com a Embrapa Informação Tecnológica, para que o MDA tenha uma participação no Prosa Rural, um programa de rádio feito para a Agricultura Familiar.

A motivação de um circuito de disseminação dos conteúdos na ponta, de apropriação e inovação pelas pessoas e a absorção das demandas populares por conteúdo são os objetivos principais e a maior recompensa. Afinal, experiências em Tecnologia Social, por serem de baixo custo e fácil uso, são desenhadas para resolver problemas reais. O seu uso busca o que é mais urgente: o aumento da autonomia e protagonismo das pessoas e a melhora da qualidade de vida no campo.

Outras Informações

Fórum de Difusão Científica sobre Tecnologia Social

Sítios:
www.nead.org.br/tecnologiassociais
http://comunidades.mda.gov.br

Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS

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