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Fernando Costa Gomes, coordenador do projeto “Quintais Orgânicos de Frutas”

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09/12/2009 - Desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado, unidade da Embrapa localizada no Rio Grande do Sul, o projeto “Quintais Orgânicos de Frutas” é o grande vencedor do Prêmio Finep de Inovação na categoria Tecnologia Social. Em entrevista ao Portal da RTS, o supervisor da área de transferência de tecnologia da Embrapa Clima Temporado e coordenador do projeto, Fernando Costa Gomes, comenta as bases da Tecnologia Social, destaca o caráter inovador da experiência e realça seu poder de adaptabilidade aos contextos locais.

Criado para compor o Programa Fome Zero, em 2003, o projeto busca introduzir e validar tecnologias voltadas à implantação de quintais orgânicos de frutas com propriedades nutricionais e medicinais. Até 2009, foram implantados 770 quintais, com 169.400 plantas, sendo 53.900 frutíferas e o restante de quebra-ventos, atingindo cerca de 30 mil beneficiários em 90 municípios do Sul do Brasil e do Uruguai. Cada quintal é constituído de cinco mudas de, pelo menos, 12 espécies de frutas, escolhidas em função de suas caracterícas nutricionais e medicinais e por se adaptarem bem aos solos e ao clima da região de Clima Temperado.

RTS - Como começou o projeto?

Fernando Costa Gomes - O projeto nasceu em 2003 com o objetivo de atender o programa Fome Zero. Tivemos então uma alavancagem financeira muito forte graças à parceria com a Companhia de Geração Térmica e Energia Elétrica (CGTE). Hoje temos 770 quintais implantados e atingimos 90 municípios e 30 mil pessoas. São agricultores familiares, comunidades quilombolas e indígenas. Temos também mais de 90 escolas, com 18 mil alunos, que também têm seu quintal de frutas.

RTS - Onde está a inovação?

Fernando - A inovação foi pegar o estoque tecnológico que a Embrapa já dispunha e agrupar isso em 16 espécies de frutas que compõem o quintal. O que mostramos é que os mais carentes, por mais que sintam ou não a pressão tecnológica, têm eles próprios condições de ter uma alimentação saudável e orgânica e produzir frutas durante os 12 meses do ano. Subjetivamente, ele está usando a melhor tecnologia que a Embrapa dispõe sem que se sinta pressionado pela tecnologia – e aí está a grande inovação. Isso porque o processo é participativo e o saber local é tão ou mais importante que o nosso saber. O que fazemos é dialogar e adaptar nossa tecnologia ao beneficiário. No caso dos indígenas, por exemplo, trabalhamos com quintais agroflorestais.

RTS - E como se dá a transferência desses conhecimentos?

Fernando - Repassamos todo um pacote tecnológico que inclui insumos como calcário e fósforo. O solo dele é melhorado e as mudas são produzidas com qualidade pela Embrapa. O beneficiário também recebe uma capacitação em cursos e in loco, dentro do próprio quintal. São pelo menos três visitas por ano, até porque, para a Embrapa, o quintal se torna uma poderosa unidade demonstrativa de tecnologias, o que pode facilitar esta multiplicação.

RTS - E qual a adaptabilidade do sistema?

Fernando - Não existe nenhuma dificuldade em adaptar a tecnologia desde que se escolha as espécies adequadas e em número suficiente para se produzir frutas durante os 12 meses do ano. O importante é que a diversidade seja uma elemento fundamental. Até porque, para garantir segurança alimentar, a produção tem que dar fruta todos os meses. Nós usamos 16 espécies de frutas, das quais metade é de nativas. Para cada espécie, vão só cinco mudas no pomar. Então ele terá ao todo 80 mudas, que ocuparão uma área de 1.200 metros quadrados.

É pequena no tamanho, mas gigante na finalidade. Para a agricultura familiar, por exemplo, é uma ótima oportunidade. Como cada família tem em média até cinco pessoas, é possível assim produzir um excedente de frutas que ele pode comercializar ou transformar em doces, geléias e iogurtes. A Embrapa também dá esses cursos de capacitação na transformação das frutas.

RTS - Quais os próximos passos?

Fernando - Queremos ampliar o número de beneficários e qualificar o projeto em algumas áreas, como é o caso do aporveitamento das propriedades medicinais das frutas. Esse recurso do prêmio (R$ 1 milhão) certamente nos ajudará nisso. Já sabemos, por exemplo, que a pitanga pode ser usada para o controle de câncer de colon. E a pitanga está dentro do nosso quintal. Levar esta pesquisa adiante para outras frutas demanda recursos e agora já temos por onde começar.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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