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Caio Silveira, coordenador da Expo Brasil Desenvolvimento Local

Foto: Expo Brasil
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11/11/2009 - A 8ª Expo Brasil Desenvolvimento Local deverá reunir em São Paulo, entre os dias 25 e 27 de novembro, no Palácio de Convenções do Anhembi, cerca de 3 mil pessoas em mais de 50 sessões entre palestras, painéis temáticos, oficinas e minicursos. Nesta entrevista, concedida ao Portal da RTS, o sociólogo e coordenador do encontro, Caio Silveira, apresenta as características do desenvolvimento local, explica a realização do evento em São Paulo e aponta as oportunidades de levar o tema para dentro das grandes cidades brasileiras.

RTS - Rede de Tecnologia Social - O que define o desenvolvimento local?

Caio Silveira - É o desenvolvimento conduzido pelas pessoas a partir dos territórios e localidades onde elas moram, vivem e trabalham. Ou seja, onde as pessoas têm seus laços cotidianos. É um desenvolvimento construído a partir da vida do cidadão, das bases da sociedade. Por isso, dizemos que é um desenvolvimento que vem de dentro para fora e de baixo para cima. Isso significa dizer que a atuação coletiva, seja num município, numa microrregião ou até num bairro, pode criar uma densidade de forças subjetivas à localidade, no sentido de tomar para si seus desejos, suas prioridades e, principalmente, seu horizonte de cultura. Nesse sentido, este “tomar posse” e este “apropriar-se” das coisas são questões essenciais do desenvolvimento local.

RTS - E qual o papel da Expo Brasil para fomentar este debate?

Caio - A Expo Brasil sempre se propôs a ser alimentadora e multiplicadora desta chama, desta perspectiva que não é apenas o desenvolvimento em pequena escala. A ideia é pensar em um novo paradigma de desenvolvimento capaz de trilhar outro padrão civilizatório, onde as questões ambientais, sociais e econômicas andam juntas. Ou seja, a proposta não é apenas pensar os rumos de determinada localidade, mas repensar os rumos do desenvolvimento integrado e sistêmico do planeta a partir das conexões entre as localidades, e não cada uma delas isoladamente. 

RTS - Quais são os principais objetivos do encontro?

Caio - A Expo é, sobretudo, uma maneira de fazer com que os territórios se vejam em rede e que as pessoas que pensam ou se interessam sobre este tema se encontrem. Nesse sentido, é um encontro de diferentes. Diversidade e pluralidade são características básicas da Expo Brasil, que é um evento que se propõe a dar visibilidade às ações que estão em curso, propondo novos espaços de articulação e conexão entre estas pessoas, redes e instituições. A ideia é a de ser uma escola-viva, um ambiente de aprendizagem compartilhada em que não há um que ensina e outro que aprende, mas sim um ambiente sinérgico em que todos saem ganhando. O que queremos é estimular uma outra visão de desenvolvimento que influencie não só as políticas públicas, mas a mentalidade e o comportamento das pessoas. 

RTS - Por que fazer esta edição da Expo Brasil em São Paulo?

Caio - Das últimas cinco edições, quatro foram na região Nordeste e uma no Centro-Oeste. Embora os encontros tenham sido sediados em capitais, a participação de pessoas das grandes cidades foi pequena se comparada à grande presença de participantes que moram no interior e em territórios rurais. A questão central, este ano, é pensar nas grandes questões do desenvolvimento territorial e local também no contexto urbano. O que é a cidade como um espaço de inovação e de inteligência coletiva? A questão do universo das cidades, do ponto de vista do horizonte de um outro desenvolvimento, é uma questão que deve ser tratada com mais intensidade. 

RTS - Como?

Caio - As grandes questões contemporâneas da crise, como a questão ambiental e a necessidade de passarmos para um outro padrão civilizatório, devem incluir a reflexão sobre o papel de territórios urbanos, que têm um nível de conectividade interno e um potencial imenso. Esse potencial está nas comunicações, em outros modelos de transporte e tantas outras formas de convivência cotidiana. As cidades não podem ficar apartadas de si mesmas. Como pensar em cidades integradas, onde os cidadãos se reconheçam? Pensar nas questões da inclusão social e produtiva, bem como do conhecimento e da comunicação, é um desafio mundial para as grandes cidades. Sabemos que São Paulo é um lugar emblemático para a gente colocar esta questão.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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