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Márcia Perales, Pró-reitora de Extensão e Interiorização da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

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17/07/2008 - Pró-reitora de Extensão e Interiorização da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e coordenadora do projeto de monitoramento e avaliação da RTS, Márcia Perales acaba de coordenar o I Fórum de Tecnologia Social da UFAM, realizado nos dias 10 e 11 de julho. Em entrevista ao Portal da RTS, Perales fala sobre o papel das universidades para a difusão e reaplicação de TSs, destaca as práticas que têm se destacado na região Amazônica e aponta a importância de se trabalhar em rede para a construção de um novo modelo de desenvolvimento para o país.

 

 

Rede de Tecnologia Social - Qual o saldo do I Fórum de Tecnologia Social da UFAM?

Márcia Perales - Tivemos várias discussões focadas em desenvolvimento de Tecnologias Sociais (TSs), envolvendo docentes, discentes, comunitários e instituições de pesquisa e fomento, além da divulgação de TSs desenvolvidas na UFAM e debates sobre a importância, a concepção e as formas de consolidação de TS e da inserção do tema na agenda da UFAM. Destacou-se ainda o estímulo ao mapeamento das TSs desenvolvidas na UFAM e a necessidade de mapeamento das TS no Estado do Amazonas, por meio da PROEXTI, com o apoio de várias instituições parceiras, isso sem falar na realização de um simpósio ou colóquio sobre "propriedade intelectual” e na indicação para a realização de um segundo Fórum.

 
 

RTS - Qual o papel das universidades para a geração e reaplicação de Tecnologias Sociais (TSs) no Brasil?

Márcia - As Universidades entram no circuito das TSs por meio de desenvolvimento e apoio ao seu aprimoramento, contribuindo para a sua legitimidade e institucionalização. Ou seja, a Universidade pode gerar TS e fomentar a sua reaplicação, estabelecendo interlocução junto às várias esferas do poder, reafirmando, assim, o seu papel e o seu compromisso social em prol de uma sociedade mais solidária.

RTS - As universidades estão preparadas para este desafio?

Márcia - Como este primeiro Fórum demonstrou, a UFAM, para além de estar preparada para este desafio, está, sobretudo, comprometida com o desenvolvimento e com o apoio às Tecnologias Sociais. Para isso, encarou a necessidade de fomentar o debate sobre o tema, condição primeira para qualquer passo posterior.

RTS - Como estruturar redes entre as universidades para potencializar as pesquisas em TSs?

Márcia - Após este evento e o mapeamento das TSs da UFAM, o próximo passo deverá ser mobilização junto às outras Instituições Federais de Ensino (IFES) para que também procedam a um mapeamento, em moldes similares ao realizado pela UFAM. Se a iniciativa tiver êxito, poderemos construir o Banco de Dados TS/IFES, no qual, além socialização das TS, deverão constar artigos científicos, pesquisa, teses, dissertações sobre TS etc. O objetivo final é conseguirmos concretizar a criação da Rede Universitária de Tecnologia Social, a qual deverá ser filiada à RTS.

RTS - Como avalia o potencial das TSs para o desenvolvimento da região amazônica?

Márcia - Fundamental. A Amazônia é um espaço ímpar e as necessidades básicas de seus habitantes não diferem das necessidades básicas dos seres humanos em geral. Entretanto, as formas de responder e atender os seus anseios precisam estar organicamente vinculadas ao respeito ao modo de viver e de ser dessas comunidades. E para isso, as TSs desenvolvidas podem vir a ter um importante papel porque, como foi bem enfatizado no FTS/UFAM, o que move as TSs não são apenas os seus métodos, processos, sistemas, produtos etc., mas a mobilização, o empoderamento, a participação e as inúmeras possibilidades de melhoria de qualidade de vida das populações locais. Dito de outra forma: as TSs podem fomentar, como já está acontecendo em vários lugares, ao lado de outros mecanismos, políticas públicas que propiciem, de fato, melhores condições de vida.

RTS - Qual é hoje o panorama de implementação destas TSs? Há algum exemplo que salte aos olhos?

Márcia - Cada TS tem sua importância, mas podemos destacar as ligadas à área da preservação do meio ambiente e geração de trabalho e renda, como as do UNITRABALHO, Pé-de-Pincha, Inter-ação; PROAMDE, ENCONTRO, Tupé, entre outros.

RTS - Quais as peculiaridades da região quando da definição de novas TSs?

Márcia - Somos constituídos por um conjunto de estados que apresentam características comuns, mas, ao mesmo tempo, querem assegurar o direito as suas particularidades sócio-econômicas, culturais, políticas etc. Para tanto, há que se resguardar um tipo de desenvolvimento que propicie a inclusão social e produtiva, que preserve o meio-ambiente, as diferentes etnias e cultura da região, sobretudo ratificando o direito à “vida com dignidade” .

RTS - Quais os principais obstáculos a serem removidos para um maior avanço do tema na região?

Márcia - Mudança de paradigma acerca das TSs no interior da própria Universidade. As TSs também são fruto da construção de um conhecimento que não pode estar acima das classes e dos interesses e necessidades da maioria da população. Um outro desafio é o fomento às TSs por órgãos dos poderes estadual e municipal.

RTS - E as principais potencialidades?

Márcia - A socialização de TSs como “mecanismo” que atenda às reais necessidades das comunidades (econômicas, sociais, políticas etc). O princípio de “dividir” conhecimentos gerados pela TS, sem torná-los propriedade particular, é muito importante, pois expressa uma forma de contraposição ao modelo sócio-econômico e científico vigente no Brasil. A gestão compartilhada do conhecimento é, sem dúvida, uma das grandes potencialidades da Tecnologia Social.

 

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

 
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