Portal RTS - Rede de Tecnologia Social

Informativo Eletrônico

Receba as principais notícias da RTS no seu e-mail. Cadastre-se.






Ações do documento

Luis Fernando Nery, Gerente de Responsabilidade Social da Petrobras

Foto: Petrobras
Foto-Nery.jpg

 

14/08/2008 - Gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Luís Fernando Nery tem mais de 20 anos de experiência em Comunicação e Marketing, com formação em jornalismo e especialização em  Economia e  Gestão de Negócios de gás natural e energia,  Marketing,  Publicidade e  Propaganda e  Gerência da Qualidade Total. Em entrevista ao Portal da RTS, Nery comenta os principais desafios da reaplicação em escala de Tecnologias Socias (TSs) no país, aponta o papel da Petrobras nesta direção e reflete sobre a atuação da RTS em seus três anos de vida.

Rede de Tecnologia Social - Qual a importância de se trabalhar em rede para catalizar a reaplicação de Tecnologias Sociais (TSs)?

Luís Fernando Nery - Ao longo das últimas décadas, tivemos um processo de desenvolvimento econômico que gerou uma grande exclusão social. E mesmo com a reversão deste processo nos últimos anos, temos ainda um grande contingente de pessoas excluídas socialmente no país. Para que a gente torne a reversão deste processo algo de fato estrutural, é preciso que se criem estruturas e redes produtivas que permitam que essas pessoas possam se integrar ao mercado, com autonomia, pela obtenção de renda própria e pela capacidade de desenvolver sua vida independentemente do apoio de qualquer entidade ou pessoa. E a estruturação em rede para gerar um movimento de inclusão social fundamentando na geração de renda, na verdade, representa a construção – ou a reconstrução – de um tecido social que se deteriorou por um processo que não visava o bem estar da população como um todo.

RTS - Há na RTS uma grande heterogeneidade de instituições, que passa por governos, iniciativa privada, academia e sociedade civil. Como afinar essas diferenças tendo em vista a reaplicação em escala de TSs?

Nery- Através da construção coletiva. Por muito tempo se preconizou, por alguns grupos hegemonicos, a visão do Estado totalitário, de que a solução para o desenvolvimento com igualdade de condições só poderia ser viabilizado por um Estado forte e detentor dos bens de capital. De outro lado, outros grupos apostaram no império do mercado como grande regulador natural das oportunidades de trabalho. Essas duas visões polarizadas se desmistificaram. Nasce agora um processo que ninguém sabe ainda exatamente qual é a equação, mas que aponta para a integração de empresas, governos democraticamente constituídos e sociedade civil organizada.

A RTS reproduz em seu interior este agrupamento, que é heterogêneo nas experiências, na forma e nos objetivos. Mas é justamente por meio da construção do bem comum, por um planejamento e uma execução coletiva, que dá para a gente arquitetar um mundo mais igualitário. A RTS, de certa forma, é uma micro-reprodução do que se espera que aconteça no mundo: instituições de perfis diferentes que se reúnem com o objetivo de dar escala e alcançar resultados maiores do que cada um poderia alcançar, individualmente, na busca da inclusão social.

Assim, o processo de discussão, planejamento e agora execução da RTS tem sido batante rico em aprendizado para todas as intituições. Os objetivos maiores vêm sendo alcançados, mas com uma dificuldade no tempo muito grande. Isso gerou por parte de algumas instiuições, no começo, uma certa inquietação. Eu diria que essa dificuldade é a grande riqueza da RTS, porque é a confirmação do fato de que a Rede tem trabalhado na construção coletiva, que é a mais difícil de organizar o trabalho mas, ao mesmo tempo, aquela que garante sucesso a mais longo prazo.

RTS - Quais cuidados devemos ter ao pensar na reaplicação em escala de TSs levando em conta a enorme diversidade brasileira?

Nery- Quando falamos em escala de Tecnologias Sociais, não falamos em aplicar a mesma metodologia em cada terriório. Falamos de uma metodologia geral que permita uma reaplicação em escala que seja obrigatoriamente readaptada em cada território onde a atividade é executada. Nesse sentido, a diversidade cultural do país deve ser entendida como enriquecedora do processo, inclusive considerando eventuais adaptações que não se pensavam originalmente e que talvez possam ser de interesse para a reaplicação nos territórios seguintes.

RTS - Qual o papel de grandes organizações como a Petrobras para catalizar este processo?

Nery- Aplicar recursos, ter compromisso com essa rede de reaplicação e fundamentalmente ter a visão de que o grande objetivo é a inclusão social. Várias vezes a gente observa em processos de reaplicação uma prioridade do método e a finalidade em segundo plano. É como se as pessoas ficassem prisioneiras do processo. O grande compomisso da Petrobras é aportar recursos, sejam financeiros ou humanos, e zelar para que o grande objetivo seja efetivamente promover a inclusão social.

RTS - Quais as perspectivas de ação da empresa na área para os próximos anos?

Nery- Intensificar nossas atividades. Temos hoje o Programa Desenvolvimento e Cidadania Petrobras, que tem planejamento e recursos definidos até 2012. E é uma ação fundamental dentro deste programa o apoio à Rede de Tecnologia Social.

RTS - Que tipos de projetos a Petrobras espera ver submetidos na seleção do Programa?

Nery- Temos três grandes linhas de ação. A primeira é de Geração de Renda e Oportunidades de Trabalho, e é nela que temos uma completa identidade com o trabalho da RTS. Uma segunda linha necessária é a de Educação e Qualificação Profissional, porque muitas vezes as pessoas não têm um nível de capacitação profissional mínimo para aproveitar sequer as oportunidades de trabalho que já existem. E temos uma terceira linha de ação, chamada de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, que cobre projetos cujos resultados são de longo prazo, de forma a garantir de forma mais ampla acesso à educação, saúde e apoio familar por crianças e jovens para que a gente não reproduza no futuro este modelo que temos hoje.

RTS - A Petrobras tem tido uma atuação bastante expressiva na cadeia da reciclagem. Por quê?

Nery- Quando falamos em apoiar instituições e estruturar redes de cooperativas, falamos de uma atividade que tem um desdobramento social muito forte que não só gera renda, como também inicia atividades de organização social com grande repercussão ambiental. As respostas da Petrobras nessas área têm sido muito positivas e a tendência é de um investimento cada vez maior da empresa, buscando inclusive novas parcerias com outras empresas e instituições da sociedade civil.  

RTS - A RTS está trabalhando em uma proposta de metodologia de incubação de redes de cooperativas de catadores de materiais recicláveis passível de reaplicação em escala na periferia de grandes centros urbanos. Quais os principais desafios?

Nery- Temos experiências bastante positivas que a gente apóia e que são cases de sucesso do ponto de vista da etapa produtiva. Justamente por isso, em diversas regiões do país, essas organizações estão se defrontando com desafios cada vez maiores no que diz respeito à comercialização. Para isso não acredito em uma solução hegemônica, ou que deva haver uma receita de bolo única. Assim, não devemos trabalhar só com o conceito de grandes centrais de comercialização nem só no conceito de pequenas estruturas comeciais individualizadas a partir da verticalização de cada cooperativa. Acho que há espaço para os dois tipos de estratégia, até levando em conta a diversidade do setor.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática