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Wang Hsiu Ching - SEBRAE NAC.
A analista da Unidade de Agronegócios do Sebrae Nacional, Wang Hsiu Ching, está acompanhando de perto o trabalho que a instituição vem desenvolvendo, no processo de beneficiamento e comercialização da castanha-de-caju. Wang, que também é coordenadora do Projeto de Minifábricas, pelo Sebrae, esteve em Serra do Mel/RN, na inauguração da Unidade Central de Seleção, Classificação e Exportação de Amêndoa de Castanha-de-Caju, dia 11 de março. Confira, a seguir, a entrevista que ela concedeu à Assessoria de Comunicação da RTS. RTS - Qual é a história dessa Unidade Central? Wang - Há muitos anos, Serra do Mel atua com o processamento da castanha-de-caju. É algo cultural, que tem a ver com a própria história da cidade. Apesar do desenvolvimento de outras atividades, a cultura de caju permanece forte na região. A partir dessa realidade, o Sebrae percebeu uma forte demanda ligada ao processo de desenvolvimento local. Isso ocorreu junto com a comunidade, que confirmou a importância dessa atividade econômica para o território. Começamos, então, a trabalhar em várias ações de capacitação, desde a questão de manejo até a questão do beneficiamento da castanha-de-caju. As pessoas, mesmo em casa, tinham um cômodo, para fritar a castanha, processá-la. Não só produziam e plantavam caju, como também consumiam. Portanto, trata-se de um modelo que tem sua dinâmica junto com a própria família. Encontramos, por exemplo, pequenas unidades com a primeira etapa de processamento - do cozimento da castanha, até a retirada da amêndoa – ocorrendo em residências, onde a esposa e os filhos trabalham. RTS - Então, é necessário atuar no sentido de se profissionalizar essa atividade? Wang – Sim. Buscamos a melhoria da qualidade do produto final, como uma forma para que essas pessoas continuem no mercado. Uma Unidade Central gera, em média, 40 postos de trabalho. O número varia um pouco em relação à quantidade de castanhas disponíveis. É importante lembrar que o beneficiamento da castanha-de-caju é um processo que agrega muito valor, mas o produto final não é barato. Se você gera um produto final que não tem a adequada qualidade, você vende apenas localmente. E, numa região onde tem muito do produto, você não consegue comercializá-lo com um valor que remunere dignamente essas pessoas. RTS – É possível destacar algum diferencial nessa dinâmica de trabalho? Wang - O modelo concebido concilia o artesanal com o industrial, de forma que o resultado final apresenta um elevado percentual de castanhas inteiras se comparado ao processo das grandes indústrias. Este valor agregado possibilita o equilíbrio com os postos de trabalho preservados. Naturalmente, existe uma pequena diferença entre o modelo entre os estados e em relação à Unidade Central de Seleção, Classificação e Exportação de Amêndoa de Castanha-de-Caju. Num mesmo projeto, percebemos as diferenças entre um Estado e outro. Há diferenças na forma de trabalho derivadas do público local. As pessoas têm seus hábitos, costumes, modelos, mentalidade, forma de raciocinar. RTS – Mesmo com as diferenças, a atividade de exportação é um dos aspectos em comum nos estados? Wang – Sim. Nesse mês de março, por exemplo, somente Serra do Mel enviou dois contêineres de castanha-de-caju para a Itália. A maioria das minifábricas tem produtos com qualidade de exportação. É um aspecto desse processo desenhado no Sebrae e com nossas instituições parceiras. Por fim, é importante lembrar que ações como essa somente são possíveis graças ao empenho e comprometimento da equipe do Sebrae/RN. Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da Rede de Tecnologia Social (RTS) |
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