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Larissa Barros - SECEX-RTS


larissa.jpgNo dia 14 de abril, a Rede de Tecnologia Social (RTS) completou um ano de existência. Sua missão é reunir, organizar, articular e integrar um conjunto de instituições, com o propósito de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação, em escala, de Tecnologias Sociais. A secretária executiva da RTS, Larissa Barros, traz reflexões sobre as ações realizadas até o momento.

RTS - Primeiramente, vamos resgatar a idéia de se criar a RTS. Como tudo começou?

Larissa - A motivação para criar a Rede de Tecnologia Social se deu a partir da seguinte constatação: apesar de várias instituições trabalharem com fomento tecnológico e apoio a projetos sociais, essa atuação ainda era pequena diante das questões que visam resolver.

Como sabemos, vivemos num país continental e, assim como sua dimensão territorial, é grande e diversa a quantidade de problemas e oportunidades com os quais as pessoas convivem diariamente.

Nesse contexto, no início de 2004, várias instituições da sociedade civil, governos e empresas começaram a realizar uma série de encontros em busca do estabelecimento de sinergias e de aperfeiçoamento de suas atuações por meio do apoio ao uso de tecnologia, hoje qualificada como social.

A idéia predominante era organizar e conduzir um processo de mobilização e discussão para viabilizar a formação de uma Rede que deveria identificar, reaplicar e difundir Tecnologias Sociais que já existissem; sistematizar, monitorar e avaliar os processos de reaplicação; e garantir a pesquisa e o desenvolvimento de novas Tecnologias Sociais, a partir de demandas e/ou necessidades não atendidas.

E assim, em abril de 2005, foi lançada a Rede de Tecnologia Social, com a forte inspiração em ser um instrumento de organização coletiva para a democratização de soluções tecnológicas que promovam inclusão social.

RTS - A iniciativa é um grande desafio já que, numa só Rede, reúne instituições de diversas naturezas.

Larissa - Sim. A construção de sinergias pela integração entre atores, sejam eles públicos ou privados, governamentais ou não-governamentais, nacionais ou internacionais, é a principal estratégia de atuação da RTS.

Entende-se que os recursos são escassos e as ações não devem ser tão pulverizadas. O que se vê ao olhar para trás são várias instituições atuando de forma isolada, com ações que têm poucas conexões entre si, com muitas sobreposições e lacunas em pontos importantes.

Essa realidade é fácil de explicar, pois cada uma das instituições tem sua própria lógica de funcionamento, com missão específica. Portanto, sua atuação é focada e termina por atacar, quando isolada, os problemas apenas parcialmente.

À medida que se consegue ter atuações conjuntas e integradas, concatenadas no tempo e continuadas, o resultado pretendido é alcançado de forma integral, com maiores possibilidades de eficácia e de ser sustentável.

RTS - Como está a estrutura da RTS, atualmente?

Larissa - Até o momento, mais de 200 instituições já aderiram à RTS, sendo 13 as que fazem parte do seu Comitê Coordenador:

• Instituto Ethos de Responsabilidade Social;

• Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong);

• Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA);

• Grupo de Trabalho Amazônico (GTA);

• Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras;

• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae);

• Financiadora de Estudos e Projetos (Finep);

• Fundação Banco do Brasil (FBB);

• Petrobras;

• Caixa Econômica Federal;

• Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT);

• Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); e

• Secretaria-Geral da Presidência da República.

RTS - Quais são as principais ações de reaplicação de TS, apoiadas pela Rede, até o momento?

Larissa - Os focos territoriais das ações de reaplicação são o Semi-Árido e Sertão do São Francisco, a Amazônia Legal e a Periferia de Grandes Centros Urbanos, tendo sido feita uma opção por Tecnologias Sociais que promovam a geração de trabalho e renda.

Essas definições foram traduzidas em projetos que já estão em execução nesses territórios. A seguir, alguns exemplos:

• a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, conhecida como "Pais". A iniciativa é fruto de uma parceria firmada entre a Fundação Banco do Brasil, o Sebrae e o Ministério da Integração Nacional. O Pais é a tecnologia empregada no Projeto "Unidades Familiares de Produção Agrícola Sustentável - UFPAS", em fase de implantação em 12 Estados, sendo nove no Semi-Árido, além do Mato Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. A expectativa é que sejam implantadas 30 hortas orgânicas por município, totalizando 1090 unidades.

• o financiamento de 21 projetos de incubação e apoio a empreendimentos solidários, por meio da chamada pública MCT/Finep/MDS/Caixa - Rede de Tecnologia Social - Incubação de Empreendimentos Solidários - 01/2005;

• a instalação de 65 unidades - minifábricas e centrais - para beneficiamento e comercialização de castanha-de-caju, na Região Nordeste;

• ações de empreendimentos solidários na comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, por meio da Agência de Desenvolvimento Local;


• a reaplicação da meliponicultura - criação de abelhas sem ferrão, em cinco municípios do Amazonas - e a criação de um entreposto de mel em Manaus, numa parceria da Petrobras com o Sebrae/AM e o Instituto Iraquara;

• o apoio ao desenvolvimento do Programa P1+2, "Uma Terra e Duas Águas", numa parceria entre a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), Fundação Banco do Brasil e Petrobras, em dez estados do Semi-Árido, onde, por meio do emprego de tecnologias de retenção da água de chuva e de produção de alimentos, busca gerar trabalho e renda;

• a incubação de cooperativas de catadores de resíduos sólidos em Pernambuco, na zona metropolitana de Recife;

• o apoio a processos de produção e certificação agroextrativistas na Amazônia Legal, em construção com vários parceiros, dentre eles o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA); e

• a reaplicação de algumas das experiências finalistas do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais 2005.

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