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Larissa Barros - SECEX-RTS
RTS - Primeiramente, vamos resgatar a idéia de se criar a RTS. Como tudo começou?
Larissa - A motivação para criar a Rede de Tecnologia Social se deu a partir da seguinte constatação: apesar de várias instituições trabalharem com fomento tecnológico e apoio a projetos sociais, essa atuação ainda era pequena diante das questões que visam resolver. Como sabemos, vivemos num país continental e, assim como sua dimensão territorial, é grande e diversa a quantidade de problemas e oportunidades com os quais as pessoas convivem diariamente. Nesse contexto, no início de 2004, várias instituições da sociedade civil, governos e empresas começaram a realizar uma série de encontros em busca do estabelecimento de sinergias e de aperfeiçoamento de suas atuações por meio do apoio ao uso de tecnologia, hoje qualificada como social. A idéia predominante era organizar e conduzir um processo de mobilização e discussão para viabilizar a formação de uma Rede que deveria identificar, reaplicar e difundir Tecnologias Sociais que já existissem; sistematizar, monitorar e avaliar os processos de reaplicação; e garantir a pesquisa e o desenvolvimento de novas Tecnologias Sociais, a partir de demandas e/ou necessidades não atendidas. E assim, em abril de 2005, foi lançada a Rede de Tecnologia Social, com a forte inspiração em ser um instrumento de organização coletiva para a democratização de soluções tecnológicas que promovam inclusão social. RTS - A iniciativa é um grande desafio já que, numa só Rede, reúne instituições de diversas naturezas. Larissa - Sim. A construção de sinergias pela integração entre atores, sejam eles públicos ou privados, governamentais ou não-governamentais, nacionais ou internacionais, é a principal estratégia de atuação da RTS. Entende-se que os recursos são escassos e as ações não devem ser tão pulverizadas. O que se vê ao olhar para trás são várias instituições atuando de forma isolada, com ações que têm poucas conexões entre si, com muitas sobreposições e lacunas em pontos importantes. Essa realidade é fácil de explicar, pois cada uma das instituições tem sua própria lógica de funcionamento, com missão específica. Portanto, sua atuação é focada e termina por atacar, quando isolada, os problemas apenas parcialmente. À medida que se consegue ter atuações conjuntas e integradas, concatenadas no tempo e continuadas, o resultado pretendido é alcançado de forma integral, com maiores possibilidades de eficácia e de ser sustentável. RTS - Como está a estrutura da RTS, atualmente?
Larissa - Até o momento, mais de 200 instituições já aderiram à RTS, sendo 13 as que fazem parte do seu Comitê Coordenador: • Instituto Ethos de Responsabilidade Social; • Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong); • Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA); • Grupo de Trabalho Amazônico (GTA); • Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras; • Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); • Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); • Fundação Banco do Brasil (FBB); • Petrobras; • Caixa Econômica Federal; • Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT); • Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); e • Secretaria-Geral da Presidência da República. RTS - Quais são as principais ações de reaplicação de TS, apoiadas pela Rede, até o momento?
Larissa - Os focos territoriais das ações de reaplicação são o Semi-Árido e Sertão do São Francisco, a Amazônia Legal e a Periferia de Grandes Centros Urbanos, tendo sido feita uma opção por Tecnologias Sociais que promovam a geração de trabalho e renda. Essas definições foram traduzidas em projetos que já estão em execução nesses territórios. A seguir, alguns exemplos: • a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, conhecida como "Pais". A iniciativa é fruto de uma parceria firmada entre a Fundação Banco do Brasil, o Sebrae e o Ministério da Integração Nacional. O Pais é a tecnologia empregada no Projeto "Unidades Familiares de Produção Agrícola Sustentável - UFPAS", em fase de implantação em 12 Estados, sendo nove no Semi-Árido, além do Mato Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. A expectativa é que sejam implantadas 30 hortas orgânicas por município, totalizando 1090 unidades. • o financiamento de 21 projetos de incubação e apoio a empreendimentos solidários, por meio da chamada pública MCT/Finep/MDS/Caixa - Rede de Tecnologia Social - Incubação de Empreendimentos Solidários - 01/2005; • a instalação de 65 unidades - minifábricas e centrais - para beneficiamento e comercialização de castanha-de-caju, na Região Nordeste; • ações de empreendimentos solidários na comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, por meio da Agência de Desenvolvimento Local;
• o apoio ao desenvolvimento do Programa P1+2, "Uma Terra e Duas Águas", numa parceria entre a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), Fundação Banco do Brasil e Petrobras, em dez estados do Semi-Árido, onde, por meio do emprego de tecnologias de retenção da água de chuva e de produção de alimentos, busca gerar trabalho e renda; • a incubação de cooperativas de catadores de resíduos sólidos em Pernambuco, na zona metropolitana de Recife; • o apoio a processos de produção e certificação agroextrativistas na Amazônia Legal, em construção com vários parceiros, dentre eles o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA); e • a reaplicação de algumas das experiências finalistas do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais 2005. |
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