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Emir Suaiden - IBICTDesde o mês de julho, o Portal da Rede de Tecnologia Social (RTS) é hospedado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Na visão de Emir Suaiden, diretor do Ibict, essa parceria com a RTS é de extrema relevância. Na entrevista a seguir, Suaiden fala sobre a importância das Tecnologias Sociais e do trabalho que está sendo desenvolvido no Ibict para a criação de um programa de inclusão digital visando à inclusão social. RTS – Em sua opinião, como está o processo de inclusão social no Brasil? Emir Suaiden – Nos últimos tempos, presenciamos três grandes revoluções mundiais, que foram a sociedade da informação, a revolução tecnológica e a globalização. Elas provocaram, na área de ciência e tecnologia, o rompimento de muitos paradigmas e o aparecimento de novos, que até então não existiam. Os três fatos são marcantes e acabaram por promover negativamente a dependência de países em desenvolvimento aos países mais adiantados. Isso gerou um custo social muito amplo. Até hoje, calcula-se que apenas 20% da população brasileira estão incluídos na sociedade da informação. Ou seja, a maioria das pessoas sofre com o problema da exclusão, sem sequer saber que são excluídas. RTS – E como esse quadro poderia melhorar? Emir Suaiden – O grande desafio é encontrar alternativas que possam incluir, em uma sociedade da informação, essas pessoas marginalizadas, sem perspectivas. Porém, para que isso seja possível, é necessário que se tenha um aparato tecnológico disponível e, além disso, cursos de capacitação, porque é preciso ensinar as pessoas a utilizarem os recursos que receberam. O que falta, no meu ponto de vista, é uma política de inclusão social. Não é somente ressaltar a importância da temática. Isso tem de estar nos planos governamentais e principalmente no orçamento. Não pode haver um discurso opaco. À medida que o governo federal investe na área, os estados e municípios passam a reinvestir os recursos de forma adequada. RTS – Qual o papel do Ibict nesse contexto? Emir Suaiden – A vocação do Ibict é a questão da informação. Desde a sua criação, o armazenamento até a sua disseminação. É o que fazem os telecentros, que são locais de informação. É onde as pessoas vão em busca de dados para melhorar seu desempenho educacional, social e cultural. Estamos em busca de um diagnóstico da situação atual da inclusão social no Brasil. Um benchmarking está sendo feito para saber o que está funcionando e o que não está. A inclusão fortalece o nosso país e, por isso, estamos empenhados em fazer um trabalho de qualidade que abranja toda a população. RTS – E qual a importância das Tecnologias Sociais (TSs) no processo de inclusão? Emir Suaiden – Foi em boa hora que surgiu a questão das Tecnologias Sociais. Observa-se que hoje existe uma prioridade a respeito do assunto, e várias entidades já estão trabalhando para promover a inclusão social. Eu vejo extrema importância na questão das Tecnologias Sociais, porque talvez seja hoje o mecanismo mais efetivo de inclusão. Quando se pensa na inclusão, é preciso pensar nas zonas urbanas, nas zonas suburbanas e, principalmente, nas zonas rurais, onde a exclusão é ainda muito maior. As Tecnologias Sociais têm que chegar até o campo. Parte dos problemas que temos hoje diz respeito à reforma agrária. As pessoas ainda preferem vir para a zona urbana. Tem que haver um investimento em tecnologias para tentar fazer com que as pessoas permaneçam no campo. Mas, para que elas permaneçam, é preciso que existam boas condições de vida. RTS – Como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) percebe o trabalho da Rede de Tecnologia Social? Emir Suaiden – No momento em que o Ibict está em fase de criação de um programa digital para a inclusão social, a parceria com a RTS é de uma importância muito grande para o Instituto. Atualmente, estamos trabalhando no mapa da inclusão social e nos telecentros – com o fornecimento de capacitação e, às vezes, de equipamentos. É preciso que as pessoas tenham consciência de que a Rede de Tecnologia Social pode mudar esse panorama do subdesenvolvimento brasileiro. Por Cláudia Mohn – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) |
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Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
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