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André Soares - ECOCENTRO IPEC
Além da adaptação e desenvolvimento de alternativas, o Ipec dissemina essas atividades por meio de cursos. Em dezembro de 2005, mais uma turma concluiu o Curso Ecoversidade. Em sua sexta edição, 120 alunos/as já foram formados/as. O diretor de pesquisa e desenvolvimento do Ecocentro Ipec, André Luis Jaeger Soares, fala sobre essa atividade e os projetos para 2006. O maior desafio deste ano será oferecer, à população brasileira, uma metodologia para a construção de uma casa sustentável. RTS – No que consiste o Curso Ecoversidade? Soares – É o curso mais amplo que nós oferecemos. Tem a missão específica de formar líderes para a transformação, para a sustentabilidade. Essas pessoas vêm indicadas por outras instituições já com o propósito de voltarem com novas tecnologias, novas idéias e, principalmente, com a metodologia para a aplicação de alternativas. Durante três meses, suas habilidades são aprimoradas. Eles também são capacitados para se planejar, e para se preparar psicologicamente para a batalha que é estabelecer uma sociedade sustentável, no Brasil. RTS - Como é o trabalho do Ipec em relação às tecnologias sociais? Soares – Esse é o foco específico do Ipec. Desde o nosso estabelecimento, a nossa idéia era demonstrar um modelo de sustentabilidade, um centro onde tudo pudesse ser sustentável dentro dos focos de água, saneamento, alimento, energia e habitação. Nós temos desenvolvido, adaptado, copiado e multiplicado tecnologias em todos os sentidos. Por exemplo, bebemos a água que capturamos da chuva. Reciclamos toda a nossa água dentro de várias opções, tratamos biologicamente para reutilizar em todos os nossos sistemas. Então, a água, aqui, é um ciclo fechado. Quanto aos alimentos, temos diversas tecnologias para uma produção constante, permanente e orgânica. Isso acaba levando à questão econômica, onde a comunidade se envolve para planejar a produção e buscar soluções. Felipe A. Horst Utilização de bambu em bioarquitetura RTS – E na questão da habitação? Soares – Nós introduzimos o conceito de bioconstrução no Brasil. São habitações sustentáveis, habitações ecológicas de qualidade, que podem resolver a questão da carência de moradias, em nosso país. Em relação à energia, nós pesquisamos e desenvolvemos soluções para a geração de energia renovável. Ainda não somos auto-suficientes, mas conseguimos desenvolver diversas soluções e, principalmente multiplicar essas tecnologias. RTS – Nessas atividades, o processo em si tem grande importância, não é mesmo? Soares – Sim. Estamos chegando numa fase onde essa multiplicação de tecnologia é a tecnologia principal. As soluções existem para todos os problemas. Entretanto, como vamos implementar essas soluções numa escala, onde a sociedade possa realmente se beneficiar? Como multiplicar isso? Formando multiplicadores, identificando as necessidades das comunidades e demonstrando como é que se reaplica essas tecnologias. RTS – Toda essa articulação está muito ligada a uma dinâmica de Rede. Soares - Claro. Nós estamos integrados com muitas outras organizações que realizam trabalhos similares. O grande resultado é fruto de um trabalho em Rede. Mas Rede não é simplesmente uma palavra. Esse processo é possível desde que se tenha uma agenda comum e todos voltados para um mesmo foco. Precisamos saber atuar em Rede, viver em Rede, viver como a natureza vive. Rede não são os pontos, não são os nós. São as conexões. E não são conexões unilaterais, são multifacetárias, em todos os níveis, em diversas instâncias, e em diversas direções. RTS - Quais são os projetos para 2006? Soares – Nossa previsão é muito otimista. Temos vários desafios em vista. Temos, sobretudo, um grande projeto para executar, toda uma metodologia de desenvolvimento de habitações. Vamos colocar disponível, para a população brasileira, o passo-a passo para a construção de uma casa sustentável. Outras informações Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da Rede de Tecnologia Social (RTS) |
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