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Aldalice Otterloo - ABONG NACIONAL


Aldalice OtterlooNos dias 25 e 26 de abril, ocorreu a Oficina Regional da RTS – Amazônia Legal, em Belém/PA. Aldalice Otterloo, diretora geral da Unipop e representante da Abong Nacional no Comitê Coordenador da RTS, participou ativamente da Oficina, desde os preparativos para o encontro, até a avaliação final. A seguir, os principais trechos da entrevista que ela concedeu à Assessoria de Comunicação da RTS.

RTS - Que avaliação se faz da Oficina?

Aldalice - Eu avalio como muito positiva. Foi extremamente importante conseguir reunir, em Belém, cerca de 20 entidades da Amazônia Legal, pessoas que estão produzindo tecnologia, pessoas que estão construindo processos participativos e de transformação social nos municípios da Amazônia.

O segundo aspecto importante é a capilaridade da própria Rede, possibilitando esses momentos de encontro das suas associadas por região, com características semelhantes, mas com uma diversidade, uma riqueza de movimentos e organizações. Além disso, destaco o fato de as instituições poderem refletir sobre o próprio conceito de Tecnologia Social, reconhecer que essas pessoas também estão produzindo tecnologia, reconhecer que geram conhecimento. Esse conhecimento precisa ser socializado para fortalecer não só a cultura de rede, mas também uma nova cultura de participação.

Isso porque o objetivo final é que as comunidades e os grupos que participam se redescubram como sujeitos do processo, enfrentem essa cultura do beneficiário e passem a ser co-gestores do processo e da própria produção de conhecimento. É preciso assumir a responsabilidade de reaplicar, passar adiante, socializar, fazer com que mais pessoas possam se apropriar dessas tecnologias, bem como os processos de concepção e participação.

RTS - Nesse processo de participação, Belém/PA vai entrar para a história da Rede como o local onde ocorreu o primeiro encontro presencial entre dezenas de integrantes da RTS.

Aldalice - Esse fato é importante para Belém porque nós temos uma história de movimento social aqui. O Estado do Pará, em si, tem uma história longa de movimentos sociais, urbanos, rurais. Na verdade, os conflitos agrários, fundiários e urbanos são muito grandes e isso tem gerado não só movimentos de resistência, mas também de construção para o enfrentamento desse modelo de desenvolvimento implantado na Amazônia, que é centralizador, excludente, autoritário, que desconhece a multiculturalidade daqui e a multiplicidade dos movimentos existentes.

Diante desse cenário, a RTS pode contribuir para construir uma certa unidade nesse processo de gestão e socialização de conhecimento.

RTS - Nessa proposta ousada de se construir uma Rede como a RTS, o que você destaca como principais desafios?

Aldalice - O desafio para as redes em geral é que, devido à nossa formação cultural, sempre estamos esperando a decisão do outro. A gente sempre espera que um líder assuma a nossa história e possa fazer por nós. Então, é preciso trazer a população como sujeito, fazer com que a gente tenha essa cultura de rede, onde todos têm de fazer a sua parte, onde todos podem dar e receber. Por exemplo, quem tem recursos públicos deve ser acessado. Mas quem recebe não pode privatizá-lo. É preciso que o recurso seja público na doação e na recepção para que, realmente possamos construir uma democracia.

Esse processo de rede provoca um intercâmbio de saberes para que a gente entenda a política pública como direito. A construção da própria concepção de direito, no Brasil, é algo muito recente. Nesse sentido, a RTS pode contribuir porque, além de democratizar uma tecnologia, ela também democratiza o processo de participação.

RTS - A Rede é o todo, mas também é cada instituição. Após essa Oficina Regional, o que você leva para a Abong e para a Unipop?

Aldalice - Como a Abong está em vários outros fóruns e redes, estamos tentando dar uma capilaridade maior. Agora, vamos fazer uma ampla mobilização para que mais entidades associadas da Abong façam sua adesão à RTS, tragam também as suas metodologias e tecnologias para que isso seja enriquecido.

No caso da minha instituição, a Unipop, como a gente trabalha muito com a formação de atores, gestores sociais e jovens, esse trabalho de co-gestão, participação e construção de uma nova cultura política, essa visão dos outros movimentos é extremamente enriquecedora. Para mim, é sempre um aprendizado, uma coisa nova. O aspecto enriquecedor de uma rede é perceber que têm mais pessoas sensibilizadas com determinada visão e trazer diversos olhares sobre a mesma realidade.

Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS

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