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Paulo Magalhães

Representantes da secretaria executiva da RTS, da Caixa Econômica Federal e do Sebrae visitaram a comunidade Cidade de Deus (RJ)


rocinha.jpg Apoiar empreendimentos solidários é uma das prioridades da Caixa Econômica Federal, no âmbito das ações da Rede de Tecnologia Social (RTS). Dentre outras iniciativas, a empresa deverá investir R$ 180 mil na comunidade Cidade de Deus (RJ), no biênio 2005/2006.

Criado na década de 60, pelo governo de Carlos Lacerda, o então setor habitacional foi apresentado como única alternativa aos moradores de favelas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro (na época, Estado da Guanabara), num processo de remoção sumária. A mudança para a nova área também acarretou novos problemas, como a violência e a criminalidade.

A partir de 2001, moradores da região decidiram mudar esta realidade. Era preciso organizar a comunidade e lutar por políticas públicas. Temas como desenvolvimento local, economia solidária e transformação urbana passaram a fazer parte das conversas e reuniões.

Em novembro deste ano, representantes da secretaria executiva da RTS, da Caixa e do Sebrae visitaram a comunidade. Ao longo do dia, o grupo participou de uma reunião com o Comitê Comunitário Cidade de Deus, e fez uma visita à Rocinha II, local onde a Caixa deverá construir 600 habitações, mais conhecidas como "embriões".

Na ocasião, o sociólogo e representante da Caixa no Comitê Coordenador da Rede, Paulo Magalhães, concedeu uma entrevista à Assessoria de Comunicação da RTS.

RTS – Como a Caixa Econômica Federal começou a se envolver com a comunidade Cidade de Deus?

Magalhães – Essa articulação teve início há dois anos. Antes dessa época, a comunidade vivia num marasmo em termos de ações públicas ou privadas de qualquer natureza. Na verdade, se descobriu a Cidade de Deus ao mesmo tempo em que o cinema a descobriu. É um processo muito recente. Essas pessoas viviam num isolamento social e político muito intenso. Por um lado, o filme acabou gerando muitas dificuldades. A sociedade passou a pensar na Cidade de Deus somente sob o aspecto da violência. Mas, ao mesmo tempo, a comunidade apareceu. E é com essa contradição que eles estão lidando.

RTS – E a Caixa está com quais projetos na comunidade?

Magalhães – Primeiramente, fizemos uma articulação para a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) apoiar a criação da Agência de Desenvolvimento Local. Em um ano, serão investidos R$ 480 mil. Também estamos estruturando uma cooperativa para atender demandas dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007. Temos, ainda, um projeto habitacional para a construção de 600 pequenas moradias na favela Rocinha II, um dos locais com maiores dificuldades na Cidade de Deus.

RTS – Como será o trabalho da cooperativa?

Magalhães – A cooperativa é de trabalhadores da construção civil. Pretendemos contratar profissionais para a execução do projeto habitacional e para a construção da Vila Pan-Americana, que está situada a um quilômetro da Cidade de Deus e conta com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por meio de um financiamento da Caixa.

Já temos 150 pessoas selecionadas. Muitos trabalhadores não estavam qualificados. Por isso, há todo um procedimento: preenchimento de uma ficha, atendimento psicológico e uma qualificação do Senai. Enfim, estamos em fase de preparação e capacitação.

RTS – Diante desse cenário, o que a Caixa está considerando como iniciativas no âmbito da RTS?

Magalhães – Essa cooperativa é claramente uma ação de apoio a empreendimentos solidários. Todo o processo já está sendo desenvolvido no âmbito da Rede.

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