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Luiz Fernando NeryA empresa brasileira Petrobras foi o patrocínio master da Conferência Internacional – Empresas e Responsabilidade Social, promovida pelo Instituto Ethos. Seus funcionários/as realizaram apresentações em painéis, participaram de oficinas e mesas-redondas. O gerente de comunicação nacional da Petrobras, Luiz Fernando Nery, foi um dos palestrantes do Painel Temático 12 sobre “Metas Brasileiras do Milênio: qual o Brasil que queremos”? Na entrevista, a seguir, Nery fala sobre a importância das empresas na promoção do desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos.
RTS - Qual a importância da Conferência Internacional do Instituto Ethos para a sociedade brasileira? Nery - Entre os vários benefícios que um evento dessa natureza traz à sociedade, um deles dever destacado: o fato de se constituir realmente num fórum de discussões sobre problemas que são cruciais para que se consiga construir um mundo sustentável. Outro aspecto é o caráter multifacetário do público desse evento para que, de fato, as discussões sejam mais ricas possíveis.
Cada vez que acontece esse evento, a gente tem uma mudança de patamar no nível de conscientização das pessoas que se envolvem no trato das questões sociais fazendo com que se tenha uma expectativa de fazer trabalhos com atuações coletivas e maior possibilidade de sucesso no alinhamento das ações de todos os atores às políticas públicas.
Cabe às empresas contribuir com esse processo que já se desenvolve naturalmente, seja por meio das organizações da sociedade civil, institutos que já atuam na área social, ou pela atuação obrigatória dos governos federais, estaduais e municipais.
RTS - Por que as empresas devem aderir às Metas do Milênio? Nery - É uma questão de consciência. Se não for uma questão de consciência, não se chega à questão da sobrevivência. A tendência das grandes corporações é trabalharem para se eternizarem.
Essa perspectiva de um futuro a longo prazo torna obrigatório que elas tenham uma consciência e procurem não só mobilizar todos os seus grupos de relacionamento, como atuar diretamente para que seja possível reverter o atual modelo de crescimento mundial, que é um modelo que não garante a sobrevivência do planeta a longo prazo.
Atualmente, o consumo mundial de recursos naturais é 20% maior do que a capacidade do planeta de retorno. Estamos numa escalada de apropriação desses recursos que é insustentável. Ao mesmo tempo, estamos num modelo de desenvolvimento que produz, todo ano, mais excluídos dos mercados de consumo que incluídos. Em nível mundial, o atual consumo de produtos naturais exigirá quatro planetas para que se tenha, nos próximos 50 anos, um mundo habitável. Só que existe apenas um.
Nesse sentido, as empresas não podem pensar que irão sobreviver num planeta que não terá sustentabilidade. Logo, é fundamental que elas também trabalhem para a sobrevivência do planeta. Se, na década de 70, o empresariado pensava que sua expansão não tinha co-relação com a sustentabilidade do planeta, hoje não pode pensar mais. Seria um engano profissional.
Tratar das questões sociais, dos problemas ambientais não é uma questão de filantropia. É uma questão estratégica. A empresa só sobreviverá se o planeta onde ela está inserida tiver condições de vida.
RTS – O que dizer sobre o atual modelo econômico mundial? Nery - O atual modelo econômico provoca um crescimento das desigualdades sociais. O presidente do BID, Henrique Iglesias, costuma dizer que o atual modelo econômico produz mais perdedores que ganhadores. É preciso entender que reverter esse modelo é papel dos governantes, das instituições organizadas da sociedade civil e do próprio empresariado.
Do ponto de vista social, é necessário ter a perspectiva de melhor distribuição de renda em todo o planeta, principalmente em alguns países como o Brasil, onde a desigualdade é muito grande. Talvez essa situação seja o maior risco para a soberania desses países.
RTS – Para a mudança desse cenário, as Metas do Milênio são fundamentais? Nery - As oito metas significam uma proposta de política social mundial formulada pela ONU, único organismo existente no mundo que se detém às questões sociais e ambientais com expressividade. Seja porque congrega a maior parte dos países do mundo, seja porque em 1999 propôs o Pacto Global que reúne, hoje, mais de 1760 empresas transnacionais.
Esse pacto propõe que as empresas trabalhem em prol do cumprimento da declaração universal dos direitos humanos, das normativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e das deliberações da Rio-92. Qual é a forma de materializar o Pacto? Por meio das Metas do Milênio. A Petrobras aderiu ao pacto global em outubro de 2003.
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