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Kátia Campos

Rede de Tecnologia Social (RTS) é tema de encontro em Bilbao, na Espanha


katia_in.jpg Entre os dias 27 e 29 de outubro, a Rede Social da América Latina e Caribe realizou, em Bilbao (Espanha), o encontro “Construindo uma ponte com a Europa”. Representantes de governo e instituições parceiras de países ibero-americanos (América Latina, Portugal e Espanha) levaram experiências locais para inclusão produtiva e geração de trabalho e renda. Na ocasião, a Rede de Tecnologia Social (RTS) foi apresentada pela secretária de Articulação Institucional e Parcerias do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Kátia Campos.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da RTS, a secretária afirmou que esse deve ser apenas o primeiro passo para uma intensa articulação com os países que integram a Rede Social da América Latina e Caribe.

RTS – Fale-nos um pouco sobre a Rede Social da América Latina e Caribe e sobre o encontro “Construindo uma ponte com a Europa”.

Kátia Campos – Essa Rede é composta por 25 países que têm fundos sociais para a inclusão das famílias pobres. Foi constituída há 14 anos. Uma vez por ano, a Rede se reúne para verificar como cada país está oferecendo oportunidades para as famílias se emanciparem. Pela primeira vez, foram feitos contatos com os países europeus, em bloco, para trocar experiências.

Na ocasião, um dos assuntos a serem discutidos seria a questão das tecnologias. Então, eu sugeri que falássemos da RTS e foi o que aconteceu. Nós tivemos a mesa “Novas tecnologias como instrumento para diminuir as desigualdades entre América Latina, Caribe e Europa”.

RTS – Quais as principais discussões realizadas nessa mesa?

Kátia Campos - Essa mesa foi aberta com uma apresentação teórica, mostrando que a América Latina e o Caribe têm um desenvolvimento tecnológico ainda muito baixo comparado com os países desenvolvidos. Em média, o número de pesquisadores por habitantes é muito inferior.

Também foi colocado que há muita evasão de cérebros nos países em desenvolvimento. Muitas pessoas que vão para o exterior fazer doutorado, pós-doutorado, acabam ficando naqueles países e formulando tecnologias onde foram estudar. Muitos estão em organismos internacionais ou em grandes centros de pesquisas.

As novas tecnologias de inclusão social também foram abordadas nessa mesa. O País Basco levou o exemplo de uma ONG que trabalha com espécies de telecentros nas regiões mais deprimidas financeiramente.

RTS – E quanto à a explanação sobre a RTS?

Kátia Campos - O debate foi muito rico. Alguns países se interessaram muito. O representante da Venezuela disse que iria manter contato com a Rede para obter outras informações sobre nossas tecnologias. Por outro lado, a representante do Uruguai disse que o país possui um sistema de tratamento de água bastante barato. Daí, surgiu a idéia dos países trocarem experiências. Então, eu sugeri que a Rede Social da América Latina e Caribe iniciasse um diálogo com a RTS.

O próximo encontro anual dessa Rede será em agosto de 2006, em Trinidad y Tobago. Até lá, o Brasil poderia estimular debates e divulgar propostas, por meio da internet.

RTS – Que tipo de perguntas foram feitas sobre a atuação da RTS?

Kátia Campos – Os questionamentos foram basicamente sobre o perfil das instituições que compõem a Rede, e o foco das tecnologias. Se elas são voltadas para saneamento, habitação, alimentação etc.

Na verdade, essa apresentação deve ter um segundo, um terceiro passo. Devemos oferecer as experiências que já temos e, posteriormente, trocar experiências. Também seria bom identificar, naqueles países, tecnologias que o Brasil ainda não desenvolveu e que podem fazer parte das ações da RTS.

RTS – Pode-se afirmar que foi um momento estratégico para a RTS?

Kátia Campos – Sim, a apresentação foi elogiada pelo fato da Rede apresentar exemplos concretos. O representante da República Dominicana falou que valeu a pena ter participado do evento por causa dessa explanação sobre tecnologias sociais. Disse, ainda, que iria acessar o portal da RTS. Nossa contribuição brasileira foi muito interessante. Até mesmo para os países tomarem iniciativas similares.

RTS – E o MDS levou alguma tecnologia específica?

Kátia Campos – Falamos da cisterna e da mandalla e levamos o número de instituições envolvidas com a Rede. Destacamos que tem sido um processo muito amplo. Quando eu disse que participavam da Rede a ASA e o GTA, agregando inúmeras ONGs, os participantes ficaram encantados por conta da capilaridade. Se a RTS fosse composta apenas por universidades ou ministérios ou centros de pesquisa, sem as organizações sociais, ela não teria o mesmo significado.

Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS

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