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Elisângela Araujo Santos, coordenadora da Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos de Planaltina
08/06/2011 - Basta lavar, recortar, inventar e costurar, e o banner vira um produto capaz de gerar renda e reduzir os prejuízos ao meio ambiente. É o que vem fazendo as artesãs da Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos de Planaltina, no condomínio Arapoanga, em Planaltina (GO). Com os banners, elas produzem ecobags e outros produtos. Além disso, com a técnica adquirida, as artesãs repassam seu conhecimento a outros grupos, estimulando a inserção de novas artesã no mercado de trabalho. De acordo com Elisângela Araujo Santos, coordenadora da cooperativa, o objetivo é a inclusão social por meio da geração de trabalho e renda para comunidades de baixa renda, de acordo com os princípios do comércio justo e do respeito ambiental O projeto, que conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil, Programa Providência da Arquidiocese de Brasília e Sebrae no Distrito Federal, por meio do projeto Empreendedorismo Social, é desenvolvido em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Elisângela Araujo: Este loteamento abriga pessoas de baixa renda. Hoje, o condomínio Arapoanga deve contar com cerca de mil famílias. Os principais problemas que enfrentamos são a falta de saneamento básico, ruas sem asfalto, transporte precário e dificuldades de emprego. Elisângela: Bom, antigamente o pessoal do nosso condomínio fazia segurança e limpeza de condomínios particulares, como o Império dos Nobres, em Sobradinho. A cooperativa surgiu para dar uma unidade a esta prestação de serviço, mas foi à falência. Tempos depois, a fundadora da cooperativa, Maria da Páscoa, reabriu a cooperativa, com outro foco: o artesanato. A ideia era possibilitar às mulheres do condomínio uma alternativa de trabalho perto de casa, para que pudessem continuar cuidando de suas famílias. A princípio, foi feito trabalho com tapeçaria, mas ficava muito caro, e o resultado não tinha a qualidade ideal. Mais uma vez a cooperativa paralisou suas atividades até que Antonieta Contini, gerente de empreendedorismo do Sebrae no DF, nos procurou para ensinar a fazer bolsas a partir de material reciclado. Para tanto, pegou alguns banners do Sebrae que não estavam sendo usados, e acabou dando certo. Estamos nisso há mais ou menos dois anos. Com o apoio da Fundação Banco do Brasil, do Programa Providência da Arquidiocese de Brasília e do Sebrae no Distrito Federal, por meio do projeto Empreendedorismo Social, o trabalho da cooperativa é desenvolvido em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O objetivo é a inclusão social por meio da geração de trabalho e renda para comunidades de baixa renda, de acordo com os princípios do comércio justo e do respeito ambiental. Elisângela: Não usamos os banners muito grossos ou ásperos, pois machucam as mãos na hora da costura e ressecam e quebram com o tempo. Preferimos os mais maleáveis. Quando temos sobras de campanhas, ou seja, banners que não foram usados, não precisamos lavá-los. Já os que são reutilizados precisam ser lavados com água e sabão e auxílio de uma bucha. Primeiro, os cortamos e depois os lavamos, pois fica mais fácil. Depois de seco, o material segue para a costura. Tudo é feito na própria cooperativa. Elisângela: O nosso carro-chefe são as sacolas. Temos as sacolas promocionais, feitas sob encomenda para empresas que desejam dá-las de brinde. Neste caso, só fazemos de 100 peças para cima, e cada sacola custa, em média, R$ 2,50. Também confeccionamos sacolas mais elaboradas para serem vendidas em feiras. Uma sacola destas pode chegar a R$ 45,00. Ainda confeccionamos mochilas, nécessaires, dentre outros produtos. Elisângela: No início, tudo era doado. Hoje, este é um dos problemas enfrentados pela cooperativa. As empresas do governo continuam doando o material, mas as privadas, em geral, cobram. Isso encarece o preço final dos produtos e emperra o crescimento da cooperativa. Elisângela: Esses banners seriam jogados fora e demorariam anos para se decompor, pois são de difícil degradação, compostos de plástico e fibra. O nosso trabalho não só ajuda a reduzir o lixo, como também gera trabalho e renda para muitas pessoas. Até as tirinhas que não são utilizadas nas sacolas agora têm um destino. Doamos estas tirinhas para outro grupo de artesãs, do meio rural, e elas confeccionam porta papéis higiênicos com o material. Cada vez sobram menos resíduos. Além disso, são criados produtos diferenciados e criativos. Elisângela: Estamos fazendo uma experiência com lona de caminhoneiro a pedido de uma empresa. Elisângela: Hoje, além de confeccionarmos as sacolas, também damos cursos para três grupos de artesãs: além do grupo que trabalha com as tirinhas para fazer porta papel higiênico, temos mulheres que aprenderam a trabalhar com faixas amarelas de propaganda e montam bolsas e um outro grupo que trabalha com lona de cortina e também faz ecobags. A ideia é expandirmos esta área de capacitação para inserir cada vez mais artesãs no mercado de trabalho. Elisângela: Pelo que percebo, muitos cursos já vêm sendo dados, até mesmo pelo governo. O que falta é inserir estes profissionais no mercado de trabalho depois de concluírem suas capacitações. O trabalho com reciclagem é uma grande alternativa. Elisângela: Acho que união, parceria com empresas, órgãos públicos, e vontade de repassar o conhecimento adquirido. |
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