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Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

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08/10/2008 - Achim Steiner, o eloqüente diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), acredita que o México pode se converter em líder de uma nova economia verde. "O Pnuma quer documentar novos esforços criativos para uma próspera economia verde", disse Steiner, ao justificar seu encontro com o presidente mexicano, Felipe Calderón, no dia 22 deste mês.

Steiner, nascido no Brasil, foi eleito diretor-executivo do Pnuma pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em março de 2006, por um período de quatro anos. Deixava, então, seu cargo como diretor-geral da União Mundial para a Natureza (UICN), entre 2001 e 2006. Em 1998, foi designado secretário-geral da Comissão Mundial de Represas, com sede na África do Sul.

Em entrevista ao Terramérica via correio eletrônico, Steiner comemorou o fato de o México implementar "iniciativas ambientais significativas, como o Plano Nacional de Desenvolvimento, que tem entre seus cinco pilares o meio ambiente". Também destacou que esse país, que será sede, no dia 5 de junho do próximo ano, do Dia Mundial do Meio Ambiente, "pode ter um papel crucial na conferência de 2009 sobre mudança climática, em Copenhague", e que pode se converter em "exemplo de uma economia verde de sucesso para o restante da América Latina".

IPS - Como todos os países latino-americanos, o México voltou-se à exploração de seus recursos naturais - petróleo, gás, minerais, agricultura - para garantir o crescimento econômico. O senhor acredita que isso esteja mudando?

Achim Steiner - O México está em uma encruzilhada entre a economia tradicional, guiada pelos recursos, e a nova economia verde. A prosperidade futura está nas tecnologias verdes. O México já se movimenta nessa direção. Somente no ano passado, exportou produtos solares voltáicos no valor de US$ 2,3 bilhões. O Programa para a Promoção de Aquecedores Solares de Água (Procalsol) pretende ter 2,5 milhões de metros quadrados de sistemas instalados até o final de 2011. Construir e instalar estes sistemas pode gerar cem mil novos empregos. Até 2020, se poderia aumentar para 23,5 milhões de metros quadrados de sistemas instalados, evitando a emissão de 27 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Isso é muito significativo.

IPS - O que acontece com outros países da América Latina?

Steiner - Brasil e Costa Rica estão liderando essa transição. Necessitamos de uma economia totalmente diferente para evitar a perigosa mudança climática. É crucial que os países se ajudem, para que possamos avançar a um ritmo muito maior.

IPS - O Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005) criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para ajudar a transferir e financiar tecnologias não poluentes aos países pobres. A América Latina se beneficiou disso?

Steiner - Dados muito recentes do Centro Risoe do Pnuma, na Dinamarca, estimam que o Brasil é o líder, com 303 projetos de MDL. Desde setembro, o México é o segundo, com 187, que já foram aprovados ou estão em fase de aprovação. Em 2004, o México conseguiu apenas quatro projetos, por isso este aumento é destacável. O Chile vem em terceiro lugar, com 56 iniciativas, seguido de Colômbia, com 32, Argentina, 30, e Panamá, que em 2004 não tinha nenhum, com 14. Os especialistas do Risoe enfatizam que a América Latina tem enormes oportunidades em matéria de eficiência energética. Até 2012, pode haver um total de 1.600 projetos de MDL na América Latina e no Caribe, em processo ou aprovados, duplicando a quantidade atual. Isto significa que à região está chegando muita tecnologia e muito financiamento. Esperamos uma expansão significativa dos MDL nos próximos dez anos, o que equivalerá a centenas de milhares de milhões de dólares.

IPS - O senhor acredita que a mudança climática é um assunto considerado importante na América Latina?

Steiner - O público está preocupado. Muita gente sofreu a ação de furacões, secas e inundações, que vão piorar no futuro. É imperativo agir. O MDL está fornecendo fundos e tecnologia para facilitar a transição para as economias mais verdes, menos intensivas em produção de carbono.

IPS - As nações do mundo se reunirão em 2009, em Copenhague, para negociar um novo tratado que aborde a crise da mudança climática. Que papel se espera do México?

Steiner - O México tem um papel muito importante de liderança a cumprir, atuando como ponte entre o Norte (industrializado) e o Sul (em desenvolvimento). Devemos encontrar um acordo justo para todos os países, e creio que a experiência do México será de um valor inestimável. O êxito mexicano no MDL é um bom exemplo do que se pode conseguir em transferência de tecnologia e financiamento.

IPS - A crise financeira norte-americana está afetando os mercados globais. Qual deveria ser a resposta adequada?

Steiner - Cada vez que há uma crise econômica, se perde a perspectiva de longo prazo. Mas a virada para uma economia baixa em carbono é o investimento mais sábio que pode fazer qualquer país. Os investimentos em eficiência energética, por exemplo, criam emprego e reduzem custos energéticos e emissões de carbono. É uma estratégia de ganho total. Quando a economia se complica, o melhor investimento é em tecnologia verde. Os novos investimentos nestas tecnologias passaram de US$ 148 bilhões em 2007, o que supõe um aumento de 60% em relação a 2006. A era do petróleo barato acabou.


Por Stephen Leary, correspondente da IPS.


Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

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