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Tecnologia social, um caminho para o desenvolvimento sustentável
Por Fernando Portela*
16/12/2009 - Tecnologia Social, por definição, "compreende produto, técnica ou metodologia reaplicável, desenvolvida na interação com a comunidade e que represente efetiva solução de transformação social". A 5ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social (2009), finalizada dia 24 de novembro, completou uma década de reconhecimento a iniciativas sociais de desenvolvimento, apropriação e aplicação de tecnologias que impacta na vida das pessoas, especialmente comunidades com menor renda e menos acessos. O objetivo do prêmio é identificar, reconhecer e difundir tecnologias produzidas não só pela academia e instituições, mas, principalmente, os saberes e as práticas inovadoras desenvolvidas pelas comunidades em locais distantes para solucionar seus problemas. Hoje, o Banco de Tecnologias Sociais já dispõe de mais de 450 tecnologias certificadas, prontas para reaplicação, disponíveis no sítio www.fbb.org.br. A utilização é livre para qualquer comunidade. Este ano, 695 iniciativas inscreveram-se para participar do processo de seleção e premiação, que ocorre a cada dois anos. Na primeira edição em 2001, foram 523 inscritos. Em 2003, 634 comunidades participaram. No ano de 2005, foram 658, e em 2007, 782 inscrições. O Prêmio divide-se em oito categorias, cada uma das regiões do País e 3(três) temas, Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil, Gestão de Recursos Hídricos e Participação de Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais. Destacam-se, entre os finalistas nesta edição, a iniciativa premiada pela Região Sul, conduzida por agricultores familiares que produzem e preservam sementes crioulas, na União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (RS). Num processo de cooperação, os pequenos agricultores descobrem na preservação da biodiversidade uma boa oportunidade de geração de renda, resgatando e preservando variedades de sementes em risco de extinção, principalmente de alimentos como milho e feijão. Essa produção ocorre justamente na região do estado do Rio Grande do Sul, conhecida pela situação de pobreza e condições ambientais degradadas, provocadas em função do uso extenuante dos solos pelo latifúndio e pelas monoculturas, incorrendo até mesmo em processos de desertificação. O desafio agora, além de superar o uso de tecnologias nocivas ao homem e ao ambiente como os transgênicos e os agrotóxicos, é massificar as tecnologias sociais, promovendo e estimulando seu uso e consolidação como políticas públicas que visem a inclusão social e o desenvolvimento sustentável. *Arquiteto e urbanista, Mestre em Ciências da Construção e Arquitetura Tropical. Especialista em Gerência Executiva de Transportes e Mobilização. Atualmente é consultor da UNESCO, IICA e do PNUD em apoio a programas do Governo Federal.
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