|
|
O papel das redes sociais para a construção e o compartilhamento do conhecimento em Tecnologias Sociais
Por Larissa Barros e Isabel Miranda*
Antes de entrar no papel, propriamente dito, das redes sociais na construção e no compartilhamento de conhecimento em Tecnologias Sociais, é vital que falemos rapidamente sobre a fantástica mudança que a internet trouxe para os nossos dias. Percebemos que as conexões estão cada vez mais rápidas e a internet teve (e tem) papel fundamental nessa nova dinâmica. A comunicação passou a ser de “muitos para muitos” e a interação, mais direta. Os elos de uma rede, por exemplo, não são mais apenas consumidores, mas também produtores e articuladores do conteúdo. A postura “passiva” das pessoas não cabe mais na “Era da informação e do conhecimento”. A internet passou a ser mais que um mero meio de comunicação: ela rompeu a barreira geográfica e abriu horizontes. Foi (é!) uma revolução na forma como interagimos, participamos e contribuímos nos ambientes em rede e no mundo. O sociólogo Manuel Castells compartilha conosco em seu livro A galáxia da internet a dimensão da revolução virtual. Para ele, a história da criação e do desenvolvimento da internet é a história de uma aventura humana extraordinária. Ela põe em relevo a capacidade que as pessoas têm de transcender metas institucionais, superar barreiras burocráticas e subverter valores estabelecidos no processo de inaugurar um grupo novo. Reforça também a ideia de que a cooperação e a liberdade de informação podem ser mais propícias à inovação do que a competição e o direito de propriedade. Extraordinário, não?! Vivemos tudo isso, todos os dias, e às vezes nem nos damos conta das inúmeras articulações, compartilhamentos, divulgações, acesso a informações, reaplicações de boas práticas fazemos. Estamos construindo um novo ambiente de comunicação, conhecimento e inovação. Tudo isso aqui, diante dos nossos olhos! Passamos a ter formas multidirecionais de interação nesses espaços inovadores de conexão. É no fluxo das trocas, ideias, conversas e debates que surgem as construções coletivas de conhecimento e esse é um dos papéis mais importantes em uma rede: promover a interação, compartilhar conhecimento, (re)criar conhecimento e construir novas formas de cooperação a partir dessa dinâmica. Impossível pensar em uma rede, seja ela qual for, sem pensar em compartilhamento de conhecimento e de experiências. Compartilhar é sempre necessário e, em uma rede, é vital! Compartilhar significa estar disposto a contribuir com o crescimento do outro e do todo, a partir da vivência de cada um e de cada uma. Quando compartilhamos conhecimento, abrimos espaço para a interação, para o diálogo e para a construção de novos conhecimentos e nisso está a grande riqueza: nas trocas. Nessa abundância de possibilidades em rede, o conhecimento, os conceitos e as novas práticas são (re)criados e passam a ter novos significados. Para Davenport e Prusak (1998), “o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e se modifica à medida que interage com o meio ambiente”. Pois bem, as Tecnologias Sociais são exemplos desses organismos vivos, que se transformam continuamente, se reinventam, se recriam e passam a ter e promover dinâmicas diferentes, de acordo com o ambiente social no qual serão implementados. Para que seja desenvolvida uma Tecnologia Social é preciso que esta tenha sido concebida em rede. Compreendemos por Tecnologias Sociais produtos, técnicas e/ ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social (conceito adotado pela Rede de Tecnologia Social – RTS). Com o compartilhamento em rede dos conhecimentos que foram produzidos por uma comunidade ou organização, em processo interativo, as pessoas passam a valorizar o que foi construído coletivamente. Passam a valorizar suas práticas, sua história e reconhecer o conhecimento desenvolvido por elas mesmas. As comunidades empoderam-se e o capital social se eleva quase que instantaneamente. Por quê? Porque percebem que o desafio da mudança é responsabilidade de cada um e cada uma, e que esse “cada um” e “cada uma” são importantes nos processos. Percebem, ainda, que a cooperação é fundamental para que os objetivos traçados sejam alcançados. Sistematizar e compartilhar os conhecimentos produzidos e aprendidos em uma comunidade ou organização servirá de inspiração para que outras tantas comunidades e organizações passem a reconhecer e valorizar sua história e aprendizados. O compartilhamento favorece, ainda, que outras pessoas possam se apropriar e utilizar aquela solução, aquela Tecnologia Social, adequando-a a suas realidades, recriando-a. Na rede, o conhecimento não pode ser tratado como nicho, com donos, com feudos. Na verdade, saber compartilhar é evoluir junto, é crescer com o outro. É não se limitar, mas expandir os limites e suas possibilidades, pois rede é um espaço de abundância. Quando se estabelecer a conexão entre as pessoas, uma a uma, viveremos outra revolução social. Quando todas as organizações que trabalham com pesquisa, desenvolvimento, difusão e reaplicação de Tecnologias Sociais perceberem que compartilhar é o caminho que deve ser trilhado, o desenvolvimento sustentável realmente aflorará porque passará a ser algo construído coletivamente, a partir da perspectiva e experiência de muitos. Enfim, como disse David de Ugarte, estudioso e ativista em redes espanhol, em um dos seus artigos, “por amor à brevidade” paramos por aqui. Entretanto, continuaremos a usar os “óculos de ver rede”. *Larissa Barros é secretária-executiva da RTS. **Isabel Miranda é animadora de redes da RTS.
|
|||
|
Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
||||