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As novas tecnologias das comunicações e o desenvolvimento econômico

Por Supachai Panitchpakdi*

06/01/2010 - Em muitos sentidos, a difusão das novas tecnologias de informação e comunicações (TIC) continua sendo uma valiosa contribuição para o desenvolvimento. Nos últimos quatro anos, testemunhamos o espetacular crescimento das aplicações das TIC, em particular nos telefones celulares. As populações dos países em desenvolvimento agora constituem mais da metade de todos os usuários da Internet.

Contudo, enormes desequilíbrios persistem em muitas áreas, tanto entre os países como dentro deles. A maior diferença está, atualmente, no acesso à banda larga. Por exemplo, a Austrália, com apenas 21 milhões de habitantes, tem mais assinantes de banda larga do que os 900 milhões de todo o continente africano. A brecha aumenta ainda mais pelo fato de as redes existentes em muitas economias pobres frequentemente oferecerem velocidades menores a preços mais altos do que em outros lugares.

Dentro dos países, o uso comercial das TIC também varia muito. Como foi mostrado recentemente no Informe de Informação Econômica 2009, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), as grandes empresas tendem a um emprego mais intensivo das TIC do que as médias e pequenas. Isso tem importantes implicações, já que, nas nações em desenvolvimento, as pequenas empresas são a grande maioria. Também há uma brecha significativa entre as companhias das áreas rurais e as das urbanas, especialmente quanto ao uso de computadores e Internet. A telefonia móvel, ao contrário, expandiu mais em localidades relativamente remotas.

Nas economias emergentes e desenvolvidas, a melhoria da conectividade da banda larga transformou o modo como os serviços são produzidos e comercializados, nacional e internacionalmente. As estimativas de mercado sugerem que, em todo o mundo, o valor dos “serviços offshoring” triplicou entre 2004 e 2008, passando de US$ 30 bilhões para US$ 90 bilhões. Uma grande parte destas atividades comerciais é realizada em países em desenvolvimento.

Uma área crítica, que melhorará a conectividade entre a África e o resto da economia global, é a do uso cada vez maior dos cabos internacionais de fibra ótica. A África subsaariana foi amplamente excluída dessa rede de cabos, mas é animador que uma série de iniciativas esteja, finalmente, por ser cumprida, incluindo a do cabo Seacom, que conectará a costa leste da África com Europa e Índia, e a do Sistema Marinho da África Oriental (Teams).

O incremento do uso das TIC, especialmente pelo comércio, ajuda a combater a pobreza. As micro, pequenas e médias empresas (MPME), muitas das quais estão no setor informal nas nações em desenvolvimento, parecem ser as mais positivamente afetadas pela telefonia móvel. Nos setores da agricultura e da pesca, o telefone celular agora é usado para comprar e vender bens e serviços e negociar preços. Em muitos países, são usados amplamente para atividades de “comércio móvel” e “banco móvel” porque permitem transferências e compras pré-pagas sem uma conta bancária.

Portanto, os governos das nações em desenvolvimento deveriam dar mais atenção à aceitação e utilização das TIC por parte das MPME, que ainda se encontram atrasadas em relação às companhias maiores. Apesar do incremento na conectividade, vários gargalos ainda impedem as pequenas empresas de usarem de maneira eficiente as TIC, enquanto em remotas áreas rurais a conectividade ainda é baixa. A utilização das TCI é comumente afetada por fatores técnicos e econômicos, como a lenta velocidade de conexão e o alto custo, bem como por fatores sociais, incluindo os baixos níveis de alfabetização e instrução, além das carências locais de conteúdo.

É importante explorar como as inovações tecnológicas e as políticas governamentais podem ajudar a superar estes problemas. Como a expansão das TIC pode chegar aos pobres? Alguns indicadores mostram que as novas aplicações das TIC estão ajudando a reduzir a pobreza, mas as pesquisas sistemáticas ainda são incompletas. As organizações internacionais, os governos, o setor privado e a sociedade civil devem fazer um balanço dos êxitos e dos fracassos para orientar as políticas futuras. IPS/Envolverde

(*) Supachai Panitchpakdi é secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).


Fonte: IPS/Envolverde

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