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Tecendo o tecido da Rede

Por Dea S. Melo*

 
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30/04/2009 - Quatro anos, ponto-a-ponto, tecendo a técnica, o produto ou a metodologia a serviço de efetivas transformações sociais nas comunidades brasileiras, representadas por organizações diversas, reunidas neste mês de abril de 2009, em Brasília, compondo a imagem de uma Rede, a de Tecnologia Social – TS.

Falo de um desenho que vai tomando forma não só para quem usa uma TS, mas para quem está com as agulhas na mão, fazendo as amarrações, facilitando as alianças, patrocinando as parcerias, estimulando a comunicação e construindo o processo.

Como a natureza é sábia e nos oferece infinitas oportunidades e caminhos de aprendizagem, sugiro seguir no fluxo do imaginário, a partir da metáfora da tecetura de uma rede de pesca artesanal – uma Tecnologia Social, vale lembrar, tão presente em nossa realidade amazônica e no Brasil de um modo geral, para nos orientar ir ao encontro dos peixes, respeitando os ciclos de pesca, reprodução e distribuição, gerando trabalho e renda de forma sustentável.

Na condição de facilitadora do Grupo de Trabalho de Cultura do Fórum Social Mundial 2009, venho cada vez mais observando, investigando, experimentando, aprendendo e amadurecendo afinal, como pode ser possível “um outro mundo possível”, a partir de uma construção coletiva? Um desafio que me faz convocar todos os sentidos e canais de apreensão da realidade, na tentativa de compreender, elaborar e colaborar na manifestação dessa realidade.

Jorgdieter Anhalt, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis – Ider, durante a oficina temática do 2o Fórum Nacional da RTS, foi uma das minhas inspirações nesse processo de elaboração. Ele trouxe várias técnicas para a sustentabilidade energética no país e fez questão de compartilhar algumas lições aprendidas ao longo de uns bons anos de experiência.

Jorgdieter destaca a necessidade de que a TS seja perfeitamente adaptada aos hábitos e à cultura da população, de forma contextualizada; de saber interpretar o que as pessoas falam e querem transmitir; de estudar a cadeia inteira, a partir da produção até o mercado e sua viabilidade e de montar uma equipe multidisciplinar, para que todos os aspectos da implantação do projeto sejam observados.

Na 2a Conferência Internacional de Tecnologia Social, outros representantes do masculino também foram particularmente felizes, com os quais me senti completamente identificada, ao exporem sua dimensão feminina, revelando uma lógica de concepção criativa, subjetiva e profunda no trato de questões tão práticas e objetivas referentes às TSs.

Herman Thomas, da Universidade de Quilmes, Argentina, começa dizendo que há TSs que não funcionam simplesmente por problemas sócio-culturais, já que trata-se de um processo de soluções sócio-técnicas e não apenas de conceber um artefato tecnicamente perfeito.

Na sequência, o professor Andrew Feenberg, da School of Communication Simon Fraser University do Canadá, usando como metáfora o vôo dos pássaros, nos mostra literalmente, que o “óbvio está escondido das vistas”; que considerar as diferenças de linguagens e costumes é fundamental no desenvolvimento de uma TS, já que seu objeto é mais para mudar o “mundo” do que o ator que o cria ou utiliza, “mas se não mudamos o ator, não consideramos o todo”, diz ele.

Essa ilusão da tecnologia é menos presente nas sociedades tradicionais e é grave quando a sociedade capitalista tira esses saberes de suas mãos e passam para a indústria. Ilusão maior é achar que podemos agir no mundo, sem conseqüência para nós mesmos. Para Feenberg, a tecnologia e a experiência são complementares, mas os especialistas ainda não consideram isso.

Em outras palavras, o professor Ignacy Sachs, da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais da França, confirma essa idéia dizendo: “Colocar um computador numa comunidade é fácil, o desafio é fazer com que esse computador tenha um bom uso na comunidade”.

O bem humorado economista brasileiro Ladislau Dawbor, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC, é um daqueles que nos faz sentir estimulados/as a entender um pouco mais de economia acadêmica, quando diz por exemplo, “o que se precisa não é de tecnologia dura (equipamentos), mas de processos organizacionais (tecnologia soft)”. Afinal, em tempos de imensos desafios sociais, ambientais e de crise generalizada, especialmente de valores humanos, o indicador conhecido como PIB – Produto Interno Bruto já começa a ser observado levando em conta um outro indicador, jamais associado até então, à idéia de geração de renda ou de lucro. É o FIB – Felicidade Interna Bruta.

Se concordamos que se trata efetivamente de um processo, sigamos passo-a-passo, ponto-a-ponto, costurando as amarras dessa Rede entre o PENSAR - FAZER – SER - CONVIVER. Taí uma Tecnologia Social!


*Déa Santos Melo participou do 2o Fórum Nacional da RTS e da 2a Conferência Internacional de Tecnologia Social, de 13 a 17 de abril, em Brasília. Déa é comunicadora social, criadora da metodologia Comunic-Ação Criativa, com formações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Administração da Cultura. Déa também é coordenadora da ONG Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura e aplica a TS Peneirando.  E.mail:  dea@manamani.org.br

 

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