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Sustentabilidade nos momentos de crise
Por Dal Marcondes*
01/10/08 - Agora é a hora de ver o que representa a sustentabilidade de fato no cenário do desenvolvimento dos países e do mundo. Na crise é que se vê que valores são necessários para manter a humanidade na trilha da vida cotidiana. Nesta segunda-feira fatídica, 29 de setembro de 2008, liguei para um amigo consultor de empresas às 17h30. Do outro lado veio a sentença: “O mundo acabou”. A Bolsa de Valores de São Paulo suspendeu as operações ao chegar em 10% de queda, o dólar passou a barreira do R$ 1,90 e o mundo voltou a tremer por conta da crise nos Estados Unidos. Ao que parece o contribuinte norte-americano não vai ter de arcar com os prejuízos causados pela gestão financeira irresponsável dos executivos financeiros globais. Ao redor do mundo a crise de inadimplência dos consumidores norte-americanos está fazendo vítimas em todas as línguas. O mesmo mercado que está quebrando o sistema financeiro global é aquele que não quer pagar os prejuízos. No Brasil, onde o presidente Lula chega a um dos pontos mais altos de aprovação, a economia está apreensiva por conta de impactos no preço do dinheiro e na mudança de prioridades das empresas e investidores. O circulo virtuoso que a economia brasileira vinha desenvolvendo era, também, o responsável pelo crescimento dos investimentos e no interesse por modelos de gestão baseados na sustentabilidade. Como se não bastasse as más notícias, a Amazônia foi alvo de um verdadeiro saque de desmatamento. Três vezes mais do que em agosto de 2007 e o dobro do mês anterior. E pasmem, entre os principais desmatadores está o Incra – Instituto Nacional da Reforma Agrária, que é apontado pelo Ministério do Meio Ambiente entre os dez maiores incentivadores da retirada da floresta. Pará e Mato Grosso estão de novo na liderança do ranking dos ladrões de floresta.
O dinheiro é um bicho assustado, um barulhinho e ele some. Mas desaparece primeiro daquelas atividades que as empresas não consideram essenciais. No final de cada ano, principalmente a partir de outubro, empresas e organizações fazem o planejamento estratégico do ano seguinte. É, portanto, é hora de ver se os programas e projetos nas áreas social e ambiental vão sobreviver. Esta não é uma crise nova. Os bancos dos Estados Unidos, principalmente aqueles que fizeram uma farra nos empréstimos imobiliários, estão dando sinais de alerta desde o final de 2007. No Brasil o crédito imobiliário não chegou aos níveis norte-americanos, mas mesmo assim existe um boom na construção civil. No setor automobilístico, no entanto, as vendas de automóveis chegaram a ser financiadas em mais de quatro anos de prazo. O risco de inadimplência nestas duas áreas é presente. São setores que estimulam toda a economia. Mas, quando falamos em uma nova economia, baseada na sustentabilidade, é preciso que seu motor não seja o mesmo que move a economia tradicional. O Brasil pode passar ao largo desta nova crise internacional. Mas tem de descolar seu modelo de desenvolvimento e de crescimento econômico de um modelo baseado na internacionalização do capital e na ciranda financeira global. As empresas brasileiras, por conta da valorização do real, estão muito bem posicionadas no mercado interno, ponto a favor. Mas na hora de decidir os caminhos de um novo modelo de gestão é preciso ver se vencem os paradigmas da administração conservadora ou vão manter a aposta em uma economia menos frágil e mais baseada em ativos reais. *Dal Marcondes é editor da revista eletrônica Envolverde |
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