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Força coletiva
Por Larissa Barros*
19/02/2009 - A Rede de Tecnologia Social está a caminho de completar quatro anos de existência. No dia 14 de abril de 2009, estaremos reunidos/as em Brasília, no 2º Fórum Nacional da Rede, e celebraremos juntos/as essa data. A pergunta que me fazem é: há o que comemorar? A resposta, para mim, é clara e indiscutível: sim, temos vários motivos para isso. E, claro, todos que fazemos parte dessa grande rede temos uma grande responsabilidade pela frente, que é avançar mais, alargar os nossos passos em direção aos objetivos de difundir e reaplicar, em escala, Tecnologias Sociais a fim de transformá-las em objeto de políticas públicas e de financiamento por parte de empresas privadas. Para isso, um dos caminhos mais efetivos é a articulação em rede. Foi o caminho que escolhemos. Fazer parte de uma rede significa conectar-se com outras pessoas, compartilhar conhecimentos e vivências, contribuir, ensinar, aprender, falar, ouvir, concordar, divergir, construir de forma colaborativa, cooperar, concretizar parcerias. Integrar a RTS é participar de um espaço a partir do qual é possível encontrar outras pessoas e instituições que atuam, desenvolvem, refletem, sistematizam, reaplicam e avaliam Tecnologias Sociais. Esse encontro tem gerado e tornado possível a concretização de várias parcerias. Sejam elas entre organizações não-governamentais, entre estas e instituições financiadoras de projetos, alianças que envolvem as universidades e as que se dão com a participação de órgãos de governo. As experiências de reaplicação e de difusão de Tecnologias Sociais que decorreram das aproximações ocorridas nesse ambiente de rede são múltiplas e diversas, o que revela a factibilidade de ocorrência de diálogos e construções coletivas entre atores diferentes quando se compartilha um mesmo objetivo. Vejo essa característica como uma das principais riquezas e diferenciais da Rede de Tecnologia Social. O diálogo entre diferentes tornou possível a articulação de esforços e investimentos que resultaram na superação das expectativas iniciais de aporte de recursos na reaplicação de Tecnologias Sociais voltadas à geração de trabalho e renda nos territórios priorizados nos primeiros dois biênios da Rede. As organizações que primeiro apostaram nessa forma de trabalho perceberam o potencial transformador inerente às Tecnologias Sociais e as considero visionárias e ousadas por terem contribuído, a partir da multiplicação das experiências de TSs, com a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas e famílias. Mas ainda são poucas as experiências que alcançaram a escala inicial desejada. E são poucas as organizações financiadoras de Tecnologias Sociais no Brasil. Sensibilizar novas empresas e governos comprometidos com a promoção de um modelo de desenvolvimento que promova a inclusão e a emancipação das pessoas, e fazê-las perceber as Tecnologias Sociais como um caminho relevante para essa construção, é um desafio que temos de abraçar nos anos que virão. Outro movimento importante e necessário é o de identificar, sistematizar e compartilhar as soluções já desenvolvidas nos vários lugares do Brasil, da América Latina e de outros países do mundo. É preciso que as pessoas e organizações que desenvolveram essas tecnologias se apercebam da importância do que fazem e assumam o fato de que são desenvolvedoras de Tecnologias. Não de qualquer tecnologia, mas daquelas que apresentam características como: serem intensivas em conhecimento, poupadoras de recursos, geradoras de trabalho e de renda, promotoras de inclusão social e que, ainda, contribuam para a construção de um mundo melhor, mais justo e solidário. E mais! Essas Tecnologias, que causam tantos impactos positivos, podem ser compartilhadas com centenas de milhares de outras pessoas e comunidades, que agregarão a elas novos conhecimentos e elementos inovadores, adequando-as a suas realidades e reiniciando o ciclo cooperativo. Para alimentar essa revolucionária rede de conhecimentos, precisamos contar para todo o mundo quais são, como têm sido reaplicadas e onde estão essas Tecnologias Sociais. Hoje existem vários instrumentos que possibilitam essa visibilidade, além da própria mobilização feita pelas instituições que trabalham diretamente com as TSs. Posso citar o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social (que está com inscrições abertas); o Prêmio Finep de Inovação, que conta com uma categoria Tecnologia Social; vários editais voltados à difusão e/ou a reaplicação de TS como, por exemplo, os lançados pelo Sebrae, pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a Caixa e a Petrobras, que concedem pontuação diferenciada para projetos que envolvam TS, entre outros. A RTS disponibiliza ainda o Portal, com todas as suas funcionalidades e possibilidades, que vem sendo aprimorado e já é um espaço rico, interessante e amigável tanto para a busca de informações e conteúdos, quanto para o compartilhamento de conhecimentos e o estabelecimento de novas conexões entre as pessoas. Outra forma privilegiada de difusão de TS e fortalecimento da Rede são os encontros presenciais que acontecem por todo o país, promovidos pelas diversas instituições que fazem parte da RTS. Chamo a atenção para o papel importante que têm cumprido as universidades, principalmente por meio das Pró-Reitorias de Extensão, e alguns governos estaduais, além do governo federal, que têm mergulhado no tema e promovido valiosos debates com a sociedade, além do desenvolvimento de ações e projetos conjuntos. Enfim, a RTS cresceu e se tornou forte a partir de sua dinâmica e da participação de todas e todos. É preciso consolidar as ações já iniciadas e ampliá-las a partir dessa força coletiva e cooperativa que se tornou a Rede de Tecnologia Social. * Larissa Barros é Secretária-Executiva da Rede de Tecnologia Social (RTS)
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